13 de janeiro de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Home Colunistas

Crise do planeta muito maior que a climática – por José Pedro Martins

José Pedro Martins Por José Pedro Martins
17 de dezembro de 2025
em Colunistas
Tempo de leitura: 7 mins
A A
Crise do planeta muito maior que a climática – por José Pedro Martins

Foto: Freepik

Sem grande alarde na imprensa, o que é lamentável pela importância do documento, foi divulgada no último dia 9 de dezembro a sétima edição do Panorama Ambiental Global (GEO7), do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). O primeiro Panorama Ambiental Global do Pnuma foi lançado em 1997 e, desde então, a cada quatro ou cinco anos é lançada uma nova versão, com o estado global do meio ambiente, em todas as áreas.

O GEO7 é fruto do trabalho de 287 cientistas de 82 países, com a contribuição de mais de 800 revisores de todo o planeta. Assim acontece com cada edição do GEO, e a versão de 2025 é mais uma prova evidente de que a crise ambiental planetária é muito maior do que a gravíssima crise climática. Claro, GEO7 deixa claro que a escalada do aquecimento global é um agravante para quase todas as outras crises socioambientais em curso.

Mas cada uma delas já seria suficiente para acender o alerta generalizado para o futuro da Terra, incluindo, claro, o da espécie humana. Pois crise socioambiental é assim. Toda crise ambiental tem muitos impactos na vida humana. São direitos humanos fundamentais que são desrespeitados em cada uma delas, o direito à vida e à saúde como o maior deles.

Sim, a emergência climática é gravíssima, ressalta GEO7. Se mantidas as atuais políticas de produção de energia, somando-se as chamadas contribuições determinadas nacionalmente do conjunto dos países, a temperatura global vai subir entre 2,4 °C e 3,9 °C acima dos níveis pré-industriais ainda neste século. Ou seja, um aumento nas temperaturas muito acima dos 1,5°C estabelecidos como meta ideal no Acordo de Paris de 2015.

Hoje, 2025, esse patamar de 1,5°C já foi ultrapassado, apesar do avanço impressionante no uso de energias renováveis como solar e eólica, que no ano passado foi maior do que a energia derivada do carvão. Ocorre que a geração de energia vinda dos combustíveis fósseis continua muito alta, com planos de crescimento da exploração de petróleo, gás e carvão em vários países.

O resultado da dinâmica climática atual é que as emissões globais antropogênicas de Gases de Efeito-Estufa (GEE) atingiram um recorde em 2023 de 53 Gt de CO2 equivalente. Os impactos do aquecimento global têm sido de enorme gravidade. Já está ocorrendo o derretimento de geleiras em todo planeta. Se mantido o ritmo de crescimento das temperaturas globais, “o colapso completo da Antártica Ocidental e o derretimento das calotas polares da Groenlândia levariam a um aumento do nível do mar de mais de 10 metros. Um degelo abrupto do permafrost resultaria em uma liberação substancial de metano em poucos anos”, alerta GEO7. Permafrost são imensas extensões de terra que ainda estão congeladas e que guardam enorme quantidade de Gases de Efeito-Estufa, sobretudo o metano, de alto potencial para o aquecimento global. Derretendo-se o gelo, o afloramento do permafrost traria uma enorme complicação para o clima global.

Em termos domésticos, brasileiros, os fatos que têm se acumulado somente nos dois últimos anos, de efeitos de eventos climáticos extremos, já são nítidos indicadores do que pode estar por vir em âmbito planetário. As enchentes no Rio Grande do Sul no início de 2024, a destruição em Rio Bonito do Iguaçu (PR) em 7 de novembro de 2025 e os mais do que recentes transtornos para grande parte da população da Grande São Paulo (por exemplo em cortes de energia por vários dias) decorrentes de fortes chuvas e vendavais são exemplos do que estamos falando.

GEO7 sustenta que o ritmo atual do aquecimento global agravaria a perda da biodiversidade terrestre e marinha, por exemplo com enorme desaparecimento dos recifes de coral. “Uma perda quase total de corais de águas quentes pode ocorrer rapidamente com um aumento de 2°C na temperatura”, adverte o Panorama Ambiental Global de 2025.

 

Foto: Victor Moriyama/ Greenpeace

 

Pois essa situação climática global está diretamente associada ao modo como o crescimento da produção e da economia tem se dado nas últimas décadas. “Desde 1960, o consumo per capita quadruplicou, impulsionado pelo aumento da renda e por uma mudança global em direção a estilos de vida mais intensivos em recursos, particularmente em países de alta renda. Os níveis e formas de consumo variam significativamente entre e dentro dos países, estando intimamente ligados aos níveis de desenvolvimento”, assinala GEO7, reiterando que existe muita desigualdade na produção e consumo de recursos, concentrados na maior parte nos países de alta renda.

O documento evidencia ainda que o PIB global cresceu de US$ 33,8 trilhões em 2000 para US$ 111,3 trilhões em 2024 (PIB em valores atuais de dólares americanos) e pode dobrar de tamanho novamente até 2050. Ou seja, um enorme crescimento da economia nas últimas duas décadas e meia. O que por si só não é negativo. O que é negativo é a forma como boa parte desse crescimento é materializada.

A população humana, por sua vez, aumentou de 6,1 bilhões em 2000 para 8,1 bilhões de pessoas em 2023, e projeta-se que alcance entre 9,3 e 10,1 bilhões de pessoas até 2050. Até 2050, 68% da população global deverá estar urbanizada. Esse alto crescimento populacional de forma cada vez mais urbanizada tem enormes impactos nos ecossistemas, mas por si só não explica as crises socioambientais, que estão de fato na forma como se produz e se distribui a riqueza.

Mas é inegável que os seres humanos alteraram mais de 70% da cobertura terrestre global livre de gelo. Mais de 24 bilhões de toneladas de solo são perdidas anualmente, cerca de 3,4 toneladas de solo por pessoa em todo o mundo, devido principalmente à desertificação, erosão, compactação, salinização e acidificação.

Os efeitos da produção insustentável, por exemplo com o avanço da agricultura (quando ocorre sem preocupação com os impactos ambientais) e do desmatamento, sem falar na ainda recorrente poluição industrial e geração de gases pela exploração dos combustíveis fósseis, são cada vez mais assustadores. “Um milhão das cerca de oito milhões de espécies estão ameaçadas de extinção, algumas dentro de décadas. As populações de muitas outras espécies estão em declínio e sua diversidade genética está sendo significativamente reduzida”, diz GEO7. “A perda de biodiversidade não está diminuindo. Quase 60% da superfície terrestre do mundo está sujeita a pressão humana moderada ou intensa”, acrescenta.

As espécies invasoras são outra grande ameaça à biodiversidade. “Mais de 3.500 espécies exóticas com impactos negativos foram documentadas. Uma vez estabelecidas, as espécies exóticas invasoras são extremamente difíceis e dispendiosas de erradicar”, salienta GEO7.

A destruição da floresta amazônica é obviamente citada pelo relatório, como exemplo de produção econômica desenfreada, com desmatamento acelerado, queimadas criminosas e avanço insustentável da agricultura. Com isso, o risco é de a Amazônia deixar de ser um “sumidouro” de carbono para se transformar em emissor de mais dióxido de carbono, o que seria muito grave para o clima mundial.

“Estimou-se que entre 20% e 40% da área terrestre foi degradada em 2022. Entre 2015 e 2019, pelo menos 100 milhões de hectares (o tamanho da Etiópia ou da Colômbia) de terras férteis e produtivas foram degradadas anualmente em todo o mundo”, continua o relatório.

O documento cita várias outras consequências do modo que a economia é produzida no mundo. “A produção anual de resíduos sólidos atualmente ultrapassa 2 bilhões de toneladas e, considerando as tendências atuais,a projeção é de que aumente para 3,8 bilhões de toneladas até 2050”, assinala GEO7.

A poluição dos oceanos é particularmente preocupante. “Estima-se que entre 1,1 e 4,9 milhões de toneladas de lixo plástico estejam em nossos oceanos,e a produção deverá aumentar de 475 milhões de toneladas em 2022 para 1.200 milhões de toneladas em 2060 (conforme bem estabelecido). A poluição plástica é responsável por perdas econômicas relacionadas à saúde que excedem US$ 1,5 trilhão anualmente. Mais de 700 espécies ingerem ou ficam presas em plásticos; os plásticos também se transformam em micro e nanoplásticos, impactando negativamente tanto os ecossistemas terrestres quanto aquáticos”, sublinha GEO7. As zonas anóxicas resultantes de várias formas de degradação dos oceanos, ou “zonas mortas”, prejudicam a biodiversidade de bivalves e peixes marinhos e expandiram-se em 4,5 milhões de km² desde meados do século 20, acrescenta.

 

Foto: Freepik

 

A situação dos rios não é menos inquietante. “A poluição por sedimentos, principalmente devido à degradação do solo, está aumentando em 40% dos maiores rios do mundo, e 173 grandes rios estão poluídos por mineração não regulamentada”, diz GEO7, alertando para a crise hídrica iminente sobretudo nas áreas densamente povoadas, pela poluição das águas e má gestão dos recursos hídricos.

E mais:

__ A crescente lista de contaminantes emergentes, incluindo produtos farmacêuticos, produtos de higiene pessoal, hormônios e substâncias poli e perfluoroalquiladas, representa ameaças significativas à saúde humana e ecológica.

A lista de advertências continua. “Noventa por cento da população mundial está exposta a concentrações ambientais de partículas finas (PM2,5) acima da diretriz anual da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a qualidade do ar de 5 μg/m3, e 50% está exposta a concentrações acima de 25 μg/m3 (bem estabelecido)”. Obviamente a poluição do ar nas grandes metrópoles é a causa do número crescente de mortes por doenças respiratórias, principalmente de crianças e pessoas idosas.

GEO7 precifica alguns impactos da conjunção de crises socioambientais planetárias em curso. “As perdas decorrentes de desastres (por eventos climáticos extremos) registrados 2000-2019) foram de US$ 2,97 trilhões, e a perda cumulativa do PIB dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento devido a eventos climáticos extremos, riscos hídricos e mudanças climáticas foi de cerca de US$ 153 bilhões entre 1970 e 2020. Os custos com danos à saúde causados ​​pela poluição do ar foram de cerca de US$ 8,1 trilhões em 2019, cerca de 6,1% do PIB global”, destaca o documento.

GEO7 indica alguns caminhos, a maioria já conhecidos, para que haja uma mudança radical na forma como a produção e o consumo ocorrem no planeta. Um deles é que a sabedoria dos povos indígenas seja realmente levada em consideração, por exemplos em termos da proteção da biodiversidade em áreas florestais e outras.

Outro caminho, é claro, é avançar ainda mais na produção de energia renovável, em contraponto à diminuição do uso de combustíveis fósseis, o que significa afetar poderosos interesses econômicos. Incremento da chamada economia circular, incluindo aumento substancial da reciclagem e reuso (por exempoo de eletrônicos), o investimento na inovação para uso de materiais e mudanças radicais em modalidades de gestão no serviço público e também no modo de atuação do poderoso sistema financeiro (com menor investimento em fósseis e outras fontes de crises socioambientais) são outros caminhos apontados.

As soluções são na maior parte conhecidas. Depende da velha vontade política e de diminuição da ganância que ainda marca boa parte da economia. Apenas uma cidadania planetária cada vez mais ativa levará a mudanças de fato, evitando-se o caos que está no horizonte do planeta e da humanidade.

 

José Pedro Martins é jornalista, escritor e consultor de comunicação. Com premiações nacionais e internacionais, é um dos profissionais especializados em meio ambiente mais prestigiados do País. E-mail: josepmartins21@gmail.com.

 

 

 

Tags: climacolunistasGEO7Hora CampinasHora Sustentabilidadejosé pedro martinsmeio ambientemudanças climáticasONUrelatóriotempo
CompartilheCompartilheEnviar
José Pedro Martins

José Pedro Martins

Hora da Sustentabilidade

Notícias Relacionadas

A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza
Colunistas

A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

Por Carmino de Souza
12 de janeiro de 2026

...

Existem países democráticos? – por Luis Felipe Valle
Colunistas

Existem países democráticos? – por Luis Felipe Valle

Por Luis Felipe Valle
10 de janeiro de 2026

...

Quando a diplomacia falha, todos perdem – por Luis Norberto Pascoal

Quando a diplomacia falha, todos perdem – por Luis Norberto Pascoal

9 de janeiro de 2026
Presidente interina da Venezuela defende agenda de colaboração

O perigoso negócio que mata – por Gustavo Gumiero

8 de janeiro de 2026
Duro golpe na agenda climática – por José Pedro Martins

Duro golpe na agenda climática – por José Pedro Martins

7 de janeiro de 2026
Janeiro Branco: quando o sofrimento pede lugar de fala – por Thiago Pontes

Janeiro Branco: quando o sofrimento pede lugar de fala – por Thiago Pontes

6 de janeiro de 2026
Carregar Mais















  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista

Mais lidas

  • Morte de criança em piscina ocorre dez dias após aprovação da ‘Lei Manuela’

    Morte de criança em piscina ocorre dez dias após aprovação da ‘Lei Manuela’

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Policial baleado durante folga em Campinas morre após uma semana internado

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Mulher é encontrada morta em residência de Campinas e polícia prende companheiro por oferecer drogas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Morador de Valinhos morre afogado em praia do Guarujá

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Gustavo Abdel
abdel@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Caio Amaral
caio@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.