No artigo de hoje irei convidar a você minha querida leitora, meu caro leitor, a refletir junto a mim acerca da sabedoria e da humildade, duas qualidades e virtudes fascinantes, para serem usadas em nossas vidas fazendo uma análise do que já fora vivenciado por nós e como essas experiências estão comprometendo nossa vida nos mais diversos segmentos e relações sociais, posso contar com sua companhia? Ótimo, então vamos lá.
Eu possuo formação em filosofia que tem como um dos pilares o senso crítico e a busca pelo conhecimento e a melhor maneira de se levar uma vida boa e também possuo formação em psicanálise, que tem como ‘carro chefe’ de sua abordagem investigar experiências do passado que, por ventura, podem comprometer os resultados da sua atual rotina de vida.
Trouxe na introdução desse artigo duas qualidades que eu particularmente considero de grande e fundamental importância para se ter um relativo progresso nos mais variados relacionamentos da vida.
Podemos então iniciar pela sabedoria, que nesse contexto, visa compreender o quão impactante é acessar o passado, o quão rico é ressignificá-lo, nas mais diversas experiências, que serviram como base inclusive para a personalidade atual que possamos vir a ter e que, por conta do passado e suas experiências registradas e armazenadas em nosso inconsciente, acabam por moldar nossa personalidade e caráter, acometendo assim nosso desempenho em nossas relações, sejam ela entre pais e filhos, casais, círculo de amigos, emprego e afins. O fundamento psicanalítico aqui desse artigo é o Dr. Freud, já a fundamentação filosófica é a corrente existencialista de Sartre ao qual nascemos sem essência e criamo-la no decorrer de nossa vida.
A segunda qualidade diz respeito a humildade de saber a importância e os benefícios que a prática de tal exercício psicanalítico em nosso passado pode trazer em nossa vida atual como novas consequências e novos resultados. Quando me refiro a qualidade e a virtude da humildade ela faz-se necessária porque a maioria esmagadora das pessoas não quer acessar seus traumas, suas mazelas, suas dores. Isso dói e posso aqui levar para o contexto terapêutico: terapias em geral são caras e mesmo se fossem baratas, muitos infelizmente não permaneceriam no processo, pois para ter êxito no mesmo, é necessário se abrir, acessar o porão do inconsciente, nele adentrar e enxergar o que ali há de nada agradável. Freud deu voz ao inconsciente, nos proporcionou compreender o que lá está ‘registrado e trancado’.
Acessar as mazelas do passado pode fazer com que a sua personalidade de hoje em dia seja reajustada para melhor, com maior maturidade. Para tanto são necessárias a humildade e a sabedoria de buscar aprender com o passado para não repetir os mesmos erros, os mesmos impactos acumulados antes sofridos no passado.
Pense nesse processo no que diz respeito a um casamento, por exemplo. Há brigas e desavenças por conta da personalidade forte de um dos cônjuges, este sofreu muito em sua infância, e essas causas impactam hoje na relação, como efeitos, efeitos esses que fazem a relação desmoronar por brigas “bobas” dada a sua personalidade moldada por seu passado turbulento. Acessar o passado, entender o porquê tal cônjuge age assim, seria benéfico para o casal, pois é possível olhar por outro ângulo, aprender com ele e isso faria acontecer mudanças de caráter e personalidade do cônjuge na atualidade, em sua atual versão de si, de sua essência já construída, porém não consolidada (diria Sartre), refletindo em sua relação matrimonial, deixando de proporcionar as até então vistas como “brigas bobas”, mas para tanto é necessário humildade para querer aprender com seu passado acessando-o, mesmo que coma sensação de angústia, desconforto.
O mesmo pode ocorrer na relação profissional de hoje, muito por conta dos impactos sofridos na infância, esses que moldaram o caráter profissional do sujeito fazendo com que ele não se entregasse em toda a sua potência de agir, fazendo-o desacreditar do trabalho, de si e seu “sucesso profissional”, lhe faltando ambição, empatia, criatividade, liderança para galgar novos cargos em seu emprego, por exemplo.
Acessar o passado é uma habilidade, uma virtude que envolve, portanto a sabedoria (saber dessa “mágica” oportunidade de um recomeço) e humildade para concretizar o mesmo, dando assim um recomeço para si e sua essência, que envolve sua própria personalidade, princípios, valores… Não vejo como uma postura bem sucedida ter orgulho ou mesmo medo de acessar o passado para que haja a ressignificação do mesmo e imaginar que o futuro será melhor.
Como será melhor se grande parte desse seu futuro em particular envolve convívio social e envolve sua postura, seja na família, casamento, profissão?
É a perda de uma grande oportunidade de mudar, de amadurecer, de aprender com os traumas e erros e não repeti-los, é assumir a responsabilidade sem querer terceirizá-la para que os outros mudem e se esses não mudarem a “culpa” é deles!
Para virar a página, creio e julgo ser necessário antes, ler o conteúdo da página anterior, só assim a história desse livro da vida fará maior sentido. Um grande abraço!
Thiago Pontes Thiago Pontes é Filósofo, Psicanalista e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial







