No livro “Nem toda divindade tem asas”, a campineira Vivi de Paula nos convida a uma jornada ancestral que mescla mitologias africanas e índio-brasileiras com vivências contemporâneas por meio de personagens que se parecem um pouco conosco. Este livro de contos apresenta divindades que, embora possam parecer distantes, revelam-se surpreendentemente próximas ao nosso cotidiano.
Nascida em Campinas, Viviane de Paula é escritora, atriz e pesquisadora em Literatura Negra. Graduou-se em Letras na PUC-Campinas e se especializou em Edição Textual e Tecnologia da Educação na Unicamp e Mackenzie. Parte de seus estudos em literatura negra, desenvolveu no Centro de Pesquisa em Cultura Negra, Schomburg Center for Research in Black Culture, em Nova Iorque, onde estudou por dois anos.
Também autora do livro de poemas “Flores Roxas”, publicado em 2021, pela Editora Patuá, Vivi visitou mais de 20 países, apreciando literaturas e culturas distintas. Com uma prosa poética e envolvente, a autora explora em “Nem toda divindade tem asas” as narrativas de deuses e deusas de diversas culturas, como Tupi-Guarani, Iorubá, Fon, Zulu e Egípcia.
A obra é um convite para refletir sobre as nossas próprias divindades guardadas em nosso interior. Ao longo das páginas, a autora propõe que, assim como essas divindades, também somos feitos de fragmentos que se reconstroem e renascem a cada desafio. Em uma narrativa que vai além da simples leitura, o livro nos chama a uma imersão profunda em nós mesmos, mostrando que nem toda divindade precisa de asas para deixar sua marca no mundo.

Vivi de Paula embarcou em uma jornada de pesquisa intensa e profunda para escrever “Nem toda divindade tem asas”. Suas viagens pelo mundo não foram apenas geográficas, mas também espirituais e culturais, levando-a a explorar as raízes das divindades que inspiram os contos do livro.
No Cairo, Egito, Vivi foi impactada pelas antigas civilizações e seus símbolos, especialmente ao observar os entalhes nas pirâmides e as representações não binárias adornadas de ouro que irradiavam uma luz ancestral. Em Londres, no Museu Britânico, ela se deparou com estátuas de deusas poderosas como Vênus e Minerva, que seguravam serpentes e simbolizavam a força e a sabedoria femininas. Essas imagens a inspiraram a pensar sobre a representação e o equilíbrio de gênero na mitologia.
“Nem toda divindade tem asas” é mais que um livro; é uma experiência transformadora. Uma leitura que sacode, inspira e nos faz redescobrir a beleza de nos reencontrarmos, mesmo depois das quedas. Prepare-se para voar, mesmo sem asas.












