Quando proponho a reflexão: “O tempo cura?” a faço almejando refletir sobre suas várias perspectivas, uma delas é acerca dos meios para que o fim seja alcançado, aqui no caso a cura. Mas de qual cura estamos falando? De quais meios estamos falando? Irei expor aqui a importância e relevância de diversas emoções desse processo, que não é assertivo, apenas especulativo visando e estimulando a reflexão pelo olhar da filosofia bem como também amparado pela psicanálise. Minha caríssima leitora, meu caro leitor, posso eu contar com sua companhia? Fico feliz em saber que sim. Venha comigo, por favor.
Ao pensarmos nos meios para atingirmos o fim, seja lá de qual modalidade estamos falando, querendo ou não, envolvemos emoções, essas que estão contidas em grande medida no “porão do inconsciente”. Ao me referir aqui nas emoções como um possível meio para a cura, almejo refletir junto à você sobre os impactos das mais diversas emoções em nossa vida. Emoções (também conhecidas na psicanálise como afetos), podem sim nortear nossas ações e decisões. Há uma máxima que diz que agimos muitas das vezes por impulso, pela emoção e justificamos as mesmas através da razão.
É uma máxima da filosofia bastante interessante e atual quando pensamos nas emoções contidas no poder de compra, por exemplo, compramos por impulso, sem saber o real motivo ou relevância daquilo que fora comprado e depois tentamos nos enganar inventando um motivo racional. Essa máxima afeta a teoria cartesiana de que somos regidos pela razão.
Aos olhos da psicanálise, ainda criança temos nossos afetos sendo expandidos e manifestados, porém é através da educação de quem exerce a figura materna e paterna que essa criança tem maior ou menor liberdade em se expressar emocionalmente. Didaticamente falando, o termo repressão expressa a falta de liberdade que a criança tem em sua educação, guardando em seu inconsciente inúmeros desejos que não puderam ser manifestos, repressão essa mantida pelo chamado SUPEREGO que está na própria mente dessa criança reforçando a proibição. O inverso também é verdadeiro, crianças que não estão acostumadas desde pequenas a ouvir dos pais um “não pode!” tendem a serem crianças mais livres para expressar suas emoções, advogadas, defendidas pelo ID também contido na mente delas.
Emoções então, a partir do que expus acima teriam maior poder sobre nós do que nossa razão? É fácil controlar as emoções? É fácil dizer à uma pessoa depressiva para ela controlar essa emoção a ponto de se curar ali, naquele mesmo instante uma vez que a razão assim o deseja? Quais os impactos das emoções na cura uma vez que nós, reles mortais, estamos inseridos no tempo, com nossas mazelas, feridas, dores emocionais e físicas? Emoções como ódio, raiva, amargura ajudam no processo de cura do corpo e da psique (da alma)? Ou seria bem vindas emoções como a tranquilidade e serenidade em saber que, em muitos casos, não há cura para as dores da mente e que com ela deveremos aprender a conviver?!
Ao nascermos estamos inseridos no tempo, penso que correr contra o tempo, seja sinônimo de um desgaste físico e mental.
Vou além, penso que não aceitar o passar do tempo seja outra forma de dor da mente, não aceitar o cabelo branco, a queda de cabelo, não aceitar as rugas na pele, tentativas de preservação excessiva do corpo através da busca na estética, tudo isso corrobora para um estresse e desgaste fatigante tal como o de “nadar contra a correnteza”, por exemplo, talvez aceitar que a nossa única certeza seja a morte seja uma postura racional plausível para evitar maior frustração e sofrimento, fazendo assim a avida valer a pena, aproveitando melhor o tempo que temos, com qualidade, fazendo o que amamos, ao lado das pessoas que amamos.
Ao se perguntar se o tempo cura; faz-se necessário colocar na reflexão as emoções, pois elas têm enorme impacto no resultado, nos efeitos advindos dos nossos ‘encontros com o mundo’, como sugeriu o filósofo holandês Spinoza. Uma vez que nos deparamos com as contingências, com os imprevistos da vida, ali se criam, se instalam, se manifestam emoções e são justamente essas que, querendo ou não, acabam como que por nos “guiarem” de modo inconsciente, em nossas escolhas, guiando nossa vida. Experiências que envolveram traumas, medo, insegurança, rejeição infelizmente acometem a vida do indivíduo se não investigada e tratada através de uma terapia, por exemplo.
Ressignificar emoções pejorativas, negativas, faz-se extremamente necessário para que delas seja possível extrair o “lado bom” das mesmas, dos fatos (se é que exista ao menos um).
Em último caso, uma vez que as emoções negativas resistam em não serem acessadas e/ ou ressignificadas, que ao menos possamos ter ao lado dessas emoções, outra emoções como as de paz, uma paz da ciência de que fora feito tudo o que esteve ao seu alcance para que sua vida tivesse sentido, que sua vida tenha valido a pena, de que você mesmo com medo, mesmo inseguro, mesmo com raiva, tentou… Tentou e conseguiu não ser controlado por elas, mas ao menos fazer com que elas “andassem de mãos dadas” com as emoções antagonistas: o ódio com o amor, a tristeza com a alegria, o medo com a coragem… Eis aí, uma mera reflexão de como as emoções podem sim vir a ter enorme relevância no processo de cura da mente e do corpo ao longo do tempo.
Thiago Pontes Thiago Pontes é Filósofo, Psicanalista e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial







