A comunicação confiante não nasce de algo que você ainda não tem. Ela nasce do que já é seu, mesmo que você ainda não tenha percebido. Eu repito isso a todo líder que me escuta porque, antes de buscar técnicas novas, é preciso enxergar o valor do que já habita aí dentro. E talvez a história do André ilumine algo importante sobre você também. O André vivia uma transição profissional. Saiu da tecnologia decidido a entrar para a área de vendas, mas carregava um conflito silencioso: acreditava que jamais seria um bom vendedor porque não era falante o suficiente. Ele fazia aquilo que tantos de nós fazemos sem perceber. Olhava para fora, comparava-se com modelos prontos e concluía que não se encaixava. Talvez você já tenha sentido isso em algum momento.
O André era analítico, observador, dono de uma escuta que muitas vezes vale mais do que qualquer fala. E justamente por isso duvidava da própria capacidade. A virada, porém, aconteceu no instante em que ele entendeu que não precisava se transformar em outra pessoa para alcançar resultado.
Ele podia ser um grande comunicador sendo exatamente quem era: alguém que percebe nuances, analisa cenários, acolhe silêncios e faz perguntas profundas. Quando você se permite enxergar seus pontos fortes, algo importante se abre. Perguntei ao André o que ele fazia com naturalidade, o que as pessoas valorizavam nele. E ele descobriu algo que talvez também exista em você: a habilidade de criar vínculos, a confiabilidade, a presença tranquila que faz o outro se sentir à vontade.
A segunda pergunta foi decisiva: como ele poderia usar esses pontos fortes para alcançar seus objetivos? E foi aí que tudo começou a mudar. O André parou de tentar parecer alguém e começou a ser um comunicador verdadeiro. Passou a ouvir clientes com presença, a fazer perguntas com clareza, a oferecer soluções alinhadas ao que realmente importava. Relações genuínas surgiram. A confiança cresceu. As metas deixaram de ser um peso e se tornaram consequência. Talvez essa seja a parte que mais conversa com você: o caminho mais curto para qualquer objetivo não nasce daquilo que precisa ser consertado, mas do que já é forte, vivo e natural aí dentro.
O mundo insiste em apontar falhas. O mercado cobra melhorias. Mas a comunicação que move um líder nasce da consciência dos recursos que ele já tem. Ser mais falante ou mais ouvinte não determina seu potencial.
O que determina é a forma como você usa o que é seu para gerar impacto. E, para te ajudar a dar esse passo, deixo o mesmo exercício que transformou a jornada do André. Primeiro, pergunte a si mesmo: quais são os meus pontos fortes? O que faço bem, com leveza, sem esforço? Sou mais observador? Estratégico? Acolhedor? Espontâneo? Analítico? Depois reflita: como posso usar essas características para atingir meus objetivos?
Apresentar, vender, conduzir reuniões, participar de processos seletivos, tudo ganha força quando nasce do que é verdadeiro em você.
Quando você usa o que tem de melhor, a autoconfiança cresce, a comunicação flui e o caminho se torna mais claro.
Espero que essa história te lembre de olhar para dentro com mais generosidade, porque a força que você procura já existe aí. E, se fizer sentido, compartilhe esse texto.
Outros líderes também podem descobrir na própria essência tudo o que precisam para avançar.
Cecília Lima é fonoaudióloga, especialista em Oratória e Comunicação para Líderes. Há 20 anos, dedica-se a guiar líderes a colocarem suas ideias com confiança, clareza e assertividade, conquistando a influência que precisam para crescerem na carreira e na vida. Conheça:@cecilialimaoratoria







