A corrida eleitoral municipal em Campinas começou para valer com o primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura no último dia 8 de agosto. Os postulantes ao Palácio dos Jequitibás se apresentaram e ficaram nítidas as diferenças entre perfis, algumas propostas (poucas) e posições ideológicas.
No momento em que a cidade celebra os seus 250 anos, há uma grande expectativa em relação a essa disputa eleitoral. O que está em jogo é como a cidade deve transitar nos próximos quatro anos (2025-2028), período que será marcado por grandes transformações nos cenários econômicos e socioambientais (1) globais, (2) nacionais e (3) regionais/locais.
Campinas está situada na confluência dessas três dimensões. Então será fundamental verificar quais as propostas das candidaturas à Prefeitura, relacionadas a cada uma dessas três interfaces da cidade e que, no conjunto, indiquem o melhor percurso até uma comunidade justa, saudável e sustentável.
1- Em primeiro lugar, é importante considerar as grandes tendências no cenário global, os vetores que estão movendo o mundo, e que são em síntese três: o rápido avanço científico e tecnológico (com destaque para os saltos na Inteligência Artificial), as incertezas na economia globalizada (por fatores como guerras como a da Ucrânia-Rússia e no Oriente Médio) e as mudanças climáticas em rápida aceleração.
Como Campinas pode se comportar diante desses três principais movimentos em escala planetária?
Campinas é uma cidade globalizada, um dos principais polos de importação e exportação do Brasil, de relação com países em todas as regiões do planeta, e com presença de algumas das principais empresas de atuação transnacional. Um dos elementos essenciais nesse sentido é o papel do Aeroporto Internacional de Viracopos e como ele pode contribuir para uma economia próspera e sustentável em termos sociais e ambientais. Quais são então as principais propostas dos candidatos à Prefeitura sobre o posicionamento da cidade no incerto panorama econômico mundial?
Além de globalizada, Campinas é um dos principais polos científicos e tecnológicos do Brasil, status que será fortalecido com projetos como o do Sirius e Orion. Como poucas cidades brasileiras pode, dessa forma, se inserir de forma adequada no cenário da rápida evolução da ciência e tecnologia em esfera global.
Quais as propostas dos postulantes à chefia do Executivo Municipal no sentido de que o ecossistema de C&T contribua para o desenvolvimento sustentável da cidade e do país?
De fato, esse mesmo polo científico e tecnológico de Campinas pode contribuir muito para que a cidade responda de modo apropriado a um dos maiores desafios planetários contemporâneos, o enfrentamento das mudanças climáticas e suas principais consequências, os eventos climáticos extremos como as enchentes no Rio Grande do Sul. Quais as propostas das candidaturas municipais nesse âmbito?
2- Também é importante analisar e debater as propostas das candidaturas em relação à posição de Campinas no cenário brasileiro. Nesse caso, um cenário marcado pelo dilema de busca de melhoria acentuada da economia, com maior geração de emprego e renda, sem que ocorra um salto na inflação e com o melhor e sustentável uso possível dos recursos naturais.
Nesse campo, Campinas também pode dar excelentes respostas. Tem um dos principais polos industriais e de serviços do país e, de novo, um ecossistema de ciência e tecnologia de excelência. A cidade pode, enfim, aprofundar por exemplo a sua contribuição para a desejada transição energética, com uso cada vez menor de combustíveis fósseis.
O que os pretendentes a ocupar o quarto andar do Palácio dos Jequitibás têm a dizer sobre isso?
3- Por último, existem as questões de escopo local e regional. Porque Campinas, não nos esqueçamos, é uma metrópole de mais de 1 milhão de habitantes e líder de uma das mais dinâmicas regiões metropolitanas de São Paulo e do Brasil. Quais as ideias dos prefeituráveis nesse território?
Haverá uma grande transformação econômica, social e ambiental nos próximos anos, por exemplo, derivada do Trem Intercidades, projeto do governo de São Paulo que inicialmente funcionará entre a capital e Campinas. O que os candidatos à Prefeitura têm a apresentar e propor sobre esse grande projeto e outras questões de mobilidade que afetam diariamente a vida de milhares de campineiros e campineiras?
É igualmente muito relevante conhecer os planos das candidaturas para os outros pontos essenciais de uma plataforma municipal: como o município pode ampliar e aprimorar ainda mais o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), considerando o seu subfinanciamento, com contribuição cada vez menor da União?
Como melhorar de modo permanente a educação infantil e sistema de ensino fundamental e médio, e especificamente como deve ser o Plano Municipal de Educação que começa em 2025? Como aprimorar a contribuição do município para a segurança pública, como ação complementar às funções do Estado e da União?
São questões centrais que uma candidatura à Prefeitura de Campinas deve responder de jeito muito sólido. Porque a cidade que tem um dos maiores PIBs municipais do Brasil, superior ao de muitas capitais estaduais, é historicamente referência em muitas áreas e pode evoluir ainda mais, rumo a, é bom repetir, uma cidade justa, menos desigual, solidária, saudável e sustentável.
José Pedro Martins é jornalista, escritor e consultor de comunicação. Com premiações nacionais e internacionais, é um dos profissionais especializados em meio ambiente mais prestigiados do País. E-mail: josepmartins21@gmail.com







