A Prefeitura de Campinas anunciou nesta terça-feira (27) novas medidas para fortalecer o enfrentamento à violência contra as mulheres. Dentre elas, redução pela metade do tempo de solicitação de auxílio-moradia para mulheres, capacitação de profissionais da atenção primária em saúde sobre violência de gênero e desenvolvimento de uma ferramenta com inteligência artificial (IA) para detecção de riscos de violência contra a mulher.
No encontro também foi confirmada a distribuição de protetores de copo durante o carnaval para reduzir o risco de adulteração de bebidas. Também será mantida no carnaval 2026 a iniciativa “tenda contra o assédio”, destinada ao atendimento, orientação e encaminhamento de vítimas de importunação ou violência;
As medidas focam na prevenção e acolhimento. O Município terá inovações desenvolvidas por diferentes secretarias com objetivo de reforçar as políticas públicas que garantam proteção e reconstrução da autonomia de vítimas.
O prefeito Dário Saadi apresentou um planejamento que será coordenado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres e foi estruturado com abordagens em áreas fundamentais como saúde, educação, segurança, assistência social, desenvolvimento e cultura.
“Campinas está iniciando novas ações para tentar reduzir indicadores da violência de forma contínua. É um compromisso de governo a valorização e a proteção das mulheres”, ressaltou o prefeito.
Dados
Os registros de casos de violência contra mulheres adultas residentes em Campinas aumentaram 12% na comparação entre 2023 e 2024. Os dados do 18º Boletim Sisnov (Sistema de Notificação de Violência em Campinas), publicado em dezembro de 2025 pela Prefeitura, mostram que as notificações passaram de 1.585 para 1.777 no período avaliado.
Considerando-se o período de 2019 a 2024 foram contabilizadas 6.818 notificações. Neste intervalo, cônjuges ou ex-cônjuges das vítimas foram responsáveis por 42,1% dos casos.
Veja a lista de algumas das ações que serão desenvolvidas a partir deste ano
Chamamento público de empresa de tecnologia, por meio de sandbox, para desenvolver uma ferramenta com inteligência artificial (IA) para detecção de riscos de violência contra a mulher; o sandbox regulatório é um ambiente controlado que permite à administração pública testar soluções inovadoras e novas tecnologias com segurança jurídica, antes de qualquer contratação definitiva.
Redução pela metade do tempo de solicitação de auxílio-moradia para mulheres em situação de violência: vai de 30 para 15 dias, com contagem a partir da solicitação junto ao Centro de Referência de Assistência Social (Creas); o valor mensal é de R$ 994,31 (195 UFICs). A duração é de seis meses, mas o benefício pode ser ampliado e chegar a 12 meses. Os atendimentos subiram nos últimos anos e refletem também a confiança na política pública: 37 em 2023, 75 em 2024 e 102 em 2025.
Formação on-line para profissionais de educação que atuam nas 429 escolas municipais e estaduais com turmas de educação básica; o plano pedagógico 2026 tem foco em equidade, incluindo abordagens sobre prevenção à violência contra as mulheres e valorização das mulheres
Capacitação de profissionais da atenção primária em saúde sobre violência de gênero, com foco nos primeiros sinais. A 1ª parte do projeto tem início em março, com um mapeamento de necessidades por região, enquanto o curso on-line deve ser lançado em agosto e incluir 3,2 mil trabalhadores; mapeamento das necessidades por região, de acordo com os casos de violência identificados em cada território.
Criação de um grupo executivo integrado pela Guarda e polícias Civil e Militar com foco na tomada de decisões estratégicas para o enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa prevê ainda a implementação de uma força-tarefa especializada, o compartilhamento de informações e o planejamento de procedimentos, garantindo mais eficiência, agilidade e proteção às vítimas.
Orientações para prevenção ao assédio durante grandes eventos públicos na cidade.
O que já existe de políticas públicas voltadas às mulheres
Abrigo Sara-M: Acolhimento seguro para mulheres vítimas de violência, com escuta qualificada e apoio para romper o ciclo da violência. Acolhe mulheres maiores de 18 anos, encaminhadas por órgãos de proteção. Possui 20 vagas para mulheres e seus filhos.
Ceamo: Acolhimento e orientação para mulheres em situação de violência, com apoio social e jurídico para fortalecimento da autoestima e rompimento do ciclo da violência. Atende 130 mulheres por mês. O Ceamo fica na rua Onze de Agosto, 412, Centro. Horário de atendimento: das 8h às 19h (de segunda a sexta-feira). Telefone: (19) 3236-3619 (também é WhatsApp). E-mail: [email protected].
Grupo Mulheres Empreendedoras: Promove a emancipação econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo vítimas de violência.
Renda Campinas: Programa de transferência de renda para famílias em situação de pobreza, com prioridade para mulheres chefes de família. Beneficia 16.909 famílias.
Abrigo Amigo: Parada de ônibus com totem que permite chamada de vídeo, em tempo real, para a central de atendimento que pode acionar forças de segurança, caso a mulher se sinta ameaçada. Funciona das 20h às 5h. Já teve 1.194 acionamentos de setembro de 2023, quando o primeiro foi instalado, até fevereiro deste ano.
Botão Bela: Botão de emergência que pode ser acionado no aplicativo da Emdec, por vítimas ou testemunhas de importunação e assédio sexual, no transporte coletivo. Quando acionado, o botão alerta a Guarda Municipal, que envia uma viatura para abordar o ônibus.
Desembarque Fora do Horário: Lei Municipal garante às mulheres desembarque em local mais seguro, mesmo que fora do ponto de parada, entre 22h e 5h.
Guarda Amigo da Mulher (Gama): Fiscaliza o cumprimento das medidas protetivas concedidas às mulheres que sofrem violência doméstica por meio de visitas periódicas na casa das vítimas.
Sala Lilás: Acolhe e orienta as mulheres em situação de violência, encaminhando-as aos órgãos da Rede de Atendimento. Mulheres que sofrem violência doméstica ou que conhecem outras mulheres nesta situação podem procurar a Sala Lilás para acolhimentos e o orientações.
Botão SOS Gama: Ferramenta na qual a mulher que é assistida pelo programa pode acionar a Guarda Municipal por meio de um aplicativo de celular. Em 2024, a GM efetuou 27 prisões por descumprimento de medida protetiva. Para ter acesso aos serviços, as mulheres que estão com medida protetiva podem ligar no telefone 153 ou procurar a Sala Lilás que fica na base do Centro da GM (na avenida Moraes Salles, s/n).
Planejamento Familiar: Os centros de saúde disponibilizam métodos anticoncepcionais como camisinha, anticoncepcionais orais e injetáveis, DIU e implante subdérmico. Também é feita laqueadura ou vasectomia.
Casa da Gestante: Projeto pioneiro no país, o serviço já atendeu 147 mulheres em situação de vulnerabilidade em saúde, de 2016 a 2023.












