O ano era 2009, meados de Dezembro, eu precisava decidir entre entrar no seminário e estudar para me ordenar padre (algo que eu estava querendo por livre e espontânea vontade) ou deixar essa ideia de lado e seguir minha vida sem esse sacramento… Foi aí que a experimentei pela primeira vez: a angústia. Tema caro à Filosofia, onde diversos pensadores sobre ele se debruçaram.
O pano de fundo para compreendermos a angústia à luz da Filosofia está em perceber que ela anda de ‘mãos dadas’ com Ética, Liberdade, Ansiedade e Responsabilidade.
Quando pensamos em Ética pensamos em escolhas, em decisões. Como agir em determinadas situações inéditas? Para haver escolhas faz-se necessário uma autonomia, faz-se necessário a Ideia de Liberdade. Ser livre para tentar, para decidir. Tal liberdade causa um efeito em quem se percebe nessa condição, a chamada ansiedade, ansiedade pela dúvida de ter de escolher sem base palpável, sólida ou segura. Ansiedade por perceber-se responsável pelas consequências da decisão tomada.
Sartre, filósofo francês disse que “A gênese da angustia são as possibilidades”; o mesmo Sartre propõe que a vida não tem sentido nenhum, que cabe a nós darmos à ela um sentido e essa tarefa seria extremamente angustiante.
O famoso psicanalista Jacques Lacan expõe que “a angústia surge do momento em que o sujeito está suspenso entre um tempo em que ele não sabe mais onde está, em direção à um tempo onde ele será alguma coisa na qual jamais se poderá reencontrar”.
Seria então angústia sinônimo de incerteza? Entrar ou não no seminário? Casar ou não com a pessoa amada? Pedir ou não o divórcio? Se demitir ou não do emprego? Postar ou não a foto? Decisões sem nenhuma certeza de que estamos optando pela melhor dentre as possibilidades…
Estamos vivendo uma época em que a cada dia mais e mais pessoas, cada vez mais jovens, estão sendo diagnosticadas com depressão, ansiedade… O que estaria por detrás dessa alta demanda? O ‘fácil acesso’ as tecnologias? Cobranças excessivas por sucesso? Comparações? Exposição midiática?
Aos olhos da filosofia estar angustiado não é ruim, muito pelo contrário; é sinal de que o sujeito está despertando da condição de ‘manipulado’, está se tornando lúcido, crítico e cada vez mais perto de conhecer a si, como queria o filósofo grego Sócrates.
Talvez perceber-se nessa realidade e buscar entendê-la seja uma grande alternativa para superá-la, como diria o filósofo alemão Nietzsche: “Siga a tua angústia, ela é o caminho rumo a ti mesmo”.
Thiago Pontes é Filósofo e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial







