O Ministério da Saúde do Governo da Faixa de Gaza, dominado pelo Hamas, anunciou neste sábado (22) um novo balanço de 37.551 mortos desde o início da guerra entre Israel e o movimento islamita palestino, há mais de oito meses.
Pelo menos 120 pessoas foram mortas nas últimas 48 horas, indicou em comunicado, acrescentando que 85.911 pessoas ficaram feridas no território desde o início do conflito.
A guerra em curso na Faixa de Gaza foi desencadeada pelo ataque do grupo islâmico terrorista Hamas em solo israelense em 7 de outubro de 2023, que causou cerca de 1.200 mortos e duas centenas de reféns, segundo as autoridades de Israel.
Desde então, Telaviv lançou uma ofensiva na Faixa de Gaza que até ao momento provocou mais de 37 mil mortos e mais de 85 mil feridos, de acordo com as autoridades do enclave palestino, controladas pelo Hamas desde 2007.
Calcula-se ainda que 10 mil palestinos permanecem soterrados nos escombros após cerca de oito meses de guerra.
O conflito causou também quase dois milhões de refugiados, mergulhando o enclave palestino superpovoado e pobre numa grave crise humanitária, com mais de 1 milhão de pessoas numa “situação de fome catastrófica”.
Também na Cisjordânia e em Jerusalém leste, ocupados por Israel, pelo menos 520 palestinos foram mortos pelas forças israelenses ou por ataques de colonos desde 7 de outubro.
Guterres
O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou o estado de “anarquia” e “caos total” na Faixa de Gaza, a dificultar a distribuição de ajuda humanitária e provocar muitos saques de caminhões quando entram naquele território.
Numa conferência de imprensa na ONU, António Guterres reconheceu que a guerra em Gaza “é diferente de qualquer outra guerra”, porque normalmente há regras que são respeitadas e cada lado controla uma parte do território, onde garante, de uma forma ou de outra, a segurança.
Mas em Gaza, sustentou, os combatentes israelenses e do movimento palestino Hamas estão constantemente a deslocar-se de um lado para o outro, o que resulta num “caos total” e na “ausência de autoridade na maior parte do território”.
Além disso, lamentou, “Israel nem sequer autoriza a chamada polícia azul (polícia palestina) a escoltar as nossas colunas humanitárias, por ser uma polícia local ligada ao Governo [do Hamas], pelo que a anarquia é total. Temos grandes dificuldades em distribuir [ajuda] dentro de Gaza”, o que, na sua opinião, se tornou agora o principal problema humanitário.
“Tem de se criar um mecanismo que garanta um mínimo de lei e de ordem para permitir a distribuição da ajuda, e é por isso que um cessar-fogo é tão necessário”, sublinhou.
Israel declarou a 7 de outubro do ano passado uma guerra na Faixa de Gaza para “erradicar” o Hamas, horas depois de este ter realizado em território israelense um ataque de proporções sem precedentes, matando 1.194 pessoas, na maioria civis.
Desde 2007 no poder em Gaza e classificado como organização terrorista pelos Estados Unidos, a União Europeia e Israel, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) fez também nesse dia 251 reféns, 120 dos quais permanecem em cativeiro e 41 morreram entretanto, segundo o mais recente balanço do Exército israelense.
(Agência Lusa News)







