A dependência emocional, sob a ótica da psicanálise, é um fenômeno que se manifesta com intensidade nas relações amorosas, revelando a complexa trama inconsciente que sustenta os vínculos afetivos entre casais. Ao contrário do que muitas vezes se imagina, não se trata apenas de um excesso de apego ou de carência, mas de uma estrutura psíquica marcada por falhas na constituição do eu e pela dificuldade em elaborar as próprias faltas. Essa é a temática de nossa reflexão de hoje, que é de grande recorrência na clínica ao qual atuo, gostaria de ter sua companhia minha querida leitora, meu caro leitor, posso contar com ela? Que bom, então venha comigo.
Desde Freud, sabemos que o sujeito é atravessado pelo desejo do outro e que sua identidade se constrói em relação a este olhar. No entanto, quando a dependência emocional se instala, o indivíduo passa a se colocar em posição de submissão, como se apenas a presença, o afeto e a validação do parceiro fossem capazes de sustentar sua autoestima e garantir um sentido de existência.
Nos casais, essa dinâmica pode assumir diferentes formas: o medo do abandono, o ciúme exacerbado, a idealização excessiva ou mesmo a aceitação de situações de sofrimento para não perder o vínculo. A psicanálise entende que essas manifestações estão ligadas a experiências infantis, muitas vezes relacionadas à figura parental, onde o sujeito não conseguiu simbolizar de maneira adequada a ausência, a falta ou a separação.
Dessa forma, ao se vincular a um parceiro amoroso, revive inconscientemente essas experiências, tentando reparar antigas feridas. O casal, então, torna-se palco de uma repetição, em que o dependente emocional projeta no outro a função de cuidador idealizado, buscando uma completude impossível.
O grande desafio, nesse contexto, é que a dependência emocional não se resolve pela via da satisfação, já que nenhum parceiro poderá preencher as lacunas psíquicas do outro. Ao contrário, quanto mais o sujeito exige essa completude, mais frustrado se torna, gerando ciclos de angústia e insatisfação. A clínica psicanalítica mostra que é necessário um trabalho de elaboração da falta, o reconhecimento de que o outro não é garantia de felicidade plena, mas sim um companheiro de percurso, igualmente marcado por suas limitações e faltas.
Nesse sentido, a dependência emocional entre casais pode ser vista como um sintoma que aponta para a necessidade de amadurecimento subjetivo. Não significa negar o desejo de estar junto, mas aprender a sustentar o desejo próprio e reconhecer o outro como separado.
A análise favorece esse processo, permitindo ao sujeito compreender as raízes inconscientes de sua dependência, elaborar lutos antigos e abrir espaço para um vínculo mais livre, em que o amor não seja aprisionamento, mas encontro.
Assim, a psicanálise nos convida a pensar o casal não como fusão, mas como dois sujeitos que se relacionam a partir de suas singularidades. Quando a dependência emocional dá lugar à possibilidade de desejar sem anular o desejo do outro, emerge uma relação mais saudável, sustentada não pela necessidade compulsiva de não perder, mas pela escolha renovada de compartilhar a vida.
Thiago Pontes Thiago Pontes é Filósofo, Psicanalista e Neurolinguísta (PNL). Instagram @dr_thiagopontes_psicanalista – site: www.drthiagopontespsicanalista.com.br







