A região de Campinas registrou mais dois episódios graves de violência contra a mulher: um feminicídio em Indaiatuba e uma tentativa de feminicídio em Campinas. Os crimes ocorreram na quinta-feira (11) com poucas horas de diferença e ampliam a sequência de casos registrados nos últimos dias. Na última quarta-feira (10), um feminicídio no Jardim São Marcos, também em Campinas, já havia provocado comoção.
Feminicídio em Indaiatuba
Em Indaiatuba, Vanessa Josefa dos Santos, de 29 anos, foi morta a facadas pelo ex-companheiro, Joelson Antonio da Silva, de 46 anos. O crime ocorreu por volta das 8h20 na Rua Antônio Vaciloto, no Jardim Oliveira Camargo. A vítima foi encontrada sem vida sobre um colchão dentro do imóvel, com múltiplas perfurações no peito, abdômen e costas.
Joelson estava ao lado do corpo, ferido e segurando a faca usada no ataque. Ele foi desarmado por policiais militares e arrastado para outro cômodo para impedir novas agressões. O resgate confirmou o óbito de Vanessa e levou o agressor ao Hospital Augusto de Oliveira Camargo, onde permanece internado, sem risco imediato de morte.
Familiares relataram que Vanessa vinha sendo ameaçada e que o ex-companheiro havia sido visto rondando a casa no dia anterior. Ele teria esperado a vítima retornar após levar a filha do casal, de 4 anos, à escola para cometer o crime. A perícia contabilizou 18 golpes de faca. Apesar do histórico relatado pelos parentes, a Guarda Municipal informou que Vanessa não havia registrado boletins de ocorrência e não fazia parte do programa municipal de proteção a mulheres.
O caso foi registrado na Delegacia da Mulher de Indaiatuba, e a delegada responsável pediu a conversão da prisão em flagrante para preventiva devido à gravidade do crime.

Tentativa de feminicídio em Campinas
Horas depois, Campinas registrou uma tentativa de feminicídio no Parque Valença. De acordo com a Polícia Civil, Paulo Gonzaga, de 79 anos, atacou a companheira, Maria Aparecida Pereira Martins da Silva, 64 anos, com golpes de marreta na cabeça. A agressão foi interrompida por um vizinho que presenciou a cena, entrou no imóvel e conseguiu desarmar o agressor.
Maria Aparecida foi socorrida pelo Samu e levada inconsciente à UPA Campo Grande. Devido à gravidade das lesões, precisou ser transferida para o Hospital da PUC, onde segue internada em estado grave.
O agressor foi contido por moradores até a chegada da Polícia Militar. Aos policiais, afirmou sofrer de Alzheimer e alegou ter tido um delírio em que acreditava estar sendo traído. Ele foi preso em flagrante e encaminhado à 2ª Delegacia de Defesa da Mulher, onde o caso foi registrado.
Três ataques em menos de 24 horas
Os dois casos ocorreram um dia após outro feminicídio que chocou Campinas. Na tarde da última quarta-feira (10), um homem de 29 anos matou Andreza Silva Ferreira com 15 facadas na casa onde viviam, no Jardim São Marcos. Depois do crime, fugiu e morreu ao ser atropelado por uma carreta na Rodovia Dom Pedro I. Este foi o oitavo feminicídio registrado na cidade em 2025.
Em nota enviada ao Hora Campinas nesta quinta-feira (11), a Secretaria de Segurança Pública afirmou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do governo e destacou iniciativas como a Cabine Lilás, que já realizou cerca de 15 mil atendimentos no Estado.
A pasta reforçou ainda a expansão das Delegacias de Defesa da Mulher e das salas DDM 24h, o aumento de efetivo, o atendimento online, além do aplicativo SP Mulher Segura e do monitoramento eletrônico de agressores, que hoje acompanha 200 infratores.
Veja abaixo a íntegra da nota da SSP:
“O enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo. A pasta mantém diversas iniciativas voltadas ao tema, entre elas a Cabine Lilás, que já realizou cerca de 15 mil atendimentos a mulheres vítimas de violência em todo o Estado de São Paulo. Criada de forma inédita no âmbito do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), a Cabine Lilás oferece atendimento humanizado por policiais femininas treinadas para acolher e orientar vítimas de violência doméstica. As agentes fornecem informações sobre medidas protetivas, canais de denúncia e serviços de apoio, além de despachar viaturas quando necessário. O projeto, inicialmente implantado na capital, foi ampliado para a Grande São Paulo e para o interior, com unidades nas regiões de Campinas, São José dos Campos, Bauru, São José do Rio Preto, Sorocaba, Presidente Prudente e Piracicaba.
Mais proteção às mulheres
Entre as iniciativas da SSP, cabe também ressaltar as 142 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) territoriais – duas inauguradas no atual governo – e as salas DDM 24h, que foram ampliadas em 174,1% na atual gestão, com um total de 170 espaços em plantões policiais, para que as vítimas sejam atendidas por videoconferência por uma delegada mulher. As DDMs de todo o estado também tiveram reforço em seu efetivo com 473 novos policiais, enquanto as vagas da Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial – Dejec para policiais civis atenderem na DDM online, de forma voluntária em sua folga, dobrou, passando de 140 para 280.
Há que mencionar, ainda, o aplicativo SP Mulher Segura, que permite o registro de boletim de ocorrência e possui botão de pânico para pedidos de ajuda; e o tornozelamento eletrônico de autores de violência doméstica, que atualmente monitora 200 infratores, dos quais 98 já foram presos por descumprimento de medidas impostas pelo Judiciário.”
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