A Associação Movimento Resgate o Cambuí, formado por munícipes de diversos segmentos, defende o tombamento das ruas de paralelepípedos, além de mais de 2.600 canteiros de árvores do bairro. A justificativa, além do valor histórico, é também o patrimônio ambiental. Os pedidos de tombamentos foram protocolados na Prefeitura de Campinas.
Segundo Tereza Penteado, presidente da ONG, de acordo com a Lei 11571/2003, Campinas deve ter, no mínimo, 100 árvores por quilômetro de calçada.
“Fizemos um levantamento e o Cambuí tem um total de 2.676 árvores, quando deveria ter mais de 8.000. Imagine quanto falta nos outros bairros. Apenas no Cambuí faltam mais de 6.000 para cumprir a lei. As árvores são retiradas por diversos fatores e não são replantadas. Não há uma boa arborização”, afirma.
A Associação tem o projeto Cambuí Verde, que há mais de uma década realiza o plantio de várias espécies.
“A gente já plantou mais de 400 árvores, de forma correta, com autorização do Departamento de Parques e Jardins (DPJ), mas não conseguimos mais as autorizações”, explica.
Por todos esses fatores surgiu a ideia de pedir o tombamento dos canteiros onde têm árvores plantadas. “Não dá para tombar as árvores porque são seres vivos, ficam doentes, morrem e pode ser necessária a remoção, mas a intenção é que tombando o canteiro, ele não pode deixar de existir, e seja obrigatório o replantio, a reposição da árvore toda vez que uma morrer ou for removida. Pelos menos vamos garantir a existência dessas mais de 2.600 que existem, sem contar as mais de 6.000 que ainda faltam”, explica.
Tereza ainda reclamou dos empreendimentos imobiliários no bairro que realizam contrapartidas em outros locais.
“Não adianta plantar árvores em outros bairros, todos eles precisam, óbvio, mas se o empreendimento é aqui a contrapartida precisa ser realizada aqui”, diz.
A petição protocolada conta com 20 páginas explicando sobre o conceito do patrimônio ambiental, conforto térmico, arborização urbana, desenvolvimento sustentável e embasamentos técnicos, com fotos e referências bibliográficas.

Paralelepípedos
A Associação Movimento Resgate o Cambuí pede o tombamento de 27 ruas de paralelepípedos, entre elas, a Rua Santos Dumont, Rua Santa Cruz, Rua Sampainho, Rua Quatorze de Dezembro, Rua Padre Almeida, Rua Maria Monteiro, entre outras.
Entre as justificativas, o coletivo aponta que a preservação dos paralelepípedos é necessária por sua importância como patrimônio histórico, ao fazer parte da formação do bairro, bem como da memória das pessoas. Também ressalta que é fundamental para o desenvolvimento sustentável do bairro e da cidade.
O documento de pedido de tombamento tem 28 páginas com fotos e justificativas técnicas.
“A Secretaria de Cultura e Turismo informa que recebeu os protocolos da Associação Movimento Resgate o Cambuí e encaminhou-os para a Coordenadoria Departamental de Patrimônio Cultural (CDPC) que fará a análise dos pedidos. O rito seguinte é encaminhar a análise do CDPC para o Condepacc, que é quem vota se tem pertinência para a abertura do pedido de tombamento”, informou a Prefeitura de Campinas via assessoria de imprensa.















