Após um período de sucessivas quedas, a prevalência do tabagismo no Brasil apresentou ligeira alta em 2024, ano em que foi concluído o levantamento mais recente do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – Vigitel Brasil 2006–2024 –, divulgado pelo Ministério da Saúde. O número de fumantes passou de 15,7% em 2006 para 9,0% em 2021, antes de subir para 9,2% em 2023 e 11,5% em 2024. A pesquisa evidencia a persistência do vício no país e a necessidade de reforço nas políticas de combate ao fumo.
“Desmascarando o apelo – combatendo o vício em nicotina e tabaco” é o tema da campanha deste ano que marca o Dia Mundial sem Tabago, celebrado em 31 de maio. A ação tem por objetivo mostrar que a indústria do tabaco está atenta a novas fórmulas para alimentar o vício através de gerações – sobretudo as mais jovens. Exemplo disso são os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF).
Novos desafios se impõem à saúde pública brasileira, conforme destaca outros estudos, como a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) e o III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III).
“A nicotina, altamente viciante, leva 50% a 70% dos que experimentam o cigarro à dependência, com adolescentes sendo particularmente vulneráveis devido às estratégias de marketing da indústria tabagista”, observa o oncologista Fernando Medina, diretor do Centro de Oncologia Campinas.
“Fumantes passivos, incluindo crianças, também enfrentam riscos graves, como infecções respiratórias, asma, rinite e câncer de pulmão”, acrescenta o especialista.
Mortes
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o tabaco esteja relacionado a cerca de 15% das mortes de homens e 7% dos óbitos das mulheres adultas no Brasil. “A fumaça do cigarro contém mais de 4,7 mil substâncias químicas, incluindo 60 cancerígenas, como arsênico, chumbo e cádmio, que danificam órgãos como pulmões, fígado e rins”, detalha o oncologista clínico do COC, Fernando Medina.
Os principais impactos do tabagismo à saúde incluem:
– Doenças cardiovasculares: infarto, hipertensão, angina e derrame cerebral.
– Doenças respiratórias: bronquite crônica, enfisema e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
– Câncer: pulmão, boca, laringe, esôfago, estômago, próstata e rins.
– Outros prejuízos: infertilidade, complicações na gravidez, envelhecimento precoce, doenças periodontais e mau hálito.
O fumo e o câncer
“Fumantes têm de 15 a 30 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão do que não fumantes. A fumaça do cigarro contém pelo menos 70 substâncias cancerígenas conhecidas. Estudos apontam que o risco para o câncer do pulmão aumenta 20% a cada 5 anos de tabagismo”, lista Fernando Medina, e complementa: “Fumantes pesados, que consomem mais de 20 cigarros ao dia por mais de15 anos, têm risco 4,55 vezes maior que fumantes leves”, acrescenta.
Outro dado importante fornecido pelo oncologista é que parar de fumar pode reduzir o risco para o câncer de pulmão em 30% a 50% após 10 anos de cessação do vício.
“Embora outros fatores possam contribuir, o tabagismo permanece como a causa predominante de câncer de pulmão, reforçando a importância da cessação do tabagismo na prevenção”, acrescenta.












