Se tem um tema que está presente em todas as conversas que tenho com profissionais em busca de crescimento é este: feedback.
E, curiosamente, é também um dos pontos mais delicados dentro das empresas. O que vejo diariamente, seja acompanhando líderes e profissionais que querem crescer, é que feedback não é apenas uma prática de gestão. É um sistema do desenvolvimento humano. Quando você ignora essa ferramenta, muita coisa desanda.
Hoje eu quero aprofundar esse assunto, porque quem pede feedback evolui mais rápido, se comunica melhor e cresce de forma estratégica.
1. Sem feedback, não existe consciência profissional
Muitas vezes as pessoas acreditam que estão “indo bem”. Outras, sentem que estão “travadas”. E o ponto é: sem feedback, você só tem “achismo”, não tem dados.
Pesquisas recentes reforçam isso:
Um estudo mostra que 94% dos profissionais afirmam trabalhar melhor depois de receber feedback estruturado.
Instituições como PUCRS e FGV destacam que o feedback tem impacto direto em engajamento, motivação, aprendizagem e retenção de talentos.
Outras pesquisas revelam que o maior ponto fraco da liderança brasileira é justamente a incapacidade de dar feedback de forma clara e consistente.
Ou seja: queremos crescer, mas não nos acostumamos a pedir nem a oferecer o que nos faria crescer.
2. Feedback é alinhamento, e não julgamento
Muita gente teme feedback porque ainda o confunde com crítica. Só que feedback não é sobre apontar falhas. É sobre alinhamento entre expectativa e entrega. Feedback bem construído:
esclarece o que está funcionando,
mostra o impacto do seu comportamento ou da sua entrega,
traz direcionamento,
reduz ambiguidades,
encurta o caminho entre o que você faz e o que a empresa realmente precisa.
Quando as pessoas reclamam que “não sabem o que o gestor espera delas”, normalmente estamos falando de um ambiente sem feedback ou com feedbacks superficiais demais.
E ambientes sem clareza geram ansiedade, insegurança e improdutividade.
3. Crescimento sem feedback é tentativa e erro [e isso custa caro]
Se você deseja crescer profissionalmente, encare o feedback como uma vantagem competitiva. Afinal, ele:
acelera seu ciclo de aprendizado,
corrige rotas antes de problemas virarem crises,
identifica suas forças com mais precisão,
desenvolve competências comportamentais com consciência,
constrói reputação profissional baseada em evolução real.
Sem feedback, é muito fácil você cair num loop de repetição: trabalha, entrega, torce para estar no caminho certo e só descobre se acertou quando já é tarde.
Talvez você, mesmo sendo altamente competente, esteja estagnado não por falta de habilidade, mas por falta de direção. Então, peça feedback para seu gestor, seus pares, e seus liderados.
4. Na liderança, feedback não é só importante [é indispensável]
Se você quer liderar pessoas, projetos ou áreas, feedback passa a ser não apenas necessário, mas inegociável. Liderança exige comunicação direta, senso de impacto e capacidade de desenvolver o outro. E nenhuma dessas habilidades existe sem feedback.
Os melhores líderes que conheci tinham uma característica em comum: falavam sobre desempenho com naturalidade. Colocavam luz no que funcionava, ajustavam o que precisava melhorar e davam segurança para que as pessoas pudessem evoluir.
Um líder que não dá feedback cria equipes que:
trabalham no escuro,
cometem os mesmos erros repetidamente,
não entendem prioridades,
não sabem o que fazer para crescer.
E isso custa milhões para as empresas, além de carreiras inteiras desperdiçadas.
5. Feedback só funciona quando existe maturidade dos dois lados
O melhor feedback do mundo não funciona se for recebido com defensividade. A melhor intenção também não funciona se for entregue com aspereza, julgamento ou falta de contexto. Feedback eficaz exige:
Frequência: Não é anual ou eventual, mas contínuo.
Exemplos concretos: Não basta “melhore sua comunicação”. É preciso mostrar como, quando e qual impacto isso vai gerar.
Intenção de desenvolvimento: Feedback é uma ferramenta de construção.
Abertura para escuta: Cresce mais rápido quem não se ofende ao receber ajustes e quem sabe pedir os ajustes certos.
No entanto, mesmo que não haja maturidade do lado de lá, mesmo que o feedback venha como crítica, julgamento ou de forma áspera, use-o da melhor forma. Afinal, o foco é na sua evolução profissional.
6. A empresa não tem a prática do feedback? Comece por você
Se você sente que sua carreira está parada, que sua entrega não é reconhecida, que você faz muito e evolui pouco… existe uma grande chance de estar faltando feedback estruturado.
Então, não espere ou peça feedback apenas dos superiores. Seus pares podem contribuir de forma decisiva com feedbacks valiosíssimos. Comece perguntando:
O que você vê como meu principal ponto forte?
O que eu posso fazer melhor para entregar mais valor?
De que forma minhas ações impactam meu time ou meus resultados?
O que, na sua visão, mais pesa para a minha evolução na empresa hoje?
Perguntas simples, mas as respostas podem mudar a sua carreira.
Karine Camuci é fundadora da Você Empregado, empresa que tem dois importantes compromissos: preparar os profissionais para conseguirem um novo emprego, atuando desde o reconhecimento de competências individuais até a aprovação em processos seletivos; e auxiliar empresas no tocante à responsabilidade social após desligamentos de funcionários e no suporte em processos de headhunting, visando a contratação de novos colaboradores.
Fontes:
https://exame.com/colunistas/cristina-junqueira/a-importancia-do-feedback-no-desenvolvimento-por-cristina-junqueira/
https://online.pucrs.br/blog/importancia-feedback-desenvolvimento-humano
https://ojs.revistagc.com.br/ojs/index.php/rgc/article/view/358
https://www.scielo.br/j/rbgn/a/YFX4rVSq5Rpxbkp9WSd9d6J/?lang=pt
https://exame.com/bussola/94-dos-funcionarios-trabalham-melhor-depois-de-receber-feedback/
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/11/10/dar-feedback-e-o-maior-ponto-fraco-na-gestao-brasileira-diz-pesquisa.htm







