A obsessão das plataformas de mídia social por engajamento, impulsionada por algoritmos que valorizam conteúdos sensacionalistas e viciantes, está transformando a vida e a mente dos adolescentes. Assim como uma droga, as redes sociais liberam dopamina, o neurotransmissor do prazer, a cada notificação, curtida ou comentário. Essa recompensa instantânea cria um ciclo vicioso, levando ao vício e a sérios problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e distúrbios do sono. Essa ‘pandemia silenciosa’ é um fenômeno mundial.
Famílias têm movido ações contra o Facebook, Instagram, Tiktok e agora de volta o X. Para se ter uma ideia, quarenta e um estados do Distrito de Columbia processaram a Meta por prejudicar crianças, alimentando o vício em mídias sociais. Recentemente, o Reino Unido e a União Europeia promulgaram uma legislação que aumenta a responsabilidade das empresas pelo conteúdo em suas plataformas, e há apoio bipartidário para medidas semelhantes nos Estados Unidos.
Os dados são alarmantes: a propagação das redes sociais e o tempo cada vez maior que os jovens passam conectados a esses dispositivos coincidem com um aumento exponencial nas taxas de suicídio e depressão.
Entre 2007 e 2021, a incidência de suicídio entre jovens entre dez e vinte e quatro anos explodiu, crescendo 62%. Um estudo dos Centros de Controle de Doenças, realizado em 2021, revelou que uma em cada três meninas adolescentes americanas já considerou tirar a vida.
No Brasil, cerca de mil crianças e adolescentes, na faixa etária entre 10 e 19 anos de idade, cometem suicídio a cada ano, de acordo com levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) entre 2012 e 2021. O dado se baseia em registros do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
Um estudo de 2019 realizado por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins relatou que passar mais de três horas por dia on-line pode levar os adolescentes a internalizar mais os problemas, tornando mais difícil lidar com a depressão e a ansiedade.
Até o presidente fundador do Facebook, Sean Parker, afirmou que, “Só Deus sabe o que está fazendo com o cérebro de nossos filhos”.
A Universidade de Harvard compara o efeito de colocar as crianças em um cassino de vinte e quatro horas e dar-lhes bourbon com sabor de chocolate. A intrusão é intencional e nenhum outro dispositivo viciante jamais foi tão difundido dessa forma.
No Brasil temos ainda outro sistema viciante nos adultos que são as Bets, e isso tem afetado muitas pessoas. E as plataformas de mídia social aproveitam nossa tendência inata de nos compararmos com os outros. Um risco elevadíssimo de caos humano.
Um Laboratório de Neurociência e Desenvolvimento Afetivo, em Harvard, demonstrou que uma criança de 13 anos é mais propensa a correr riscos extremos para obter a aprovação dos pares do que um adulto. E nós adultos ou velhos como eu, o que devemos fazer? Ficar parados vendo esse crime universal? Precisamos de ações e respostas urgentes!
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







