Quem nunca ouviu uma frase como essa ao longo do papel de aluno (a), que atire a primeira pedra! Em uma escola que realmente preza pelo valor da disciplina, em ocasiões de prova, arquitetavam a sala em fileiras, sem possibilidade alguma de acessar materiais para consulta melhorando o resultado da mesma, muito menos havia tolerância para a atitude de colar nessa ocasião tão importante. É sobre isso que irei refletir aqui e gostaria de sua ilustre presença, posso contar com ela? Ótimo, obrigado pela companhia, vamos lá.
Realizar uma prova, seja lá qual for a disciplina é de grande importância, seja lá qual for a matéria, e não me refiro aqui a algo emocional que esteja íntima e diretamente ligado a nota da mesma, pois o aluno, como se referia Piaget, grande referência na área da psicanálise e da educação, não pode em seu papel de estudante, ter sua capacidade intelectual limitada por um simples número, uma simples nota, seja zero, cinco ou mesmo dez.
Realizar uma prova de modo disciplinar diz respeito a sua capacidade de lidar com pressão, com cobrança e talvez a maior dificuldade: a solidão. Já parou para pensar que em uma prova você está diante de um grande desafio, de um grande obstáculo para dar seguimento em sua vida? E mediante a essa circunstância você está só, não há mais ninguém para lhe ajudar ali, sentado (a) com a folha da prova em mãos, não podendo dar margens para erros.
Pois é assim com as provações da vida, com essas que nos deparamos em nosso cotidiano. Lembra-se das famosas “prova surpresa”? Essas sim eram de “doer a alma”, essas sim testavam sua capacidade intelectual e principalmente emocional, para lidar com aquele imprevisto.
Lembre-se de que a prova da vida também é individual. Jung, grande psicanalista, fundador da Psicologia Analítica, com sua teoria dos arquétipos, pressupõe que temos em nossa realidade vários papéis que temos a nossa disposição para nos ocupar e, a partir de tais escolhas, com tais papéis encenar nesse teatro da vida.
Um desses papéis é o de aluno (a), de alguém que tenta passar a imagem de uma pessoa superior, inteligente em cima dos palcos da sala de aula, mas na chamada hora H, deixa a desejar… A solidão mediante o momento da prova nos bastidores do teatro da vida lhe fornece a oportunidade de realmente parar e fazer uma interpretação do seu preparo intelectual, criativo e principalmente, de controle emocional (resiliência) mediante a tais contingências existenciais.
Falo por mim. “Santo de casa não faz milagre”, essa é uma máxima que carrego comigo desde os meus vinte anos, quando comecei a ter um destaque na área educacional como estudante universitário, logo em seguida como professor, como escritor, em minhas entrevistas sendo convidado pelo reconhecimento do meu trabalho, em meus atendimentos…
Havia e há atualmente elogios advindos de todos os lados, menos das pessoas mais próximas, minha recomendação é: tente, repito, tente não depender de estímulos caseiros, principalmente se você estiver cercado de pessoas que te amam, porém as mesmas têm posturas narcisistas e não sentem orgulho de te ver prosperando na vida como um todo. Narciso é um mito utilizado por Freud, precursor da psicanálise, o qual se refere a um rapaz que se achava a melhor pessoa, a mais bela a ponto de morrer afogado em um rio mediante a sua beleza refletida na água.
A psicanálise usa tal mitologia para explorar o narcisismo, uma postura de alguém que se sente o centro das atenções, que necessita da mesma, de tal reconhecimento e não admite que outras pessoas tenham algum destaque, desmerecendo toda e qualquer vitória na vida das pessoas que estão a sua volta, principalmente familiares.
Tal desapontamento que a pessoa possa vir a ter pela falta de incentivo também é considerado uma provação, que lhe faz estar diante a um obstáculo: seguir adiante, mesmo sem ser impulsionado, sem receber incentivo nem motivação das pessoas que você mais ama? Estariam tais pessoas a sua volta atuando como atores, atrizes nesse teatro existencial?
Olhe para frente, a prova é individual, talvez a saída seja justamente sair, do local físico/ geográfico mantendo uma distância segura de tais atores, atrizes, seja saindo e se libertando de uma necessidade emocional que criamos em nós dependendo de motivação externa. Que tal usar do mal resultado de algumas provas para perceber onde erramos e ajustar nossa inteligência emocional e não facilitar as decepções?
Quantas provas, provações você enfrenta em sua vida e só você, única e exclusivamente você passa por elas? Quantas pessoas em seu entorno vem lhe dizer que é fácil passar por isso, que é frescura sua sentir-se impotente…
Meu querido leitor, minha querida leitora, lembre-se dessa nossa reflexão sobre a solidão, sobre passar por dificuldades, por percalços em nossa vida sem poder contar com ninguém, e por vezes ser surpreendido (a) pela presença e ajuda de pessoas que nem sequer imaginávamos ter para conosco.
Quando se sentir só, cara a cara com as provas da vida, nessa escola, quiçá a melhor de todas (a da vida), que você possa se lembrar dos tempos de escola e saber que já passou por elas, hora facilmente, hora angustiado (a), mas que custe o que custar, demore o tempo que for, com a maturidade que você for obtendo ao longo dos bastidores desse teatro existencial, você saiba que irá ser aprovado (a)!
Thiago Pontes é Filósofo e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial







