Fui convidado para ajudar o sistema de saúde a encontrar uma equação sistêmica e objetiva para médicos envolvidos na saúde pública. Depois de ser informado dos detalhes e debates, uma proposta de união nacional surgiu com o uso de uma plataforma digital, que seria uma espécie de PIX para cada um de nós em qualquer emergência ou internação.
A serendipidade, a arte de fazer descobertas fortuitas, tem sido uma constante em minha trajetória. Quanto mais difícil o desafio parece, mais surgem soluções inesperadas, frutos da feliz combinação ao acaso. Curiosamente, muitas ideias ocorrem quando buscamos enxergar além do desafio imediato.
Um desses momentos de “eureca” aconteceu recentemente com essa ideia de “PIX Saúde”.
E na conversa posterior com especialistas, empenhadas em encontrar soluções para o problema crucial da saúde pública, foi interessante ouvir o termo, vislumbrando um futuro em que inovação e tecnologia se uniriam para simplificar processos e melhorar a vida das pessoas.
Quando uma pessoa vai ao hospital por diferentes motivos, dependendo da gravidade e das circunstâncias, muitas vezes não há informações sobre seu histórico médico — como alergias a medicamentos, tipo sanguíneo, exames recentes ou doenças crônicas.
Esses dados podem ser cruciais na hora de decidir os melhores procedimentos e tratamentos. A ideia por trás do PIX Saúde é que, no CPF de cada cidadão, exista um QR Code que possibilite o acesso seguro ao histórico médico do paciente, começando desde o nascimento, quando o CPF já pode ser emitido gratuitamente junto à certidão de nascimento.
Com o PIX Saúde, tudo o que ocorre na vida dos brasileiros relacionado à saúde estaria disponível por meio do QR Code, centralizado no Ministério da Saúde. E é fundamental que o acesso a essas informações seja restrito apenas aos órgãos de saúde autorizados.
A implementação do PIX Saúde, certamente demandará o desenvolvimento de uma plataforma tecnológica segura, mas o modelo do Banco Central para o PIX original pode servir de base. Essa plataforma deverá ser capaz de armazenar e gerenciar um grande volume de dados de forma eficiente, garantindo a confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações. Além disso, será necessário integrar o PIX Saúde aos sistemas de saúde já existentes. Essa ideia, no entanto, pode contribuir de forma significativa para a escolha do tratamento mais adequado a cada paciente.
Ao finalizar a reunião com as especialistas, refleti sobre a importância de estarmos atentos à serendipidade, ou seja, às “obras do acaso” que surgem em nosso caminho.
Se o PIX Saúde se tornar realidade poderá transformar a forma como cuidamos da nossa saúde. Imagine um futuro em que cada um de nós carrega consigo um histórico médico completo e atualizado, facilitando o atendimento e, possivelmente, salvando vidas. O PIX Saúde, se concretizado, será mais do que uma tecnologia; será uma forma concreta de salvar vidas.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







