10 de agosto de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
PUBLICIDADE
Home Colunistas

Promover conhecimento relevante para realidades regionais – por Carmino de Souza

Carmino de Souza Por Carmino de Souza
28 de julho de 2025
em Colunistas
Tempo de leitura: 5 mins
A A
Promover conhecimento relevante para realidades regionais – por Carmino de Souza

Foto: Freepik

Este texto foi publicado pela Zeppelini Publishers nesse último mês de maio e que estou reproduzindo, com pequenos ajustes e contribuições (1). Trata das variações geográficas de um país, e o Brasil é um país extremamente heterogêneo, onde as políticas públicas podem e devem variar de acordo com as realidades e necessidades regionais. Quando se trata de ciência, não é diferente. A ciência é, por excelência, um empreendimento humano destinado a ampliar os horizontes do saber e a oferecer respostas aos desafios da sociedade. No entanto, embora a sua vocação seja universal, os contextos nos quais o conhecimento é produzido e aplicado são, inevitavelmente, locais ou regionais.

Nesse paradoxo entre a universalidade da ciência e a particularidade das realidades vívidas, algumas questões fundamentais se sobrepõem: como a edição científica pode valorizar e fomentar pesquisas que dialoguem diretamente com os contextos sociais, econômicos e ambientais regionais? Mais ainda, como fazer isso sem perder de vista a legitimidade e o reconhecimento no cenário acadêmico internacional? Estas perguntas permitem respostas estratégicas e éticas.

A ciência, quando sensível ao território, pode se tornar uma poderosa ferramenta de transformação social. Para isso, os jornais científicos precisam assumir um papel mais ativo na promoção de uma ciência comprometida com o impacto local e com a inclusão de vozes historicamente marginalizadas nos processos de produção do saber.

É impossível desvincular o conhecimento científico dos contextos nos quais ele é produzido. O território influencia a formulação de problemas, a escolha de metodologias, o tipo de dados encontrados e a forma como os resultados são interpretados. Um estudo sobre os efeitos da mudança climática na agricultura, por exemplo, deve considerar as especificidades de solo, o regime hídrico e as práticas agrícolas locais. Sem isso, a pesquisa corre o risco de ser genérico, impreciso e, portanto, ineficaz.

Tomemos como exemplo os estudos sobre saneamento básico em comunidades ribeirinhas da Amazônia. Pesquisas realizadas com base nos modelos urbanos do Sudeste tendem a ignorar a geografia fluviátil, a fuga da presença do Estado e a organização sociocultural dessas comunidades. Nesse sentido, levantamentos contextualizados dados mais precisos e fortalecem o vínculo entre ciência e cidadania.

Os periódicos acadêmicos exercem uma função vital na validação, circulação e consagração do conhecimento científico. Por isso mesmo, eles podem – e devem – atuar como orientações da produção de ciência voltada para a resolução de problemas locais.

Infelizmente, muitos jornais ainda seguem critérios que privilegiam a portabilidade do conhecimento, em detrimento de sua aplicabilidade concreta. Para romper com esse modelo, algumas ações são fundamentais:

• Criação de tópicos temáticos sobre conhecimento aplicado: Revistas científicas podem instituir especificações específicas para pesquisas externas a contextos regionais, destacando não apenas a originalidade teórica, mas também a pertinência social. Isso conferiria visibilidade a estudos muitas vezes negligenciados por não atenderem aos critérios considerados “globais”.

• Diversificação dos conselhos editoriais: A presença de editores e pareceristas com vivência e experiência em diferentes territórios pode enriquecer as avaliações e reduzir visões centralizadoras. A diversidade regional nos conselhos editoriais promove maior sensibilidade às complexidades locais e amplia o alcance da revista.

• Valorização de metodologias participativas e interdisciplinares: Estudos que envolvem envolvimento local, saberes tradicionais ou práticas comunitárias são, por vezes, desvalorizados por parecerem “menos científicos”. Os periódicos podem reverter essa lógica ao considerar o valor epistêmico dessas abordagens.

• Publicação bilíngue ou multilíngue: A tradução de artigos para idiomas locais e internacionais pode democratizar o acesso à ciência e permitir que os resultados retornem às comunidades de origem, além de facilitar a leitura por pesquisadores estrangeiros interessados em estudos contextuais.

A ideia de que a ciência produzida com foco local é “menos relevante” ou “menos sofisticado” revela um preconceito arraigado no sistema de avaliação científica global. Contudo, esse pensamento não se sustenta à luz de experiências bem-sucedidas. A revolução verde, por exemplo, foi viabilizada por pesquisas agronômicas profundamente enraizadas em contextos específicos de clima e cultura agrícola.

Da mesma forma, estratégias de prevenção de doenças como os vírus zika e dengue foram desenvolvidas com base em estudos periódicos em regiões específicas, sendo depois incorporadas em protocolos globais de saúde pública. Ou seja, a ciência local não é um “subproduto” da ciência global — ela pode, inclusive, liderá-la, desde que tenha espaço e reconhecimento. Para isso, é preciso reconfigurar as métricas de impacto. Um artigo que muda a política pública de saneamento em uma cidade amazônica deve ser tão valorizado quanto aquele que é citado centenas de vezes em outros artigos internacionais. Afinal, o impacto social direto também é uma forma de excelência científica.

Algumas revistas científicas e instituições acadêmicas já adotam práticas mais homologadas a essa visão. A Revista Brasileira de Educação Ambiental, por exemplo, tem valorizado estudos de caso em comunidades tradicionais, agroecologia e ensino contextualizado. No México, a Revista Mexicana de Biodiversidad publica artigos em espanhol e inglês, incentivando tanto a difusão local quanto a internacionalização. Na África, iniciativas como o African Journals Online (AJOL) reúnem centenas de periódicos comprometidos com o desenvolvimento regional e com a inclusão de vozes africanas na ciência.

Como se vê, é possível ampliar o alcance e a prestígio científico sem renunciar ao compromisso com as realidades locais. Entretanto, a mudança não depende apenas dos jornais. Ela exige uma reformulação das políticas de fomento e avaliação científica. As agências de financiamento devem também adotar critérios que considerem o impacto territorial das pesquisas.

As universidades precisam apoiar a publicação em revistas locais ou regionais, regulando seu valor nos currículos dos pesquisadores. E os próprios cientistas devem compensar suas prioridades, equilibrando a busca por prestígio com o dever social de transformar a realidade que os cerca.

Além disso, a ciência aberta, que preconiza o compartilhamento de dados e o acesso irrestrito às publicações, pode ser aliada estratégica nesse processo. Ela permite que os resultados de pesquisas regionais cheguem a diferentes públicos, fomentando a transparência, a interdisciplinaridade e a colaboração entre saberes acadêmicos e populares.

A edição científica sensível ao contexto local representa não apenas uma inovação editorial, mas uma mudança de paradigma na forma como concebemos e utilizamos o conhecimento. Ao promover a valorização de realidades regionais, os jornais importantes para uma ciência mais plural, equitativa e socialmente relevante. A tensão entre a visibilidade internacional e a pertinência local não deve ser vista como um obstáculo, mas como uma oportunidade de construir pontes para um conhecimento verdadeiramente transformador.

 

(1)- Zeppelini Publishers atua no segmento editorial técnico e científico, atendendo empresas e organizações e desenvolvendo estratégias para todas as áreas de produção de publicações impressas e online.

Carmino Antônio De Souza é professor titular da Unicamp. Foi secretário de saúde do estado de São Paulo na década de 1990 (1993-1994) e da cidade de Campinas entre 2013 e 2020. Secretário-executivo da secretaria extraordinária de ciência, pesquisa e desenvolvimento em saúde do governo do Estado de São Paulo em 2022, Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Butantan, membro do Conselho Superior e vice-presidente da Fapesp, pesquisador responsável pelo CEPID CancerThera da Fapesp.

 

 

Tags: Carmino de SouzaciênciacolunistasconhecimentoHora CampinasLetra de Médicomedicamentosmedicinapacientespesquisasaúdetratamentos
CompartilheCompartilheEnviar
Carmino de Souza

Carmino de Souza

Letra de Médico

Notícias Relacionadas

Dia dos Pais: porque, no fim das contas, o que ficam são as histórias – por Daniela Nucci
Colunistas

Dia dos Pais: porque, no fim das contas, o que ficam são as histórias – por Daniela Nucci

Por Daniela Nucci
9 de agosto de 2026

...

Sem jornalismo, não há democracia – por Luis Norberto Pascoal
Colunistas

Sem jornalismo, não há democracia – por Luis Norberto Pascoal

Por Luis Norberto Pascoal
7 de agosto de 2026

...

Quando ir às lojas era um passeio – por Alexandre Campanhola

Quando ir às lojas era um passeio – por Alexandre Campanhola

6 de agosto de 2026
Permita-se sentir tédio – por Tábita Luiza de Ávila Dutra

Permita-se sentir tédio – por Tábita Luiza de Ávila Dutra

6 de agosto de 2026
Um mês decisivo para a legislação ambiental no Brasil – por José Pedro Martins

Um mês decisivo para a legislação ambiental no Brasil – por José Pedro Martins

5 de agosto de 2026
‘Ficar’ é um campo minado

‘Ficar’ é um campo minado

4 de agosto de 2026
Carregar Mais

Mais lidas

  • Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • ‘Rolimã na Rua’ terá edição especial do Dia dos Pais neste domingo, em Valinhos

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Campinas abre seleção inédita de projetos para a pessoa idosa

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Motorista morre ao colidir Uno na traseira de um caminhão na Anhanguera, em Campinas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Mulher de 42 anos é morta a facada pelo marido em Valinhos; vítima tinha medida protetiva

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Avatar photo
    Alexandre Campanhola
    Hora da Saudade
  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.