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Home Colunistas

Escravidão e racismo no Brasil, e nós com isso? – por Gustavo Gumiero

Gustavo Gumiero Por Gustavo Gumiero
20 de novembro de 2024
em Colunistas
Tempo de leitura: 5 mins
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Escravidão e racismo no Brasil, e nós com isso? – por Gustavo Gumiero

Ilustração: Freepik

Não posso gritar o grito da negra e do negro, pois só eles sabem o que é sofrer o racismo de pele, na pele. Mas decidi lutar pelo grito da preta e do preto. Essa é uma decisão, tendo em vista tanto querer combater a injustiça social, quanto pelo lado de me sentir responsável pelo privilégio social imerecido que tive apenas pelo fato de ser homem e branco. Se não houvesse racismo no Brasil (e no planeta), eu, um branco, não estaria na posição de falar sobre este tema.

É necessário que todos saibamos que o Brasil foi e continua sendo um país racista; e num país assim, não basta não ser racista; é necessário ser antirracista e lutar contra esse crime, essa imoralidade. Apresento, então, alguns fatos para esclarecerem nossa batalha contra este mal.

“Desde cedo a mãe da gente fala assim: filho, por você ser preto, você tem que ser duas vezes melhor. Aí passado alguns anos, eu pensei: como fazer duas vezes melhor, se você está cem vezes atrasado? Pela escravidão, pela história, pelo preconceito, pelos traumas, pelas psicoses, por tudo o que aconteceu; duas vezes melhor como? […] Quem inventou isso aí, quem foi o pilantra que inventou isso aí?” Mano Brown, Racionais MC´s.

Os pilantras, Mano Brown, foram a Branquitude como sistema político-econômico comprometido com a supremacia branca. Aliás, Mano Brown, raça não tem nada de biológica. Até poucos séculos atrás, raça era sinônimo de “cultura”, de “povo”; aquela “cultura”, aquele povo (ou “aquela raça”). Eric Williams, um historiador negro, concluiu que “a escravidão não nasceu do racismo; mas o racismo foi a consequência da escravidão”.

Raça, tal qual conhecemos hoje com relação às diferentes cores da pele (e lutamos contra os preconceitos) foi uma criação sociopolítica, para justificar a escravidão e a suposta inferioridade dos povos africanos diante dos europeus.

Hoje, sabe-se que cerca de 12.500.000 de seres humanos foram embarcados para a travessia do Atlântico em cerca de 36 mil viagens de navios negreiros, entre 1500 e 1867 como escravos. Porém, para que esses mais de doze milhões tivessem chegado aqui, significa que, ao longo de mais 350 anos, entre 23 milhões e 24 milhões de seres humanos teriam sido arrancados de suas famílias e comunidades em todo o continente africano e lançados nas engrenagens do tráfico negreiro (para se ter uma ideia comparativa, Hitler matou cerca de 6 milhões de judeus).

O Brasil foi o maior território escravista do continente americano. Recebeu quase 5 milhões de africanos cativos (40% do total). Hoje, é o país com a maior população de negras e negros fora do continente africano (atrás somente da Nigéria). As particularidades da escravidão e do racismo são inquietadoras.

O Brasil foi o último país a abolir a escravidão nas Américas (1888) e não por um movimento popular (note-se, de passagem, que a escravidão foi abolida oficialmente na Etiópia, em 1942; no Marrocos, em 1956; na Arábia Saudita, em 1962; e na Mauritânia, em 2007); ao mesmo tempo, não teve nenhuma política afirmativa para incluir aquela população na sociedade.

Os maiores especialistas neste assunto resumem que a escravidão no Brasil é inacabada, e que não há como combater a injustiça social e a perversa desigualdade deixando de lado este problema, que é o mais importante a ser afrontado.

Aqui, o racismo tomou formas diferentes. O Brasil, ao contrário de outros países como Estados Unidos e África do Sul, nos quais existiam leis segregacionistas, isto é, que separava a população negra da branca em lugares públicos, em transporte público e privado, por bairros, enfim, que doava aos brancos privilégios, sempre foi visto como um país multicultural, multirracial.

Mas é necessário entender que essa foi uma construção política. Nos anos 1930, sob Getúlio Vargas, sob a necessidade do capitalismo industrial, e para conter o possível avanço do comunismo, foi criado o mito da “democracia racial”, sob o qual supostamente a população negra estaria integrada e partilharia dos mesmos direitos dos brancos. “Brasil da mistura, miscigenação, quem não tem sangue de preto na veia, deve ter na mão” cantou o grande compositor e rapper Renan Inquérito.

 

Ilustração: Freepik

Se você quiser se aprofundar no assunto, listo abaixo os números do racismo no Brasil (extraído do livro Escravidão Volume I, de Laurentino Gomes, Editora Globo Livros).

• Negros e pardos — classificação que inclui mulatos e uma ampla gama de mestiços — representam 54% da população brasileira, mas sua participação entre os 10% mais pobres é muito maior, de 78%. Na faixa dos 1% mais ricos da população, a proporção inverte-se. Nesse restrito e privilegiado grupo, situado no topo da pirâmide de renda, somente 17,8% são descendentes de africanos.

• Na educação, enquanto 22,2% da população branca têm 12 anos de estudo ou mais, a taxa é de 9,4% para a população negra. O índice de analfabetismo entre os negros em 2016 era de 9,9%, mais que o dobro do índice entre os brancos. A brutal diferença se repete na taxa de desemprego, de 13,6% e 9,5%, respectivamente. Os negros no Brasil ganham em média R$ 1.570,00 por mês, enquanto a renda média entre os brancos é de R$ 2.814,00.

• Nos cursos superiores, em 2010, os negros representavam apenas 29% dos estudantes de mestrado e doutorado, 0,03% do total de aproximadamente 200 mil doutores nas mais diversas áreas do conhecimento e só 1,8% entre todos os professores da Universidade de São Paulo (USP).

• Um homem negro tem oito vezes mais chances de ser vítima de homicídio no Brasil do que um homem branco. Afrodescendentes formam a maior parte da população carcerária e são mais expostos à criminalidade. São também a absoluta maioria entre os habitantes de bairros sem infraestrutura básica, como luz, saneamento, segurança, saúde e educação.

• Entre os 1.626 deputados distritais, estaduais, federais e senadores brasileiros eleitos em 2018, apenas 65 — menos de 4% do total — são negros. Incluindo os pardos, o número chega a 27%, ainda assim, proporcionalmente a metade da população brasileira total que se encaixa nessas duas classificações (54%). No Senado, a mais alta câmara legislativa do país, a proporção é ainda menor. Só três dos 81 senadores (3,7%) se declaram negros. Entre os governadores dos estados e do Distrito Federal, não há nenhum. E também nenhum entre os ministros do Supremo Tribunal Federal, desde que Joaquim Barbosa se aposentou, em 2014.

• Nas quinhentas maiores empresas que operam no Brasil, apenas 4,7% dos postos de direção e 6,3% dos cargos de gerência são ocupados por negros.

• Os brancos são também a esmagadora maioria em profissões de alta qualificação, como engenheiros (90%), pilotos de aeronaves (88%), professores de medicina (89%), veterinários (83%) e advogados (79%).

• Só 10% dos livros publicados no Brasil entre 1965 e 2014 são de autores negros. Entre os diretores de filmes nacionais produzidos de 2002 a 2012, apenas 2%.

• No Brasil, somente 14% dos juízes são negros (ante 55% da população preta-parda), exacerbando o racismo e a correlação entre falta de negros nos tribunais com negros presos de forma injusta.

 

Gustavo Gumiero é Doutor em Sociologia (Unicamp) e Especialista em Antigo Testamento – gustavogumiero.com.br – @gustavogumiero

Tags: BrasilcolunistasConsciência Negradiversidadeescravidãogustavo gumieroHistóriaHora Campinasintolerânciapreconceitoracismozumbi de palmares
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