Os últimos dias foram de reações antagônicas nas redes sociais ao anúncio da morte assistida da professora Célia Maria Cassiano, diagnosticada em 2024 com atrofia muscular progressiva (AMP), uma doença degenerativa. Ela fez a maior parte de sua formação artística e acadêmica em Campinas.
O debate sobre a decisão de tirar a própria vida envolve questões privadas, éticas, morais e regulamentatórias. Toda a história e o drama da docente foram relatados por ela mesma por meio de suas redes socias. “Estou no limite da minha dignidade”, disse ela em seu último post.
A professora conta que lutou por esse direito, recorrendo à Suíça, país que tem legislação para o chamado suicídio assistido. Na última quarta-feira, ao lado de médicos e enfermeiros, Célia cumpriu seu desejo ao deitar numa cama, tomar um medicamento e partir desta vida.
Célia estudou Ciências Sociais e fez mestrado em Multimeios na Unicamp, atuando como educadora na área de artes no Sesc e na Esamc, em Campinas.
Desde que recebeu o diagnóstico de uma doença incurável, passou a contar a sua história e suas limitações pela internet. Ela falava abertamente sobre a doença, encorajando as pessoas a lutarem por esse direito no Brasil.
No vídeo de despedida, ela disse que estava vivendo um processo de degeneração e que não gostaria de ficar limitada à cama, presa a aparelhos e dependente de suporte de várias pessoas para cumprir a sua rotina. Diante disso, buscou ajuda, informação e bancou esse procedimento num país que permite o ato final.
Célia ressalvou que viajou, curtiu, visitou lugares bacanas e que estava em paz neste momento.
“Será uma morte sem dor”, anunciou a professora, que fez inúmeras publicações de alerta e esclarecimento sobre as doenças raras e as doenças do neurônio motor. Ela deixou muitos amigos e fãs que se identificaram com a sua coragem.






