A Câmara Municipal de Campinas prevê na noite desta quarta-feira (7) a votação, em análise inicial, do Projeto de Lei que institui na cidade o programa “Casa do Atleta Campineiro”. A proposta visa reinserir na sociedade ex-atletas profissionais que tenham 60 anos ou mais, e que se encontrem em estado de vulnerabilidade social. Um dos apoiadores do PL, de autoria do vereador Edvaldo Cabelo (PL), é o ex-zagueiro Edson Magalhães, que conhece de perto a realidade de ex-esportistas em situação de desamparo.
Edson foi companheiro, no Guarani, de Jorge Mendonça e Mauro Cabeção, exemplos de atletas que morreram em condições precárias depois de passagens marcantes pelo futebol de Campinas. Mendonça faleceu no dia 17 de fevereiro de 2006 depois de passar mal na casa onde morava. “Morreu pobre e sozinho aos 51 anos de idade”, noticiou a imprensa na época. Já Mauro, campeão brasileiro em 1978, foi assassinado em um bar em Nova Odessa, em 2004.
“Atualmente, ainda há ex-atletas na cidade em condições de pobreza e alcoolismo, como foram os casos dos dois”, afirma Edson, que tem 64 anos e hoje trabalha na indústria farmacêutica. “Não seria ético da minha parte falar em nomes, mas sei que há diversos casos, inclusive com envolvimento em outros tipos de problemas que desconhecemos”, lamenta.
Edson conta que a ideia do projeto partiu de uma conversa com o vereador Cabelo e foi inspirado no Retiro dos Artistas – instituição centenária localizada no Rio de Janeiro – e a Casa do Atleta de Volta Redonda. “É um projeto que irá acolher, ressocializar, resgatar o orgulho e a dignidade, fazendo com que outros ex-atletas não virem estatística nessa triste realidade enfrentada por tantos”, afirma o vereador.
Cabelo confirma que em Campinas ainda há muitos ex-atletas que precisam de ajuda, não apenas aqueles ligados ao futebol, mas também a outras modalidades. “Muitos deles se destacaram nacionalmente e internacionalmente, mas uma boa parte não teve a mesma trajetória de sucesso, por vários motivos, e vive atualmente com a situação financeira precária e sem amparo familiar, ou ainda em estado de abandono”, frisa.
O parlamentar acrescenta que a falta de capacitação profissional dificulta a reinserção no mercado de trabalho e muitos ainda sofrem com preconceito e desprezo por parte da sociedade.
Deverá ser oferecido aos participantes alimentação; tratamento médico e odontológico; acompanhamento psicológico; sessões de fisioterapia; e capacitação profissional para inserção no mercado de trabalho. Para oferecer estes serviços, a proposição autoriza a Prefeitura a firmar convênios com o Governo Estadual e Federal e segmentos de iniciativa privada, visando à obtenção de meios e recursos humanos, materiais ou financeiros.
Para integrar o programa, além de confirmar que tiveram vínculo com alguma entidade de prática desportiva, os beneficiados deverão estar inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) atualizado em um Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do município.







