O Dia das Mães já não se limita apenas às relações tradicionais. No Brasil, cresce o número de mulheres que se identificam como mães de pets — reflexo de uma mudança cultural que transforma a forma de viver, consumir e se relacionar com os animais.
O país abriga uma das maiores populações de pets do mundo, com cerca de 160 a 170 milhões de animais de estimação, consolidando o Brasil entre os três maiores mercados globais do setor.
Esse vínculo cada vez mais próximo também se reflete na economia. Dados mais recentes do setor indicam que o mercado pet brasileiro movimentou cerca de R$ 75,4 bilhões em 2024 e deve ultrapassar R$ 77 bilhões em 2025, com projeções de crescimento contínuo até 2026, podendo chegar próximo de R$ 80 bilhões.
Além disso, o setor segue aquecido: entre 2023 e 2025, houve um aumento de 22% na abertura de pequenos negócios pet, impulsionado pela demanda crescente por serviços especializados e produtos premium.
Mais do que números, o crescimento revela uma transformação profunda nas relações familiares. Hoje, os animais ocupam posição central nos lares brasileiros — participam da rotina, de viagens, comemorações e recebem cuidados cada vez mais completos, que vão da alimentação ao bem-estar emocional.
Segundo o médico veterinário e diretor da Faculdade de Medicina Veterinária Qualittas, Francis Flosi, essa mudança exige mais responsabilidade. “Hoje existe uma relação muito mais próxima e consciente. O responsável pelo animal acompanha de perto a saúde, o comportamento e a qualidade de vida do pet. Esse vínculo é legítimo, mas precisa ser acompanhado de orientação profissional para garantir bem-estar e evitar erros comuns da humanização excessiva.”
Mercado cresce com novas demandas
A chamada “maternidade pet” impulsiona tendências claras no setor:
◊ aumento do consumo de produtos premium e alimentação natural
◊ crescimento de serviços como planos de saúde, creches e terapias
◊ maior busca por informação e acompanhamento veterinário
◊ expansão de negócios especializados e personalizados
O cenário também reflete mudanças urbanas e sociais, como lares menores, rotina intensa e novas configurações familiares — fatores que contribuem para a aproximação entre humanos e animais.
Com um público mais exigente e emocionalmente conectado aos pets, a atuação profissional também evolui. “O médico veterinário de hoje precisa entender não só a saúde do animal, mas também o vínculo com o responsável. É um atendimento mais completo, que envolve comunicação, empatia e orientação constante”, destaca Flosi.






