A falta de capacete e a realização de manobras perigosas causaram 19 óbitos entre 2021 e 2025 no trânsito de campinas. Os dados se referem aos sinistros em que foi possível constatar a presença das duas condutas que, entre 2025 e 2026, resultaram em 711 autuações pela Emdec (Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas).
Foram 431 infrações pela falta de capacete, 103 pela realização de manobras perigosas (arrancadas ou frenagens bruscas, malabarismos, equilíbrio em uma das rodas) e 177 pela realização de malabarismos ou equilíbrio em uma das rodas na condução de motocicleta.
A identificação de comportamentos desse tipo depende do flagrante.
“Embora a autuação possa ser realizada mesmo sem a abordagem, é preciso que o agente fiscalizador flagre o comportamento. Por isso, são menos comuns nas regiões centrais e eixos estratégicos, locais onde a presença da fiscalização é maior. Além disso, grande parte dos casos envolve motociclistas com placas adulteradas, ocultas e até sem placa, o que impede o processamento da infração”, explica o coordenador de Fiscalização e Operação de Trânsito da Emdec, Marcelo Carpenter.
Confira o número de condutas de risco identificadas pela Emdec, por período:
Manobras perigosas – arrancada brusca
2025: 63
2026 (até março): 16
Manobras perigosas – derrapagens ou frenagens com deslizamento de pneus
2025: 20
2026 (até março): 4
Pilotar motocicleta, motoneta ou ciclomotor realizando malabarismos ou equilibrando-se em uma das rodas
2025: 155
2026 (até março): 22
Conduzir moto, motoneta ou ciclomotor sem capacete
2025: 211
2026 (até março): 68
Conduzir moto, motoneta ou ciclomotor transportando passageiro sem capacete
2025: 131
2026 (até março): 21
Penalidades previstas no CTB
O valor da multa por direção perigosa é de R$ 2,9 mil. É uma infração gravíssima, multiplicada por dez, que não gera pontos na Carteira Nacional de Habilitação, já que o direito de dirigir fica suspenso. O veículo também é removido ao Pátio Municipal. Em caso de reincidência no prazo de 12 meses, a multa é aplicada em dobro, chegando a quase R$ 5,9 mil.
Quando o motociclista pilota realizando malabarismo, equilibrando-se em uma das rodas, deixa de utilizar o capacete ou transporta garupa sem capacete está cometendo infrações gravíssimas. A multa tem valor de R$ 293,47 e ocorre a suspensão do direito de dirigir.
De acordo com a análise realizada pela Emdec, dois fatores explicam a predominância de casos fatais relacionados à falta de capacete nas vias urbanas: a velocidade regulamentada é menor do que nas rodovias, o que leva à percepção de menor risco; e a recorrência desse comportamento em pequenos trajetos, realizados no bairro de residência, por exemplo.
Já no caso da direção perigosa, o comportamento é parecido tanto nas vias urbanas quanto nas rodovias. “Em geral, são ocorrências que envolvem enfrentamento do risco, excesso de confiança e exibicionismo, atitudes que acompanham o condutor independentemente do tipo de via, seja ela urbana ou rodoviária”, explica Marineide de Jesus Nunes, que atua na área de Gestão da Base de Dados da Emdec e compõe o comitê do Programa Vida no Trânsito, responsável pela análise dos fatores de risco.
Os fatores relacionados à falta de capacete podem ser identificados pelos socorristas das equipes do SAMU, Resgate e Corpo dos Bombeiros, que atuam no atendimento às vítimas e, também, pela gravidade da lesão na cabeça.
Já a direção perigosa como fator associado ao óbito no trânsito é identificada por meio de testemunha. Porém, nem sempre é possível coletar esses dados no momento do sinistro, o que resulta em alta subnotificação nas bases de dados.











