O ritmo acelerado do avanço tecnológico tem premiado aqueles que dominam as novas ferramentas, mas torna-se ainda mais valioso o papel de quem se dispõe a compartilhar esse conhecimento. Este é o caso de Mauro Miyashiro, técnico em eletrônica, mestre em Sistemas de Infraestrutura Urbana pela PUC-Campinas e especialista em Hardware, Conectividade e Internet das Coisas (IoT).
Com o olhar voltado para a simplificação, ele desenvolveu o KMI – Kit Modular IoT, uma plataforma de sistemas eletrônicos que torna mais acessível a construção de soluções de automação e projetos de inovação. Além do hardware, Mauro disponibiliza gratuitamente um curso que ensina a montar e programar o dispositivo utilizando Inteligência Artificial, oferecendo ainda um guia com mais de 20 ideias de soluções prontas para serem replicadas por estudantes, entusiastas e makers.
A trajetória de Mauro é marcada por décadas de experiência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.
O engenheiro chegou a Campinas na década de 70 e, durante 22 anos, atuou como líder de projetos e consultor no Instituto Eldorado, referência nacional em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação. Hoje aposentado, ele sentiu o impulso de voltar a “colocar a mão na massa”, guiado pelo desejo de criar algo que facilitasse a vida de novos desenvolvedores.
Durante o processo, Mauro enfrentou um desafio comum a muitos entusiastas: embora fosse um especialista em hardware, ele não possuía domínio sobre a programação dos códigos, etapa essencial para o sucesso de qualquer projeto de automação.
Foi nesse cenário que o professor encontrou na Inteligência Artificial o suporte que precisava. “Eu sempre quis fazer os meus projetos de eletrônica, só que eu sou especialista em hardware. Eu não sou um programador”, relata Mauro. Ele explica que, embora conhecesse as tecnologias, a escrita do código era sua maior dificuldade. A chegada da IA permitiu que ele produzisse os códigos necessários, transformando sua própria necessidade em metodologia de ensino. Além de explorar as ferramentas de inteligência, Mauro buscou tutoriais e vídeos no YouTube, mas sentiu falta de um material que condensasse todas as informações em um só lugar.
Essa lacuna o inspirou a criar uma plataforma que unifica o aprendizado de eletrônica e programação.
Para viabilizar essa ideia, Mauro construiu uma placa simplificada que permite aos inovadores economizar tempo e dinheiro. O resultado é uma solução barata e competitiva, onde o usuário pode adquirir os itens separadamente e montá-los seguindo as instruções do professor. O diferencial está na praticidade: em vez de lidar com um emaranhado de fios que frequentemente se soltam ou são conectados de forma errada, o usuário utiliza um sistema modular onde as peças são apenas encaixadas.
“Em vez daquela quantidade enorme de fios, desenvolvi uma placa onde os módulos são conectados diretamente. Tudo fica organizado, rápido de montar e com menos chance de erro. Assim, a pessoa dedica seu tempo a criar a solução, não a consertar ligações.”
Todo o conhecimento gerado pelo projeto está concentrado no site kitmodulariot.com.br. Através de uma apostila e cinco aulas em vídeo, Mauro ensina sua metodologia para que interessados de diversos níveis – desde estudantes de engenharia e escolas técnicas até profissionais formados e professores em busca de renovação – possam criar seus próprios dispositivos.

A iniciativa foca especialmente na Internet das Coisas (IoT), tecnologia que permite conectar objetos cotidianos à internet. Mauro explica que é por meio das placas eletrônicas e da programação que esses objetos se transformam em dispositivos inteligentes, capazes de serem monitorados remotamente por celulares ou computadores.
O KMI (Kit Modular IoT) foi lançado oficialmente em setembro, durante o 4º Encontro da Mecatrônica Jovem realizado no Campus Anchieta do SENAI-SP, em São Paulo.
Mauro reforça que a iniciativa nasceu do desejo de disseminar conhecimento e contribuir com a formação de novos profissionais: “Esse projeto não foi criado para gerar lucro. Ele representa um legado. É uma forma de devolver ao mercado tudo o que aprendi ao longo da carreira e ajudar quem quer começar. Hoje, estou tranquilo, trabalhando no meu laboratório em casa, e fico feliz em compartilhar isso.”
Atualmente, o projeto já ultrapassou a fase de protótipo e é produzido por uma empresa da região de Campinas, com kits disponíveis tanto em lojas físicas no centro da cidade quanto em marketplaces on-line. Toda a iniciativa conta com o apoio do Instituto Newton C. Braga de divulgação tecnológica e científica, que Mauro considera o “padrinho” do projeto.
O próximo passo do engenheiro é expandir o alcance por meio de parcerias estratégicas com grandes redes de ensino, escolas técnicas, universidades e espaços maker.











