O projeto “Batuque na Cozinha”, da arte-educadora e musicista Shey, chega à sua última fase neste domingo, 24 de maio, às 14h com degustação de comida afro. A programação contará com a participação dos compositores Niva do Partido Alto e Marquinhos Jaca, além de músicos da cidade e estudantes que integram as oficinas. A produção fica a cargo da Cria Produções Culturais.
Contemplado pelo FICC (Fundo de Investimentos Culturais de Campinas), da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas, o “Batuque Na Cozinha” é composto por oficinas educativas de samba o “Samba da Camaleoa” e a prática acontece durante as rodas de samba do projeto, onde estudantes e profissionais do samba compartilham as vivências e o espaço permitindo a troca e a partilha.
As experiências vividas durante o projeto “Batuque Na Cozinha” incluem o Ajeum, degustação de um cardápio centrado na raiz africana coordenado pelo afrochefe Marcelo Reis, que em cada edição da roda proporciona sabores diferenciados.
Nesta edição, o cardápio inclui Bobotie, que é um prato tradicional da culinária da África do Sul, famoso por sua combinação agridoce única. Consiste em uma base de carne moída temperada com curry, especiarias e frutas secas, assada no forno e coberta com uma camada cremosa de ovos e leite e também a Moqueca de banana da terra e para adoçar: o Mugunzá doce. Como acompanhamento para beber, Aluá de Abacaxi, conhecido como “refrigerante natural brasileiro” é uma bebida fermentada e refrescante de origem afro-indígena feita a partir das cascas da fruta, água e açúcar mascavo ou rapadura.
A relação entre a culinária africana e o samba é profunda, unindo ancestralidade, resistência e cultura afro-brasileira. Ambos são pilares da identidade negra no Brasil e frequentemente celebrados em rodas de samba e terreiros, que funcionam como espaços de preservação cultural. Para Shey: “O samba é a própria sambista, que manipula a energia transmutando os sentimentos através de canções de alegria e dor para um estado físico e mental elevado”. A roda proporciona o encontro genuíno, definindo não só um ritmo, mas uma forma de vestir, comer, beber, dançar e interagir. É um instrumento pedagógico que perpetua a crônica do cotidiano do povo brasileiro. O samba e suas rodas não são apenas música, mas uma maneira de ocupar a cidade e entender o mundo, destaca ainda.
Conforme a idealizadora, as rodas de samba são fundamentais como espaços de resistência cultural, sociabilidade e “reencantamento” das ruas, funcionando como terreiros laicos onde se preserva a memória, a identidade negra e a coletividade contra a lógica do trabalho e da pressa. Elas são a base da cultura popular bem como a resistência que desafia a mercantilização e a exclusão dos espaços públicos bem como um instrumento pedagógico que perpetua a memória coletiva e sua transmissão por meio da oralidade.
Durante os meses do projeto “Batuque na Cozinha”, foram atendidas diretamente 18 alunas e, indiretamente, outras 40 pessoas. Ao longo desse período, foram promovidas três rodas de samba em espaços culturais da região central da cidade. Além disso, houve a degustação de um cardápio variado de comidas afro. Cerca de 40 pessoas estiveram envolvidas na realização das atividades, entre profissionais e estudantes. As rodas de samba reuniram um público aproximado de 1.500 pessoas em espaços culturais, número que deve ultrapassar 2.000 participantes até a última edição. Recursos de acessibilidade foram incorporados em diferentes etapas do projeto, desde a elaboração do cardápio até a presença de intérpretes de Libras durante as rodas, promovendo a inclusão do público.












