A Secretaria de Saúde de Campinas, atendendo à determinação do Ministério da Saúde, suspendeu temporariamente nesta segunda-feira (8) a vacinação contra a dengue com o imunizante do Instituto Butantan. A Pasta informou que o município administrou 3.410 doses da vacina e que foram registradas 448 notificações de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (Esavi), o que corresponde a 13,1% das doses aplicadas, mas nenhum deles classificado como grave.
A secretaria orienta que pessoas imunizadas há até 21 dias permanecem atentas ao surgimento de febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
Caso apresentem qualquer um desses sintomas, devem procurar imediatamente o Centro de Saúde de referência ou o serviço de urgência mais próximo a depender da gravidade.
“As equipes de saúde do município estão orientadas para reconhecer sinais de alarme, notificar casos e encaminhar atendimento clínico quando necessário”, afirma a secretaria, acrescentando que as 562 doses da vacina restantes no município permanecerão armazenadas conforme protocolo e não serão utilizadas durante o período de investigação.
Imunização
A estratégia de vacinação contra a dengue com o imunizante teve início em Campinas em 10 de fevereiro de 2026, voltada inicialmente aos trabalhadores da atenção primária à saúde do município. Em 4 de maio, houve ampliação para os trabalhadores da saúde que atuam em estabelecimentos públicos e privados e todas as pessoas com até 59 anos de idade.
A medida, de caráter preventivo, segue orientação técnica e ocorre enquanto o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Instituto Butantan aprofundam a investigação de Eventos Supostamente Atribuíveis à Vacinação ou Imunização (Esavi).
Mortes
A suspensão foi adotada nesta segunda-feira após o registro de eventos adversos em pessoas vacinadas. Entre os casos analisados, três apresentaram sinais de gravidade, em um universo de aproximadamente 500 mil doses aplicadas, incluindo dois óbitos registrados.
Até o momento, não foi confirmada uma ligação entre os casos e a vacina. A suspensão temporária segue o princípio da precaução e tem como objetivo garantir a máxima segurança à população enquanto as investigações são concluídas.
O Instituto Butantan informou que colabora integralmente com os órgãos responsáveis, fornecendo informações técnicas, acompanhando os dados de segurança e contribuindo para a avaliação da estratégia vacinal.
A vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan apresentou eficácia global de 79,6% e de 89% contra casos graves em estudo publicado em revista científica internacional. Além disso, o acompanhamento realizado nos municípios de Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), onde houve vacinação em larga escala, não identificou eventos adversos graves relevantes associados ao imunizante.
É importante destacar que a suspensão se aplica exclusivamente ao imunizante do Instituto Butantan. A vacina contra dengue disponível nos Centros de Saúde para a população de 10 a 14 anos, produzida por outro laboratório, não é afetada pela determinação do Ministério da Saúde e segue disponível normalmente. As famílias que precisam vacinar seus filhos nessa faixa etária devem procurar uma unidade de saúde com documento com foto e caderneta de vacinação (se tiver).







