O bilionário e filantropo Bill Gates emitiu um alerta nesta semana: se os Estados Unidos não retomarem, em breve, os investimentos em ajuda externa, milhões de vidas poderão estar em risco. Segundo ele, além das consequências humanitárias, a redução desse financiamento compromete a diplomacia e a influência econômica do país em diversas regiões do mundo. Ele alertou que milhões de pessoas podem sofrer nesse meio-tempo. Espera-se que algumas das medidas do Departamento de Eficiência do Governo (DOGE) sejam revertidas.
A mudança drástica entre a ação tomada pela Casa Branca e uma conversa que o bilionário teve anteriormente com Trump o surpreendeu. Trump parecia aberto a ouvir seus pensamentos sobre a ajuda externa contínua, mas, com Elon Musk, tudo mudou.
O fundador da Microsoft destacou ainda a importância do PEPFAR — o Plano de Emergência do Presidente para o Auxílio à AIDS — que, desde a sua criação há mais de 20 anos, já salvou mais de 26 milhões de vidas. O programa é financiado com recursos que somam US$ 110 bilhões. Bill Gates disse ainda que se todo americano se orgulharia se conhecesse esse programa.
Em fevereiro, a Casa Branca anunciou uma pausa de 90 dias nos repasses para a ajuda externa, justificando que os EUA destinam cerca de US$ 40 bilhões por ano para esse tipo de financiamento. No entanto, o valor representa apenas 1,6% dos gastos federais registrados em menos de cinco meses, que somam US$ 2,44 trilhões desde outubro.
Para Gates, além do impacto direto em regiões vulneráveis, o corte prejudica a imagem internacional dos EUA. Segundo ele, há um valor moral e estratégico na ajuda internacional. Muitos países enxergam os Estados Unidos como uma força de paz e estabilidade. Manter essa presença é essencial para o futuro das relações globais.
Diante de números tão expressivos e de um histórico que comprova o impacto positivo da ajuda externa, é difícil não questionar o custo real — não em dólares, mas em vidas — de decisões tomadas com base em interesses imediatistas. A postura dos Estados Unidos no cenário global sempre foi pautada pela liderança e pela responsabilidade. Cortar investimentos que representam menos de 2% do orçamento federal, mas que fazem tanta diferença no mundo, é abrir mão não apenas de influência, mas de humanidade.
Talvez o que esteja em jogo não seja apenas uma política pública, mas o tipo de nação que os EUA querem continuar sendo.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







