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Home Colunistas

O tecnofeudalismo de Trump e Musk – por Luis Felipe Valle

A propriedade privada está ameaçada, e não é pelo comunismo!

Luis Felipe Valle Por Luis Felipe Valle
18 de janeiro de 2025
em Colunistas
Tempo de leitura: 6 mins
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O tecnofeudalismo de Trump e Musk – por Luis Felipe Valle

Foto: Freepik

Vivemos um momento histórico marcado por profundas contradições e transformações no capitalismo global, fenômeno que a filósofa estadunidense Nancy Fraser denomina como uma fase canibal do sistema. O tecnofeudalismo, termo criado pelo economista grego Yanis Varoufakis, emerge como uma estrutura que rompe com os moldes clássicos do capitalismo industrial, substituindo a produção de bens físicos e defesa da propriedade privada pela exploração de dados e da atenção como commodities da era informacional. No centro desse sistema, as big techs (grandes empresas de tecnologias) monopolizam territórios digitais e virtuais, concentrando serviços e redefinindo o acesso à propriedade privada, enquanto relegam a maior parte da população a condições de trabalho ultraprecarizadas.

O espaço geográfico, como Milton Santos argumenta, é continuamente metamorfoseado pela tecnologia e pelo avanço técnico-científico-informacional. No entanto, ao invés de democratizar o acesso a recursos e informações, o controle sobre plataformas digitais reforça desigualdades e recria dinâmicas coloniais. As big techs atuam, cada vez mais, como os senhores feudais, estabelecendo cercamentos digitais que excluem grande parte da população global do usufruto pleno das redes e de recursos (materiais e imateriais) nelas negociados. Empresas como Airbnb, Uber, Amazon e Google não apenas dominam mercados, mas criam ecossistemas fechados onde serviços básicos, como moradia, transporte, comércio e comunicação, são intermediados por sistemas controlados centralmente.

A promessa de liberdade e empreendedorismo, frequentemente exaltada pelos bilionários à frente dessas empresas, desmorona sob o peso das evidências. Longe de empoderar indivíduos, essas plataformas consolidam sistemas de vigilância em massa e algoritmos que restringem escolhas, cerceando liberdades ao manipular comportamentos e concentrar poder.

Numa estrutura de colonialismo digital, o neoliberalismo informacional perpetua a exploração do trabalho, do tempo e das relações sociais, transformando usuários em produtos (e produtores e consumidores de conteúdos) e dados em moedas de troca.

O impacto desse tecnofeudalismo ultrapassa a esfera econômica e reflete diretamente na política global. A recente vitória de Donald Trump às eleições presidenciais de 2024 nos EUA, amplamente apoiada por campanhas digitais repletas de ódio, fake news e negacionismo científico, ilustra como as big techs se tornaram peças-chave no fortalecimento de discursos autoritários. Plataformas como X (antigo Twitter) e Meta, lideradas por Elon Musk e Mark Zuckerberg, desempenham um papel central nesse processo, permitindo a proliferação de notícias falsas e do discurso polarizador, que moldam a opinião pública e lucram bilhões de dólares com engajamento. Esse alinhamento das big techs com a extrema-direita global evidencia uma perigosa fusão entre interesses econômicos perversos e agendas políticas regressivas.

Super-ricos que se vendem como defensores da liberdade e do progresso apoiam o afrouxamento de regulamentações que limitam o poder das plataformas digitais. O discurso de Musk, Zuckerberg, Trump e peças menores no tabuleiro, como Pablo Marçal e a família Bolsonaro, muitas vezes baseado em ideais de meritocracia e empreendedorismo, mascara a realidade de que empresas globais operam como monopólios feudais, concentrando poder e minando a soberania dos Estados-nação.

Ao se apropriarem de governos fragilizados, bilionários sustentam regimes autoritários, contribuindo para a desestabilização democrática e a consolidação de uma estrutura global que prioriza o lucro em detrimento do bem-estar coletivo.

A precarização do trabalho, simbolizada por motoristas e entregadores de aplicativo, é uma marca da exclusão tecnológica. Da mesma forma, o aumento de pessoas alugando imóveis, incapazes de comprar a casa própria, espelha processos como a gentrificação e as profundas desigualdades no acesso à moradia. Com rendimentos insuficientes, trabalhadores perdem o acesso a bens próprios, como imóveis e automóveis, enquanto enfrentam um futuro incerto devido ao desemprego estrutural alimentado pela automação.

A desigualdade de acesso ao ensino superior, agravada pelos altos custos e desestímulo aos estudos, perpetua a exclusão e limita o desenvolvimento socioeconômico. Assim, o tecnofeudalismo priva grande parte da população dos recursos necessários para construir independência financeira e estabilidade.

A pessoa desempregada ou aposentada, diante do aumento dos custos de viver nos centros urbanos e regiões turísticas, vai morar com familiares e coloca seu imóvel próprio nas plataformas de aluguel online. O trabalhador precarizado, incapaz de juntar dinheiro ou pagar juros altos de financiamento, passa a vida toda pagando aluguel no 5º Andar; enquanto o turista gasta pequenas fortunas para desfrutar do prazer de viver a ilusão da riqueza por alguns dias em imóveis alugados pelo Airbnb. Seduzidos pela promessa de riqueza e prosperidade, microinvestidores liquidam suas economias fortalecendo fundos imobiliários administrados por cartéis controlados por bilionários que continuam enriquecendo ao aprofundar os abismos sociais.

 

Foto: Freepik

 

Industriários e operários são demitidos enquanto comerciantes fecham lojas físicas diante do crescimento das compras online na Shopee, Amazon e Mercado Livre, plataformas de vendas de produtos fabricados principalmente na Ásia. Bares e restaurantes são forçados a se adequar à lógica de funcionamento ditada pelo iFood, assim como academias e centros esportivos são remodelados pelo GymPass, WellHub e TotalPass. Os cinemas perdem espaço para Netflix, Max e Disney+, pra ver na smart TV e no smartphone – de preferência da Apple, parcelado em 12 vezes. Lugares de encontro, convivência e passeio são convertidos em cenários instagramáveis e proliferação de um lifestyle fajuto de padronização e adoração do consumo.

O entregador de aplicativo usa a moto alugada para fazer entregas, enquanto a juventude se divide entre os que pagam pelo transporte de aplicativo, os que usam o precário transporte coletivo e os que alugam carros de luxo para ostentar, nas redes sociais, a riqueza que não possuem. No trajeto, o Waze e o Google Maps traçam seus caminhos, enquanto Sem Parar e ConectCar abrem as cancelas – tudo automatizado via sistemas de bancos virtuais para processar pagamentos e colecionar informações.

As criptomoedas e criptoativos emergem como símbolos do tecnofeudalismo. Enquanto seus defensores exaltam a descentralização e a promessa de emancipação financeira, na prática, essas tecnologias reforçam dinâmicas de exclusão, especulação predatória e concentração de riqueza.

Operando em um mercado altamente volátil e desregulado, as criptomoedas atraem tanto pequenos investidores em busca de ascensão social, seduzidos pela promessa de enriquecimento fácil, quanto grandes especuladores que manipulam preços e extraem lucros da exploração dos menos favorecidos. Em vez de democratizar o acesso ao capital, o mundo cripto se torna mais uma engrenagem da estrutura tecnofeudal, controlada por corporações e elites digitais que lucram com a ilusão de liberdade enquanto perpetuam desigualdades econômicas e sociais em escala global.

Paralelamente, a expansão global das big techs impõe custos socioambientais devastadores. A demanda crescente por recursos naturais, como lítio, cobre e terras raras, devasta ecossistemas inteiros, enquanto a extração e processamento desses materiais alimentam conflitos e violam direitos humanos em países periféricos. A operação de centros de dados e mineração de criptomoedas, que consomem quantidades gigantescas de eletricidade e água, revela o impacto ambiental oculto do mundo digital. Longe de serem sustentáveis, esses sistemas são em grande parte responsáveis pela crise climática que se agrava a cada dia.

Outro aspecto crítico é o papel das plataformas digitais na disseminação de desinformação e no enfraquecimento de instituições democráticas. Ao priorizarem o lucro gerado pelo sensacionalismo e pela monetização de fake news, as big techs amplificam discursos de ódio e polarização política.

Esse ambiente gera instabilidade social e reduz a confiança nas instituições, facilitando a ascensão de governos antidemocráticos, apoiados no culto a ídolos, mitos e heróis fabricados por influencers, pastores e pela imprensa sensacionalista.

A contradição fundamental do tecnofeudalismo está na apropriação de valores do liberalismo, como liberdade e progresso, para justificar práticas que violam os mesmos princípios que ajudaram a derrubar o feudalismo pré-Revolução Industrial. Enquanto o liberalismo buscava emancipar indivíduos e limitar o poder centralizado, as big techs criam novas formas de controle e exploração, concentrando riqueza e poder de maneiras sem precedentes. A imposição de agendas globais por essas empresas sobrepõe-se à soberania dos Estados-nação, minando processos democráticos e excluindo populações inteiras dos frutos do desenvolvimento tecnológico.

Diante desse cenário, a regulamentação das plataformas digitais torna-se uma necessidade urgente. No Brasil, o Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) representa um passo importante na defesa dos direitos dos usuários e no combate aos abusos das big techs. Contudo, é essencial avançar com políticas mais robustas, incluindo a tributação pesada dessas empresas, a fim de obter recursos para combater desigualdades estruturais.

O uso desses tributos para financiar educação, infraestrutura e inclusão digital pode transformar o tecnofeudalismo em uma oportunidade de desenvolvimento democrático e sustentável. E não basta terceirizar as demandas para o ChatGPT ou esperar que ambientes virtuais como Google Classroom deem conta de superar defasagens infraestruturais! É preciso recuperar a essência de solidariedade e construção colaborativa para dar coesão ao tecido social cada vez mais esfarrapado pelo individualismo e pelo imediatismo.

Assim, é fundamental que a sociedade civil, os governos e as instituições internacionais se unam para confrontar as ameaças do tecnofeudalismo. Somente com regulamentação efetiva, tributação justa e um compromisso coletivo com a justiça social será possível reverter as tendências predatórias das big techs e garantir que a era informacional sirva como um instrumento de emancipação em passos para o futuro, e não de opressão e regresso a um passado zumbificado pelo deslumbramento com armadilhas tecnológicas.

 

Luis Felipe Valle é professor universitário, geógrafo, mestre em Linguagens, Mídia e Arte, pós-graduado em Neuropsicologia.

Tags: colunistasDonald Trumpelon muskHora CampinasLuis Felipe ValleMundoPolítica
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