Equipes da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Sedema) e Corpo de Bombeiros localizaram, no início da tarde desta quarta-feira (20) o corpo do homem que era procurado dentro de sua residência, no bairro Alvorada. A residência estava tomada por materiais inservíveis, acumulados pelo homem, o que dificultou o trabalho de busca. O caso chocou a cidade.
Acumulação compulsiva é o nome popular dado à doença psiquiátrica chamada disposofobia. É um tipo de compulsão em que a pessoa é incapaz de descartar objetos dos mais variados tipos, crendo que poderão ser úteis no futuro, conforme relata reportagem do Jornal da Universidade de São Paulo (USP).
A força-tarefa mobilizada em Piracicaba preservou o local até a chegada da perícia da Polícia Civil para liberação e retirada do corpo. Para conseguir localizar o homem, as equipes retiraram três caminhões de materiais inservíveis, desde o início da manhã.
O Corpo de Bombeiros foi acionado na noite de terça-feira (19) por vizinhos e familiares que não viam o homem desde segunda-feira. Eles registraram que sempre o avistavam entrando e saindo do espaço, mas que não notaram movimento desde a segunda-feira e por isso acionaram os Bombeiros.
Para encontrar o acumulador, as equipes tiveram que desobstruir a entrada da casa.
Na manhã desta quarta-feira (20), a equipe do Corpo de Bombeiros, com auxílio da Defesa Civil e da Sedema, iniciou às 8h os trabalhos de remoção dos materiais até conseguirem chegar ao local onde estava o corpo, em uma espécie de despensa, próxima à cozinha do imóvel. Eles conseguiram avistar o corpo somente por volta das 12h40, já que a casa estava tomada por materiais inservíveis.

Entenda o transtorno
Reportagem assinada por Flávia Coltrim, do Jornal da USP, descreve o problema psiquiátrico. “Algumas pessoas apresentam grande dificuldade em se desfazer de objetos novos ou antigos. Essa dificuldade pode, muitas vezes, envolver papéis, embalagens e recipientes descartáveis que o indivíduo acredita serem bonitos, proveitosos no futuro ou até que têm um certo valor emocional. Na maioria dos casos são pertences que já não são mais úteis”, narra.
“Quando esse comportamento começa a se tornar exagerado e o volume dos objetos a comprometer o espaço onde essas pessoas vivem, é necessário maior cuidado”, aponta.
De acordo com o psicólogo Lucas dos Santos Lotério, mestre em Psicologia pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, esse indivíduo pode estar se tornando um acumulador compulsivo, indica a reportagem do Jornal da USP.
O psicólogo diz na reportagem que o doente precisa ser tratado “com o acompanhamento de um médico psiquiatra, que pode receitar medicamentos que aliviam os sintomas e também com o apoio de um psicólogo através da psicoterapia”.
O apoio familiar nesses casos é ressaltado pelo especialista, pois é raro que um acumulador compulsivo perceba ou admita que viva o problema.
Assim, o papel dos amigos e familiares é fundamental para que o acumulador perceba sua falta de controle e o prejuízo em sua qualidade de vida.
(Com informações da Prefeitura Municipal de Piracicaba e Jornal da USP)












