Além de revelar inspiração no trabalho da direção esportiva do Sevilla para iniciar a carreira de dirigente, o novo coordenador de futebol da Ponte Preta, o ex-atacante Luís Fabiano, também comentou detalhes do acerto que concretizou o seu retorno ao clube alvinegro, com quem vinha flertando desde a reta final como atleta.
“Durante o último ano, tive sondagens para trabalhar em meios de comunicação como comentarista e vinha decidindo que rumo iria tomar. A experiência de 23 anos que tive de carreira profissional, trabalhando com vários bons profissionais, fez com que o presidente Eberlin me fizesse o convite”, apontou o ex-jogador pontepretano, em entrevista coletiva concedida durante sua apresentação na manhã da última terça-feira (14), no estádio Moisés Lucarelli.

Aos 41 anos, Luís Fabiano retorna ao Majestoso pouco mais de 20 anos após defender a Macaca na segunda metade dos anos 90. Na época, ele criou forte amizade com Marco Antonio Eberlin, à época diretor de futebol do clube, que assumirá a presidência do clube a partir de janeiro do ano que vem.
“Luís Fabiano começou no meu clube de várzea, o Alvorecer, e eu o trouxe para a Ponte Preta em 1997. Ele foi um profissional competitivo, um craque dentro de campo e participou de grandes equipes ao redor do mundo. Trago de volta um filho da Ponte, que foi enorme dentro dos gramados e tenho certeza que também será um gigante na linha limítrofe do campo, além de um embaixador da Macaca onde quer que vá. Fabiano saiu daqui como um atleta vencedor e tenho certeza que também vencerá como coordenador”, profetizou Eberlin.
Na mesma entrevista, a sua primeira como dirigente, Luís Fabiano também comentou sobre a aposentadoria dos gramados, anunciada oficialmente no último sábado (11), embora ele não entrasse em campo como profissional há pouco mais de quatro anos. O último clube que defendeu foi o Vasco, por quem disputou a Série A, em 2017, com direito a cinco gols marcados.
Depois daquele Campeonato Brasileiro, Luís Fabiano chegou a apalavrar o seu retorno à Ponte Preta e até cogitar um jogo de despedida no Moisés Lucarelli, mas a sequência de lesões e a pandemia de Covid-19 atrapalharam os planos.
“Em 2017, não houve proposta da Ponte Preta e o Vasco estava em cima. Meu desejo era terminar a carreira na Ponte, mas naquele ano não houve nada. Já em 2018, eu estava recém-operado, com limitação física, e realizei fisioterapia na Ponte durante a gestão do Abdalla, que sinalizou que se eu tivesse condições, jogaria aqui. Tentei ao menos fazer alguns jogos, mas a minha condição física não deixou”, lamentou Luís Fabiano.
“Eu tinha um acerto verbal com o presidente [José Armando] Abdalla para que, se eu tivesse condições físicas, fizesse um contrato simbólico só para entrar em campo e jogar quantas partidas eu pudesse. Cheguei a treinar com o time profissional, mas minha limitação física não deixou. Mesmo assim, eu tinha esperança de fazer um jogo de despedida aqui, só que a pandemia prejudicou meus planos. Os estádios não podiam ter torcida e comecei a pensar em outras situações”, revela Luís Fabiano, que agora começa uma nova carreira justamente no clube onde foi revelado e se tornou ídolo da torcida.
“É um prazer enorme estar voltando ao clube que me revelou e que é o time de coração de praticamente toda a minha família. Dedico esse momento em especial ao meu avô Ditão, pontepretano doente e meu primeiro grande fã, que andava o tempo todo com um recortezinho de jornal no bolso do meu primeiro gol pela Ponte, contra o Mirassol. É um grande desafio e vou fazer meu melhor e tudo o que puder por essa camisa”, garantiu.

“A torcida da Ponte, mais do que em qualquer outro lugar, é fundamental. Já joguei muito com a força dela e algumas vezes contra, então sei o quanto faz a diferença e conto com apoio da torcida para fazer do Majestoso um caldeirão. Não é uma tarefa fácil e o percurso é grande, mas com minha dedicação, experiência do meu presidente e do treinador, os jogadores e a torcida junto, temos tudo para dar certo e voltar para a Série A, que é o lugar da Ponte”, ressaltou Luís Fabiano.
“Comecei aqui e sei a importância da base, então vou tentar mostrar aos garotos a minha trajetória nestes 23 anos. Em muitos clubes que joguei, acabei sendo capitão, então tenho experiência para passar e mostrar o bom caminho que eles devem trilhar, até porque hoje em dia tem muitas facilidades ruins por aí. Acima de tudo, é passar confiança e conscientizar que haverá momentos ruins, assim como eu tive, mas é possível vencer mesmo com as dificuldades”, acredita Luís Fabiano.












