Imagens espalhadas pela memória das redes sociais, que ainda chegam aos nossos olhos décadas mais tarde, nos ajudam diariamente a comparar Campinas do século passado com a metrópole de hoje. Principalmente naqueles registros urbanos, em preto e branco, que traduzem um município em expansão, planos viários em ação e um importante centro econômico do país.
Agora, aos nossos olhos estão retratos de uma cidade que busca respirar, afastar os prejuízos causados pela pandemia e se reerguer economicamente.

E esses olhos, quando se voltam para o núcleo central de onde tudo começou, veem a complexidade de se fazer a região reviver, e sobreviver.
O Hora Campinas tem estado próximo a essa transformação no centro, ouvindo o que falam e pensam da região e caminhando por antigas calçadas. Já registramos fechamento de restaurantes, grandes magazines (Skina e Americanas) e tantas outras realidades presentes nesse núcleo comercial.

Desses tortuosos percursos, a Avenida Dr. Thomaz Alves se mostra em fotos antigas, de uma época em que o endereço era sinônimo de elegância. Havia brilho nas fachadas das boutiques, vitrines bem iluminadas, vitrôs neoclássicos e o burburinho constante de clientes em busca de sapatos sob medida, vestidos de festa, bijuterias de marcassita.
Das décadas de 40, 50 em diante, o comércio tornava a rua em endereço requisitado.
“Era uma rua charmosa, sofisticada, com vitrines que competiam em bom gosto”, escreveu a jornalista Janete Trevisan, em um sincero lamento nostálgico, publicado no Hora Campinas.
“Neste local funcionou a sorveteria mais gostosa de Campinas, a famosa Jangel. Um prédio lindo, arquitetura neoclássica, janelas quadriculadas… lembra minha infância”, comentou um cidadão em uma rara fotografia publicada em uma página dedicada à memória de Campinas. “Tinha também a Tops Calçados, sapatos feitos sob medida”, diz outro comentário.

Uma das fotos emblemáticas da Thomaz Alves dos anos 1940 foi tirada de dentro do então colégio normal Carlos Gomes. A imagem mostra uma rua arborizada, movimentada de carros e pedestres. Outros tempos.
Contraste
Já faz alguns anos que naquelas duas grandes quadras da avenida, encontramos um cenário distinto, e perturbador: portas cerradas, placas de “aluga-se”, e um Largo das Andorinhas sem vida. Há lojas de roupas, vitrines esteticamente bonitas em meio a tanta porta de ferro. Mas há vitrines, clientes nem tanto.

Luiz Bueno, dono de uma cafeteria que ainda resiste na avenida, descreve a mudança com pesar, mas também esperança:
“Eu estou na Thomaz Alves já faz sete anos, mas conheço a rua desde a infância. Minha família morava aqui perto. Sempre foi uma rua bonita, próspera. Mas de uns anos pra cá decaiu muito, principalmente depois da pandemia. Muitas lojas fecharam.”

O comerciante aponta a revitalização como um passo necessário: “Com isso vai atrair consumidores. São pequenas ações que vão mudando o todo. Vai trazer o pessoal de volta pro Centro.”
A percepção de abandono não é só estética, mas também econômica e emocional. A falta de movimento afasta clientes, e o círculo se retroalimenta. “O público é bem menor. Está voltando, mas muito devagar”, resume o comerciante.
Pedido De Revitalização
No radar político, a Thomaz Alves apareceu essa semana no foco de uma Indicação, protocolada pelo vereador Nelson Hossri (PSD). Segundo o documento, o parlamentar pede à gestão do prefeito Dário Saadi (Republicanos), uma atenção especial no que diz respeito à revitalização da avenida.

O documento, de maneira sucinta, justifica a atenção à via como vital não apenas para a economia, mas também para a mobilidade urbana e a qualidade de vida.
“Investir na recuperação dessas vias torna os espaços mais atrativos, acessíveis e seguros para todos, além de fortalecer o comércio e a economia local”, escreve o vereador.
Apesar de constar como mais um entre centenas de pedidos feitos pelos 33 vereadores, a iniciativa joga luz a esse importante trecho central, que um dia foi sinônimo de progresso.
General Osório também silencia
A General Osório – rua que cruza o Centro desde o pátio ferroviário até o centro do Cambuí, também contabiliza um corredor comercial onde se ecoa a saudade dos bons tempos. No trecho entra a Praça Carlos Gomes e a Rua Barão de Jaguara, um cenário fantasmagórico e, em alguns momentos, até silencioso pela falta do comércio.

Paralela à Thomaz Alves, a General se soma ao esvaziamento da região central por conta da pandemia, a fraca economia e em consequência, o desemprego. Esse último, levou centenas de homens e mulheres para a região central, em busca de abrigo e moedas.
Mas o Centro estava ‘abatido’, e degradou-se ainda mais depois desses quatro anos anormais na vida e trabalho de cada um. O comerciante que por décadas movimentou a economia no coração de Campinas, não viu outra alternativa a não ser cerrar as portas, transferir para um melhor ponto, ou esperar a duras penas que promessas e mudanças possam alterar a realidade na região.
Serviços para atrair a população ao Centro
A Prefeitura de Campinas anunciou a implantação de mais de 50 serviços no histórico prédio do Palácio da Justiça. O local, agora chamado de ‘Palácio da Cidade’, faz parte do projeto municipal definido como Requalificação da Área Central (PRAC), que prevê justamente o que almeja: revitalizar, recuperar.

O que até meados de fevereiro se especulava ser a sede da Câmara de Campinas, por questões jurídicas e técnicas houve uma mudança de finalidade e agora o governo espera que em 2026 o palácio atenda em média, cerca de 30 mil pessoas por dia.
Nos seis pavimentos do Palácio da Cidade serão instalados serviços de diversas áreas da Prefeitura e de outros órgãos. Entre eles Sanasa, Emdec, CPFL, Junta Militar, o Juizado da PUC Campinas, e parte do Departamento de Promoção à Saúde do Servidor (DPS).
A transferência dos serviços para o Palácio da Cidade vai gerar uma economia de mais de R$ 2 milhões ao ano com a saída de serviços de prédios alugados, segundo a administração.







