Lançado originalmente no 15º Festival de Fotografia de Tiradentes, Minas Gerais, em março último, o fotolivro de Thomas Lewinsohn, “Água-Forte – Imagens do mundo flutuante”, chega a Campinas no próximo sábado, 27 de junho, às 15 h, no Pavão Cultural, em Barão Geraldo.
O lançamento terá falas da editora e designer do livro, Luciana Molisani e do co-editor Eder Ribeiro. O evento contempla também uma canja do grupo de música antiga Zebu Trifásico, com as participações especiais da cantora Ana Salvagni e do percussionista João Dalgalarrondo.
Fotógrafo, biólogo e músico, Thomas, professor emérito do Instituto de Biologia da Unicamp, segue em atividade como professor colaborador e Pesquisador Sênior do CNPq. Entre seus projetos atuais está a coorganização de um livro sobre a História da Ecologia na América Latina e a formação da Rede Latino-Americana de Ecologia.
Editado e distribuído pela Lovely House Editora de São Paulo, o livro inclui 85 fotografias produzidas em percursos no litoral brasileiro, ao longo de quase 20 anos. A edição em formato 29×20 cm com capa dura foi impressa em papel Munken Linx Rough na gráfica Ipsis, reconhecida pelo seu excepcional padrão de qualidade.
A obra fotográfica resulta da observação atenta de cenários aparentemente corriqueiros, seja em recortes de falésias que evocam pinturas rupestres, seja revelando formas e desenhos modelados por fragmentos de conchas, pedras, algas ou rastros minerais na areia, criados pelo movimento das marés, que a cada hora fazem e desfazem essas imagens. Um olhar de biólogo, que capta formas sutis em uma realidade densa de cores, texturas e formas.
Como escreve Lewinsohn no livro, “muitas das fotografias bordejam o abstrato, brincam com seus limites”. E questiona: “a abstração fotográfica é um puro construto do meu imaginário? Penso que não. As imagens emergem do encontro entre o olhar e o mundo. O olho revela, reconfigura o mundo”.
Entre as artes e a ciência
As artes e a ciência sempre estiveram entremeadas na vida de Thomas Lewinsohn. Desde muito jovem, ocupou-se com ciência, literatura, música, e outras artes. Foi fotógrafo profissional entre 1969 e 1975, em paralelo ao curso de Biologia na UFRJ, que chegou a interromper com a intenção de estudar artes visuais nos Estados Unidos. Mas retornou à Biologia e, após se formar em 1975, integrou a primeira turma de Mestrado em Ecologia da Unicamp, onde também obteve o Doutorado em Ciências.
Docente da Unicamp desde 1980, tornou-se Professor Titular em Ecologia em 2006 e recebeu o título de Professor Emérito em 2024. Em sua carreira, pesquisou a organização de interações entre animais e plantas e tornou-se um dos primeiros especialistas brasileiros em biodiversidade, tanto na pesquisa básica como na criação de programas especiais de pesquisa na Fapesp, no CNPq e na Unesco. Ao mesmo tempo, foi consultor e membro de comissões no Ministério do Meio Ambiente, no Fundo Ambiental Global do Banco Mundial e na Fundação Europeia de Ciências, entre outros.
Teve intensa atividade como pesquisador e professor visitante em importantes centros na Inglaterra, Estados Unidos, Espanha, Itália, Alemanha e Argentina. Em 2018-2019, foi pesquisador do Wissenschaftskolleg (Instituto de Estudos Avançados) de Berlim, sendo o único brasileiro a receber bolsa da Federação Europeia de Institutos Avançados.
De acordo com Anna Bella, que assina um dos textos do fotolivro, “Thomas Lewinsohn é um cientista e um artista da fotografia. Em sua obra fotográfica atual, ele por vezes se aproxima da Geologia, como alguém que encontra na natureza da crosta terrestre, o seu leitmotiv, revelando aspectos da Terra, de suas camadas. São todas de uma beleza fina e naturalista”.
“O quase silêncio das imagens” é o título do texto de Fernando de Tacca, antropólogo e ex-professor de fotografia do Instituto de Artes da Unicamp. Segundo Tacca, quando as viu pela primeira vez foi tomado pelas imagens, em que “não havia a imediatez de uma materialidade visível da natureza. Havia um mergulho para algo do inconsciente incontroláveis; as imagens me habitaram em sensações súbitas de sentimentos, afetos, medos, estranheza, surpresas e incompreensão… Havia somente navegar em mar aberto, sem bússola”.
Para Eder Ribeiro, curador e coeditor do livro, em vez de uma abordagem cartográfica da paisagem, “é o olhar atento sobre os pequenos detalhes desta paisagem do tempo, que estruturam sua pesquisa visual. É no campo do sensível que as imagens repousam, e não do descritível. O olhar de Thomas, após perscrutar, pacientemente, esse território, promove a construção de novas paisagens visuais, nas quais a abstração e a fricção estão em permanente fricção”.
No lançamento, no Pavão Cultural, o livro estará disponível a preço especial, tanto a edição normal como a série especial limitada, que inclui uma fotografia em impressão original assinada.
SERVIÇO:
Lançamento do fotolivro “Água-Forte – Imagens do mundo flutuante” – de Thomas Lewinsohn
Dia: 27 de Junho – Sábado
Horário: 15h
Pavão Cultural – Rua Maria Tereza Dias da Silva, 708 – Cidade Universitária – Campinas












