Essa semana tenho acompanhado os jogos de vôlei da minha sobrinha, que está participando da Taça Paraná. Todo o time sub-15 e sub-17 do Vôlei Valinhos está fazendo uma participação belíssima. É impressionante observar a energia das jogadoras, a concentração em cada ponto e a postura dos técnicos à beira da quadra, ajustando estratégia e incentivando o time a se manter confiante.
Bom, passado o momento tia babona, vamos ao paralelo. Enquanto eu assistia aos jogos, percebi o quanto o vôlei é uma metáfora perfeita para o mundo corporativo. Em ambos os contextos, não existe evolução sem feedback. O técnico orienta, corrige, observa a movimentação e reposiciona as jogadoras em tempo real. E quem não reage as orientações, é rapidamente substituído.
Há quem encare o feedback como uma crítica. Outros, como um elogio disfarçado. Mas, assim como no esporte, feedback é treino, desenvolvimento, correção. E o desempenho de qualquer time depende da capacidade de cada jogador ouvir, ajustar e voltar melhor para o próximo ponto. No ambiente corporativo, a lógica é a mesma. Bons profissionais acertam, erram e aprendem. Os excelentes fazem algo mais: pedem feedback, escutam com maturidade e transformam essa devolutiva em melhoria contínua.
Receber feedback é, quase sempre, desconfortável. É um momento que toca o ego, testa a humildade e coloca à prova a disposição de evoluir. Mas é justamente aí que mora o aprendizado. O líder que aprende a ouvir sem se justificar ganha uma vantagem competitiva: amplia o olhar sobre si mesmo. Porque, por melhor que seja o nosso desempenho, todos temos pontos cegos.
Na quadra, o jogador não enxerga a movimentação completa e precisa de alguém de fora para corrigir o posicionamento. No trabalho acontece o mesmo. O colega, o gestor ou até o cliente têm ângulos que você não tem. E se souber ouvir, cada devolutiva pode se transformar em uma oportunidade real de crescimento.
Um dos grandes equívocos das empresas é tratar o feedback como uma formalidade de avaliação anual. Na prática, ele deveria ser visto como parte da rotina de aprendizado, uma ferramenta de desenvolvimento mútuo. Feedback não é só apontar o que está errado, mas ajustar o jogo. É o que separa equipes reativas de times que evoluem a cada rodada. Quando bem aplicado, ele se baseia em fatos, não em impressões, e em comportamento, não em personalidade. A diferença é simples: dizer “você é desorganizado” ataca a pessoa; dizer “o atraso na entrega do relatório impactou o andamento da equipe” convida à reflexão. O primeiro gera defesa; o segundo abre espaço para ação.
Ser líder é, em grande parte, aprender a dar feedback sem quebrar o espírito de quem joga ao seu lado. Na quadra, o bom técnico corrige em tempo real, mas com propósito: quer o melhor desempenho do atleta, não a exposição do erro. No ambiente corporativo, deveria ser igual. Quando o feedback é dado no tempo certo, com um propósito claro e acompanhado de uma ação prática, ele se torna um dos maiores instrumentos de evolução individual e coletiva. Quando essa cultura se estabelece, o time cria musculatura emocional. Os erros deixam de ser motivo de vergonha e passam a ser combustível para o crescimento.
Mas o jogo do feedback não é de mão única. Grandes líderes também se abrem para ouvir. Quando um gestor pede devolutivas sobre sua própria liderança, transmite confiança e maturidade. Demonstra que não está ali para provar que está certo, mas para construir junto. Em times saudáveis, o feedback flui para todos os lados.
Um analista pode ajudar o gestor a melhorar sua comunicação. Um par pode sinalizar comportamentos que prejudicam a cooperação. E um cliente pode apontar ajustes que, quando aplicados, se transformam em diferencial competitivo. O líder que cria esse ambiente de troca contínua não perde autoridade; ganha respeito. Mostrar vulnerabilidade é, na verdade, um ato de coragem.
Nenhum time vence um campeonato sem corrigir erros ao longo da temporada. E nenhuma carreira cresce de forma consistente sem feedback constante. Os profissionais que chegam longe são aqueles que se permitem ser lapidados, que transformam cada devolutiva em combustível para evoluir. O feedback, assim como o treino, só funciona se for frequente. É melhor errar e ajustar vinte vezes do que acertar uma vez por sorte. Na quadra, o jogador que não treina perde ritmo.
E se, na quadra, o técnico cumpre o papel de orientar e potencializar talentos, no mundo corporativo, o mesmo pode ser feito por meio de um programa de gestão de carreiras.
Contar com o olhar externo de um especialista ajuda o profissional a identificar pontos cegos, alinhar discurso, aprimorar a comunicação e definir um plano de desenvolvimento consistente. Esse acompanhamento traz clareza sobre onde o profissional está, para onde quer ir e o que precisa aprimorar para chegar lá. É como ter um treinador experiente acompanhando cada jogada, ajustando posicionamento, fortalecendo competências e preparando o profissional para jogar em um novo nível.
A maturidade profissional não está em acertar sempre, mas em aprender rápido e com humildade. Feedback é a ponte entre o desempenho atual e o potencial futuro. Ouvir com abertura e falar com responsabilidade são habilidades que definem carreiras, constroem lideranças e fortalecem equipes. Assim como no esporte, quem aceita ser treinado, se desenvolve mais rápido. E quem joga o jogo do feedback com consciência joga para crescer, não apenas para vencer.
Karine Camuci é fundadora da Você Empregado, empresa tem dois importantes compromissos: preparar os profissionais para conseguirem um novo emprego, atuando desde o reconhecimento de competências individuais até a aprovação em processos seletivos; e auxiliar empresas no tocante à responsabilidade social após desligamentos de funcionários e no suporte em processos de headhunting, visando a contratação de novos colaboradores.







