10 de agosto de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
PUBLICIDADE
Home Colunistas

Fascismo: quem disse? – por Luis Felipe Valle

Para combatê-lo, é preciso compreendê-lo

Luis Felipe Valle Por Luis Felipe Valle
22 de fevereiro de 2025
em Colunistas
Tempo de leitura: 5 mins
A A
Fascismo: quem disse? – por Luis Felipe Valle

Nos últimos anos, o termo “fascismo” tem sido usado de forma cada vez mais frequente, muitas vezes sem um entendimento claro do que realmente significa. Afinal, será que tudo que é autoritário pode ser chamado de fascista? O fascismo já foi associado tanto à direita quanto à esquerda, mas há base histórica para isso? E, mais importante: como identificar quando um movimento político começa a flertar com características fascistas?

O fascismo não é apenas um governo forte ou uma política autoritária. Ele surge como uma resposta reacionária em momentos de crise, prometendo restaurar a ordem e a grandeza de uma nação, enquanto busca um inimigo para culpar. Sua estratégia sempre inclui a destruição das instituições democráticas, a eliminação de direitos e o uso da violência como solução simplista para problemas complexos e o medo como forma de mobilizar e controlar as pessoas. Em vez de combater elites corruptas, como diz fazer, ele frequentemente protege e fortalece grupos que concentram poder, terras, dinheiro e influência política.

A filósofa alemã Hannah Arendt mostrou que o fascismo cresce quando as pessoas perdem a confiança na política institucional e passam a buscar líderes carismáticos que prometem soluções fáceis para problemas difíceis. Você já percebeu como muitos políticos usam esse discurso? Apresentam-se como “contra o sistema”, mas acabam defendendo interesses que perpetuam desigualdades. Quem realmente ganha com isso? O cidadão comum ou as elites que controlam bancos, megacorporações e a grande imprensa?

No ensaio O Fascismo Eterno, Umberto Eco explicou que o fascismo não precisa de um regime de partido único para existir. Ele pode se infiltrar nas democracias, corroendo-as por dentro. No passado, os fascistas precisavam controlar jornais e rádios para espalhar sua narrativa. Hoje, esse trabalho é muito mais fácil com as redes sociais, onde fake news e teorias conspiratórias se espalham rapidamente. Não é coincidência que universidades, pesquisadores, professores, jornalistas e organizações independentes sejam tão atacados por movimentos ultraconservadores – quem sai lucrando quando a ciência e o pensamento crítico são desvalorizados?

Mas será que o fascismo pode ser de esquerda? O sociólogo e historiador francês Raymond Aron mostrou que, apesar de regimes autoritários existirem em diferentes espectros políticos, o fascismo nunca foi um movimento socialista. Ele sempre esteve a serviço das elites financeiras para impedir mudanças que poderiam ameaçar seu poder. Pense bem: se o fascismo fosse de esquerda, por que teria perseguido e assassinado tantos comunistas? Na Itália de Mussolini, na Alemanha de Hitler e na Espanha de Franco, os primeiros a serem presos ou mortos foram exatamente os sindicalistas, intelectuais e movimentos populares que defendiam mais direitos para os trabalhadores.

No Brasil, o sociólogo Florestan Fernandes explicou que o fascismo se manifesta de forma diferente em países como os da América Latina. Ele não precisa de uma ditadura declarada para existir, pois já opera no dia a dia da repressão policial, na desigualdade extrema e no uso da força do Estado contra qualquer movimento que questione privilégios históricos. Isso ajuda a entender por que a violência política tem crescido tanto no país e por que a extrema-direita mantém laços tão estreitos com setores militares, ruralistas e grandes empresários. Quem realmente se beneficia dessa estrutura?

Outro ponto importante: regimes como os de Stalin, na União Soviética, e Mao Tsé-Tung, na China, foram autoritários e antidemocráticos em vários aspectos, com perseguições políticas e censura, mas não devem ser considerados fascistas. Por quê? Porque, ao contrário do fascismo, que protege elites tradicionais, esses governos surgiram de revoluções que, na teoria, buscavam transformar a estrutura econômica e social. Embora tenham rompido com seus propósitos revolucionários originais, foram estruturalmente diferentes do fascismo que, historicamente, não pretende mudar a sociedade – mas manter o poder nas mãos dos mesmos grupos de sempre, eliminando qualquer ameaça à sua autoridade.

Hoje, o fascismo não se apresenta com suásticas ou discursos abertamente racistas (embora muitas de suas práticas sejam exatamente essas). Ele se modernizou. Usa a linguagem da “liberdade” para atacar direitos, distorce conceitos para transformar vítimas em inimigos e explora o medo e o ressentimento para dividir a sociedade. Já reparou como qualquer iniciativa para reduzir desigualdades é rapidamente rotulada como “comunismo”, mesmo quando apenas busca garantir dignidade a mais pessoas? Por que será que setores poderosos têm tanto medo de mudanças sociais?

Outro equívoco comum é a ideia de que o combate à corrupção e às fake news seria uma forma de fascismo. Afinal, se há crimes organizados para espalhar mentiras, incitar violência e atacar a democracia, não seria papel da Justiça agir?

No Brasil, o STF tem sido alvo de críticas, algumas legítimas, mas sua atuação contra a disseminação de notícias falsas e a incitação ao golpismo não pode ser comparada a ditaduras fascistas. Quem se beneficia quando se deslegitima o Judiciário? Não seriam exatamente aqueles que querem agir sem nenhuma fiscalização, pedindo anistia e impunidade?

Além disso, é importante lembrar que o próprio Judiciário brasileiro validou o golpe contra Dilma Rousseff, em 2016, e a prisão política de Lula, em 2018. Isso mostra que não se trata de uma instituição isenta de disputas e controvérsias, mas sim de um espaço onde diferentes interesses tentam se impor. A questão é: queremos que ele funcione para garantir princípios constitucionais ou que seja instrumentalizado para proteger os interesses dos poderosos?

Se o fascismo se baseia na manutenção das desigualdades e na destruição da diversidade das formas de ser e existir, ele é exatamente o oposto das agendas progressistas sociais e democráticas. Enquanto o fascismo defende um Estado militarizado controlado por bilionários, é preciso, em resposta, lutar por uma sociedade onde o poder seja distribuído de forma justa e horizontal, garantindo acesso a educação, saúde, moradia e alimentação para todos. Fascistas combatem o pensamento crítico, promovem ódio e estimulam o culto à força e à violência; por isso é necessário ampliar e fortalecer espaços de diálogo, os direitos humanos e a construção coletiva de soluções para os problemas socioambientais decorrentes da lógica predatória do capitalismo.

A história já provou que o fascismo não desaparece sozinho, mas recua diante da resistência popular. Movimentos sociais têm sido fundamentais para enfrentar o fascismo e reconstruir sociedades mais justas e democráticas, com consciência, organização e mobilização. Enquanto houver desigualdade, desinformação e medo, haverá espaço para que ele ressurja.

A única forma de garantir que não sejamos vítimas desse ciclo destrutivo novamente é fortalecer a democracia, a justiça social e a participação popular. O fascismo pode até mudar de rosto e de discurso, mas seu objetivo final será sempre o mesmo: silenciar, explorar e dominar.

Para não repetir os erros do passado e construir caminhos alternativos, que nos aproximem de justiça social, equidade de direitos e liberdades individuais e coletivas, precisamos subverter a lógica fascista e cultivar o pensamento onde a coletividade não é sinônimo de uniformidade e tradicionalismo, mas de acolhimento e respeito à diversidade.

Romper com o fanatismo patriótico e valorizar as várias formas de pensar, ser e existir do povo brasileiro e da humanidade. Transcender as crenças baseadas em fake news, pós-verdade, sensacionalismos e fazer da educação crítico-reflexiva, embasada em evidências, fatos científicos e na ética humanista, com empatia e generosidade, uma bússola que guia a jornada civilizatória. Superar o culto fundamentalista a mitos, heróis e salvadores e assumir a responsabilidade de cuidar de toda forma de vida no planeta.

Luis Felipe Valle é professor universitário, geógrafo, mestre em Linguagens, Mídia e Arte, doutorando em Psicologia.

Tags: BrasilcolunistasdemocraciafascismoHora CampinasLuis Felipe ValleMundoPolíticasociedadeVersões e subversões
CompartilheCompartilheEnviar
Luis Felipe Valle

Luis Felipe Valle

Versões e subversões

Notícias Relacionadas

Dia dos Pais: porque, no fim das contas, o que ficam são as histórias – por Daniela Nucci
Colunistas

Dia dos Pais: porque, no fim das contas, o que ficam são as histórias – por Daniela Nucci

Por Daniela Nucci
9 de agosto de 2026

...

Sem jornalismo, não há democracia – por Luis Norberto Pascoal
Colunistas

Sem jornalismo, não há democracia – por Luis Norberto Pascoal

Por Luis Norberto Pascoal
7 de agosto de 2026

...

Quando ir às lojas era um passeio – por Alexandre Campanhola

Quando ir às lojas era um passeio – por Alexandre Campanhola

6 de agosto de 2026
Permita-se sentir tédio – por Tábita Luiza de Ávila Dutra

Permita-se sentir tédio – por Tábita Luiza de Ávila Dutra

6 de agosto de 2026
Um mês decisivo para a legislação ambiental no Brasil – por José Pedro Martins

Um mês decisivo para a legislação ambiental no Brasil – por José Pedro Martins

5 de agosto de 2026
‘Ficar’ é um campo minado

‘Ficar’ é um campo minado

4 de agosto de 2026
Carregar Mais

Mais lidas

  • Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • ‘Rolimã na Rua’ terá edição especial do Dia dos Pais neste domingo, em Valinhos

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Campinas abre seleção inédita de projetos para a pessoa idosa

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Motorista morre ao colidir Uno na traseira de um caminhão na Anhanguera, em Campinas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Mulher de 42 anos é morta a facada pelo marido em Valinhos; vítima tinha medida protetiva

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Avatar photo
    Alexandre Campanhola
    Hora da Saudade
  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.