Uma anulação de sentença em 2021, dois adiamentos em 2022 e quase 7h de sessão nesta quinta-feira (2), quando, já por volta de 20h, a espera terminou. Em sentença proferida pelo juiz da Vara do Júri, Bruno Luiz Cassiolato, Lucas Henrique Siqueira Santana foi condenado a 21 anos de prisão em regime fechado por ter assassinado a jovem Thaís Fernanda Ribeiro com 11 tiros em maio de 2019, em Campinas.
O júri popular mobilizou diversos grupos da cidade ligados ao combate ao feminicídio, tanto nas redes sociais como em frente ao Palácio da Justiça, onde aconteceu a longa sessão, nesta quinta-feira.
“Uma sensação de que dessa vez a justiça foi feita. O júri tomou a decisão correta e esperada pela sociedade”, afirmou a advogada da família da vítima, Ana Carolina Cavazza. A decisão, no entanto, ainda cabe recurso da defesa.
Em novembro de 2021, Lucas havia sido condenado em 1ª instância a 18 anos de prisão, mas a sentença foi anulada após o Ministério Público (MP-SP) e a advogada da família recorreram ao TJ-SP sob a alegação de que os jurados desconsideraram a qualificação de feminicídio no julgamento. Desta vez, houve a consideração de que o crime ocorreu por razões da vítima ser do sexo feminino. Antes da sentença ser anulada em 2021, o réu já cumpria prisão preventiva, depois de ter se entregado à polícia.
Adiamentos
Após a sentença ter sido anulada, a 2ª Câmara de Direito Criminal determinou um novo júri, que foi marcado para 25 de agosto de 2022, mas houve o primeiro adiamento para novembro após a Defensoria Pública recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em outubro, ocorreu novo adiamento em função de uma determinação com regras especiais no penúltimo mês do ano passado para expediente dos tribunais em dias de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo.
O caso
Thaís Fernanda Ribeiro, que tinha 21 anos e trabalhava como operadora de caixa em um mercado, foi assassinada em imóvel que seria de Lucas Henrique Siqueira Santana, na Rua Elza Monnerat, na região do CDHU, San Martin. Eles eram namorados e o relacionamento de três anos havia chegado ao fim na semana anterior ao crime, que ocorreu em 10 de maio de 2019.
Testemunhas dizem que Lucas, à época com 23 anos, não aceitava o término do namoro.
O assassinato ganhou repercussão em Campinas e motivou a criação da lei municipal 15.848 de dezembro 2019 que estabelece a Semana de Combate ao Feminicídio na cidade. As manifestações sempre ocorrem no início de maio.
LEIA MAIS SOBRE O ASSUNTO
Julgamento do assassinato da jovem Thaís mobiliza grupos em Campinas







