O Dia Internacional da Mulher de 2026 é marcado por um cenário de alerta de violência na Região Metropolitana de Campinas (RMC). Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP), compilados pelo Hora Campinas, a escalada da violência de gênero é comprovada em dados: em 2025, a região contabilizou 24 feminicídios, superando os 22 registros de 2024.
A gravidade dos números reflete-se no cotidiano local. Campinas já registrou seu primeiro feminicídio de 2026 em 2 de fevereiro, quando uma mulher de 48 anos foi encontrada morta em sua residência, no Jardim Campos Elíseos, com sinais de violência. O companheiro da vítima foi detido pouco depois, apontado como o responsável pelo crime.
Diante desta realidade, o 8 de março em Campinas será um dia de mobilização.
Organizada e apoiada por grupos femininos locais e nacionais, uma manifestação está marcada para às 9h, no Largo do Rosário. Este ano, o ato une reivindicações históricas do feminismo a pautas contemporâneas, como a defesa do fim da escala de trabalho 6×1.
Para além dos protestos, a resistência feminina em Campinas se manifesta diariamente através de coletivos que oferecem acolhimento, reflexão e empoderamento. Conheça abaixo cinco projetos que utilizam a cultura, a pesquisa e a economia para transformar a vida das mulheres na cidade. O Hora listou esses coletivos, mas considera que a força feminina é muito maior. Por isso, o portal salienta que essa reportagem homenageia todos os coletivos de luta.

1. Caju Cultura
Nascido em 2017, o coletivo Caju Cultura é um dos destaques da produção cultural feminista na cidade. Formado pelas atrizes e produtoras culturais Cristiane Taguchi e Juliana Saravali, e pelas gestoras e produtoras culturais Júlia Conterno e Ju Kaneto, o grupo foca na gestão e produção de artes cênicas, música, audiovisual e formação estratégica de projetos culturais.
O destaque do coletivo é o festival “Crie com Quem Luta”, um evento majoritariamente idealizado e executado por mulheres. Em 2025, o projeto alcançou marcas expressivas: foram 10 dias de programação em 10 espaços diferentes, envolvendo mais de 200 artistas e um público superior a 4.000 pessoas, segundo dados divulgados pelo grupo. O coletivo faz parte da Red Internacional de Mujeres por la Cultura e promove o intercâmbio latino-americano de gestoras.
Saiba mais: @caju.cultura

2. Clube Capitolinas
Fundado em 2024 pela médica e sexóloga Mila Nascimento, o Clube Capitolinas utiliza a leitura feminista como ponto de partida para criar um ambiente seguro de debate. O nome homenageia a personagem Capitu, de Machado de Assis, e remete à palavra latina caput (cabeça/domínio).
Com mais de 80 participantes, o grupo expandiu suas atividades para saraus, oficinas e intervenções poéticas em áreas de vulnerabilidade. Em outubro de 2025, o coletivo lançou a antologia Delas para Elas, uma compilação de cartas escritas para as mães brasileiras, em busca de sintetizar o papel da literatura como espaço de afeto, resistência e transformação.
Saiba mais: @clubecapitolinas

3. Baque Mulher Campinas
Filial do movimento fundado em 2008 pela Mestra Joana Cavalcante no Recife, o Baque Mulher Campinas promove o empoderamento por meio do Maracatu de Baque Virado. Atuante na cidade desde 2014, o grupo utiliza ensaios e oficinas para unir mulheres, celebrar a cultura e debater o espaço da mulher na sociedade e a escalada da violência doméstica.
O Maracatu é uma manifestação cultural, musical e de dança de matriz africana, nascida em Pernambuco no século XVIII. O coletivo é peça central nas manifestações locais, incluindo o ato deste domingo no Largo do Rosário. Em novembro de 2025, Campinas sediou o 8º Encontro Nacional do Movimento, com atividades no SESC e na Estação Cultura.
Saiba mais: @baquemulhercampinas

4. Meninas SuperCientistas
Idealizado por pesquisadoras da Unicamp, o projeto Meninas SuperCientistas combate a sub-representação feminina nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). O foco são alunas de 11 a 14 anos, de escolas públicas e particulares, que participam de visitas guiadas, palestras e oficinas práticas.
Em 2026, o projeto chega à sua sexta edição, mantendo o objetivo de despertar a curiosidade científica e formar futuras líderes na pesquisa brasileira. O projeto contempla 75 alunas do ensino fundamental II, sendo 53 vagas para escolas públicas e 22 vagas para escolas particulares.
Saiba mais: @meninassupercientistas (e canais oficiais da Unicamp).

5. Grupo Mulheres do Brasil (Núcleo Campinas)
Liderado nacionalmente pela empresária Luiza Helena Trajano, o Grupo Mulheres do Brasil atua de forma suprapartidária em diversas frentes sociais. Em Campinas, o núcleo é conduzido por Aldvan Figueiredo e Denise Ferreira, reunindo mais de 1.500 mulheres cadastradas.
O grupo se organiza em comitês que abrangem desde o empreendedorismo e igualdade racial até a saúde e o combate à violência. O núcleo Campinas dialoga com o poder público e ocupa assentos em conselhos municipais, buscando influenciar diretamente as políticas voltadas para a equidade de gênero.
Saiba mais: @grupomulheresdobrasil.campinas












