O mercado imobiliário de Campinas e região iniciou o ano com sinais claros de recuperação em fevereiro de 2026, revertendo o comportamento mais cauteloso observado em janeiro. Levantamento do Crecisp, com base em dados de 23 municípios, aponta crescimento de 10,71% nas vendas de imóveis residenciais usados e avanço ainda mais expressivo de 14,39% nas locações, evidenciando retomada da confiança e maior dinamismo nas negociações.
Esse desempenho reflete fatores econômicos e sociais relevantes. Após o início de ano marcado por reorganização financeira das famílias, fevereiro trouxe maior previsibilidade orçamentária, além de adaptação às condições de crédito e ao custo do financiamento imobiliário.
Soma-se a isso o aquecimento econômico regional, impulsionado pelo dinamismo industrial e tecnológico de Campinas, que mantém elevada a demanda por moradia.
As vendas demonstram coexistência de diferentes perfis de compradores. As faixas mais representativas concentram-se entre R$ 201 mil e R$ 300 mil (31,9%) e acima de R$ 501 mil (31,9%), evidenciando tanto a busca por imóveis de entrada quanto a permanência de demanda qualificada por imóveis de maior padrão.
Outras faixas relevantes incluem imóveis entre R$ 351 mil e R$ 400 mil (10,6%) e entre R$ 301 mil e R$ 350 mil (8,5%), consolidando o segmento médio como eixo estruturante do mercado.
No mercado de locação, observa-se elevação do padrão dos contratos.
A maior concentração está entre R$ 2.501 e R$ 3.000 (17,8%) e entre R$ 2.001 e R$ 2.500 (15,6%), seguida por contratos entre R$ 1.251 e R$ 1.500 (15,6%). Esse movimento sugere recomposição de preços e valorização gradual dos ativos imobiliários.
A distribuição geográfica das vendas indica equilíbrio entre diferentes regiões: 38,4% das transações ocorreram em áreas centrais, 23,3% em regiões nobres e outros 38,4% nas demais localidades.
Esse dado evidencia um comportamento dual do mercado: enquanto parte dos compradores prioriza infraestrutura consolidada e proximidade de serviços, outro segmento busca oportunidades em regiões em expansão, onde os preços são mais acessíveis.
Nas locações, as demais regiões lideram com 46,6%, seguidas pelas áreas centrais (35,1%) e nobres (18,3%), indicando que o custo ainda é fator determinante para grande parte dos locatários.
O levantamento revela predominância de imóveis com características funcionais e adequadas ao perfil das famílias urbanas.
Nas vendas, casas de três dormitórios lideram com 61,5%, enquanto apartamentos de dois dormitórios concentram 77,3% das negociações. As metragens entre 51 m² e 100 m² representam a maioria das transações.
Nas locações, o padrão se repete: casas de dois dormitórios (40,7%) e três dormitórios (37%) são as mais procuradas, enquanto apartamentos de dois dormitórios representam 72,7% dos contratos.
Modalidades de pagamento indicam diversificação e adaptação ao crédito
O financiamento imobiliário permanece como principal mecanismo de aquisição, com destaque para a Caixa Econômica Federal (34,2%) e outros bancos (17,1%). Entretanto, observa-se crescimento de alternativas: consórcios (18,4%) e negociações diretas com proprietários (10,5%) ganham espaço, enquanto compras à vista representam 19,7%.
Esse cenário demonstra um mercado mais flexível e adaptado às condições de crédito, no qual o comprador busca diferentes estratégias para viabilizar a aquisição do imóvel.
Garantias locatícias reforçam profissionalização do setor
No segmento de locação, o seguro-fiança consolida sua liderança com 48,2% dos contratos, seguido pelo fiador (30,1%) e pelo depósito caução (15,7%).
A predominância do seguro-fiança evidencia a evolução do mercado locatício, com maior segurança jurídica, agilidade nas operações e redução de riscos para proprietários e inquilinos.
Entre os motivos de mudança, destaca-se que 45,3% dos locatários migraram para imóveis mais baratos, indicando pressão sobre o orçamento familiar. Por outro lado, 10,9% optaram por imóveis mais caros, refletindo melhora de renda ou mudança de padrão de vida.
Esse movimento revela um mercado heterogêneo, diretamente impactado pelas condições econômicas e pela dinâmica do emprego e da renda na região.
Perspectivas apontam continuidade da recuperação
Os resultados de fevereiro confirmam uma retomada consistente após o início mais contido do ano. O crescimento simultâneo de vendas e locações, aliado à diversificação das formas de pagamento e à estabilidade da demanda, indica perspectivas positivas para os próximos meses.
Campinas e região, sustentadas por sua relevância econômica e capacidade de geração de empregos, tendem a manter o mercado imobiliário aquecido ao longo de 2026, reafirmando o setor como um dos pilares do desenvolvimento regional.












