Um dia depois de o Instituto Adolfo Lutz confirmar que a dentista Mariana Giordano, de 36 anos, morreu de febre maculosa, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APqC) veio a público denunciar o que considera um “desmonte” público no enfrentamento da doença. A febre maculosa é gravíssima e de rápida evolução.
A dentista e o namorado, o piloto Douglas Costa, de 42, tinham visitado duas áreas rurais de Campinas, além de Monte Verde, em Minas Gerais. Não é possível afirmar com exatidão que a contaminação ocorreu em Campinas, mas a cidade é uma das áreas de risco para a doença no País.
O piloto Douglas Costa, de 42 anos, morador de Jundiaí, faleceu na última quinta-feira (8) em sua cidade. No mesmo dia, a namorada dele, a dentista Mariana Giordano, morreu em um hospital da capital paulista.
Em nota enviada ao Hora Campinas, a Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo afirma que recebe “com preocupação” a notícia de mortes provocadas pela febre maculosa. A APqC acrescenta ainda que “o Estado vem sofrendo, nos últimos anos, um desmonte da estrutura de pesquisa científica, essencial para orientar ações de vigilância epidemiológica”.
Assim que o governo estadual, por meio da Secretaria de Estado da Saúde, se manifestar, o Hora publicará a sua posição.
A APqC diz que é “importante alertar que a Superintendência de Controle de Endemias (SUCEN), responsável pelos estudos nesta área, foi extinta em 2020, durante o governo de João Doria”. O tucano governou o estado e deixou o cargo para tentar concorrer à Presidência da República, mas não emplacou o seu nome.
Segundo a associação, a estrutura da Sucen, composta por 14 laboratórios, sendo dois na Capital e 12 em diferentes regiões do Estado, “está até hoje com operações comprometidas, afetando e até cancelando novas pesquisas”.
A APqC e o Instituto Pasteur chegaram a entregar uma proposta para que os laboratórios sejam incorporados ao Pasteur, em março deste ano, mas aguarda decisão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reitera a nota.
“Em 2016, uma resolução conjunta entre o Estado e o Ministério Público (MPSP) estabeleceu diretrizes para o controle da febre maculosa. O documento atribuía à SUCEN pesquisas em locais com casos confirmados da doença, identificando os tipos de carrapatos, além do monitoramento e orientação aos municípios”, reforça a APqC.
Confira a resolução neste link.
“Sem investimentos em ciência, a resposta a casos como este, de morte provocada por uma bactéria, fica comprometida e expõe a sociedade ao risco de novos casos e mortes”, cobra a APqC.
A associação finaliza o texto salientando que é “urgente investir em Institutos de Públicos de Pesquisa, alguns há 20 anos sem concurso público, além de salários defasados em relação a outros Estados da Federação”. “Mesmo nestas condições, Institutos Públicos, como o Adolfo Lutz, responsável pela análise das amostras coletadas das vítimas, ainda são referência em atendimento à população brasileira e merecem o reconhecimento da sociedade.
Orientação da Vigilância
Caso a pessoa passe por áreas de vegetação, mato ou pastos, especialmente próximas de cursos hídricos, onde há presença de cavalos e capivaras, deve ficar atenta, por cerca de 15 dias, aos sintomas da doença, que são febre, dor de cabeça, dor intensa no corpo, mal-estar generalizado, náuseas, vômitos e, em alguns casos, manchas vermelhas pelo corpo.
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