13 de janeiro de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Home Colunistas

Quem não lê, fica… – por Luis Felipe Valle

Abandonar um hábito tão importante é um atraso civilizatório

Luis Felipe Valle Por Luis Felipe Valle
7 de junho de 2025
em Colunistas
Tempo de leitura: 4 mins
A A
Quem não lê, fica… – por Luis Felipe Valle

Foto: Freepik

A linha que separa a pré-História da História não foi traçada por armas ou guerras, mas pela linguagem. Os primeiros desenhos rupestres, ainda que rudimentares, já indicavam uma capacidade humana singular: representar o mundo por símbolos. Mais adiante, com o surgimento da escrita, a humanidade deu início à construção formal da memória coletiva, lançando as bases de tudo o que hoje chamamos de civilização.

A escrita não apenas permitiu o registro das experiências humanas, mas também se tornou o motor das grandes transformações científicas, filosóficas e culturais. Ela, sim, é a mais potente tecnologia que a humanidade já criou: uma forma de fazer o tempo conversar com o presente e de possibilitar avanços em todas as áreas do saber. Sem ela, a ciência, a história e até os afetos se perderiam.

No plano individual, o neurodesenvolvimento humano também depende da leitura e da escrita. Um século atrás, Alexander Luria já demonstrava que as funções cerebrais superiores – como atenção, memória e pensamento abstrato – são profundamente influenciadas pela prática da leitura. Ler não é só decodificar sinais: é ativar circuitos cerebrais complexos que organizam e reorganizam a mente em permanente crescimento.

Essa reorganização é justamente o que permite o pensamento complexo, como ensina Lev Vygotsky. Para ele, a linguagem – sobretudo a linguagem interior, construída por meio da leitura – é o alicerce do pensamento. Ler forma conceitos, amplia vocabulário, organiza ideias, possibilita abstrações e permite que o sujeito compreenda a si mesmo e o mundo de modo mais profundo e crítico.

No entanto, essa capacidade parece estar se perdendo. Pesquisas apontam que jovens leem cada vez menos. A queda não é só estatística; ela é cognitiva. A redução do contato com textos densos, narrativas longas e argumentos bem articulados gera um empobrecimento na capacidade de interpretar, produzir e compreender ideias. Atrofia-se, assim, uma das mais importantes habilidades humanas: o uso pleno da linguagem.

Na contramão do desenvolvimento, muitos jovens, sugados pelas infovias, têm substituído a leitura por memes, vídeos curtos e mensagens instantâneas limitadas a gírias e emoticons.

Esses recursos, embora válidos para certos contextos, não são suficientes para sustentar uma comunicação profunda. O que se vê é um empobrecimento generalizado da linguagem e, com ele, do próprio pensamento.

Adicione-se a isso o uso indiscriminado de ferramentas de inteligência artificial – como o ChatGPT – para resumir, produzir e interpretar textos por crianças e adolescentes. Embora úteis quando usados de forma pontual, essas tecnologias, ao serem utilizadas como muletas ou atalhos enganosos, comprometem o desenvolvimento intelectual e cognitivo dos jovens, reduzindo a capacidade de ler criticamente, construir argumentos e refletir com autonomia.

O cérebro humano não nasce pronto. Ele se forma no esforço, no desafio, na experiência. Atalhos tecnológicos não apenas interrompem esse processo; muitas vezes, o distorcem. O uso excessivo de tecnologias que dispensam o esforço de ler e pensar gera um pensamento superficial, automatizado, padronizado, incapaz de questionar, de duvidar, de criar.

A plasticidade cerebral, aliás, nos mostra que a leitura vai além de um modelo visual convencional. Pessoas com deficiência visual, por exemplo, desenvolvem habilidades cognitivas e intelectuais complexas por meio de outras formas de leitura, como o sistema Braille. O cérebro, em sua capacidade adaptativa, reorganiza funções sensoriais e motoras para garantir o acesso à linguagem e ao pensamento simbólico, reforçando que o essencial na leitura não é o modo pelo qual ela se realiza, mas o exercício contínuo de significar o mundo, construir narrativas e elaborar pensamentos.

 

Foto: Freepik

 

A leitura estimula a imaginação, porque obriga o leitor a construir imagens mentais, a preencher vazios, a fantasiar. Com a avalanche de imagens hiper-realistas produzidas por inteligência artificial, o exercício da imaginação está sendo substituído por deepfakes e modinhas promovidas para gerar engajamento monetizado e capturar dados de usuários. Sonhar com o que se lê é bem diferente de apenas consumir o que já está pronto.

Há também consequências emocionais. A leitura não é apenas cognitiva: é uma experiência subjetiva que contribui para o autoconhecimento e a empatia. Pessoas que não leem tendem a ter mais dificuldade para se expressar, compreender os próprios sentimentos e dialogar com o outro. Isso pode agravar condições como ansiedade, depressão e sensação de vazio existencial.

Outro aspecto crítico é a atenção. A leitura exige disciplina, foco e esforço. Trocar livros por telas repletas de distrações – notificações, vídeos curtos, publicidade invasiva – perturba o equilíbrio entre esforço e recompensa. Com isso, habilidades como concentração, paciência e perseverança ficam comprometidas, o que tem impactos diretos no aprendizado e na saúde mental.

A terceirização de funções cognitivas, como ler, escrever e interpretar, é um risco que não vale a recompensa. Ao entregar essas tarefas às máquinas, perdemos autonomia intelectual e subjetiva. Abrimos mão da nossa capacidade de pensar por conta própria, tornando-nos mais suscetíveis às padronizações impostas pelos algoritmos. O preço é alto: empobrecimento da linguagem, perda da identidade e conformismo social.

Diante de algoritmos que moldam gostos, encurtam frases e padronizam pensamentos, ler com profundidade é um ato de rebeldia.

Cada página enfrentada com atenção e espírito crítico é uma recusa à pressa, uma resistência à alienação e um voto de confiança na potência criativa da mente humana, antídoto contra a desinformação, a manipulação e o conformismo. Uma prática que nos ensina a refletir antes de compartilhar, a questionar antes de repetir, a imaginar para além do visível.

Enquanto as telas nos treinam para consumir, os livros nos convidam a pensar. Essa leitura é lugar simbólico onde se luta, silenciosamente, pelo direito de ser mais do que um dado, um clique ou um número no fluxo impessoal da era digital.

 

Luis Felipe Valle é professor universitário, geógrafo, mestre em Linguagens, Mídia e Arte, doutorando em Psicologia.

 

Tags: alfabetizaçãoBrasilcolunistasEducaçãoensinoescolaestudantesHora CampinasleituraLuis Felipe Valle
CompartilheCompartilheEnviar
Luis Felipe Valle

Luis Felipe Valle

Versões e subversões

Notícias Relacionadas

Será que você ainda cabe onde você está? – por Thiago Pontes
Colunistas

Será que você ainda cabe onde você está? – por Thiago Pontes

Por Thiago Pontes
13 de janeiro de 2026

...

A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza
Colunistas

A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

Por Carmino de Souza
12 de janeiro de 2026

...

Existem países democráticos? – por Luis Felipe Valle

Existem países democráticos? – por Luis Felipe Valle

10 de janeiro de 2026
Quando a diplomacia falha, todos perdem – por Luis Norberto Pascoal

Quando a diplomacia falha, todos perdem – por Luis Norberto Pascoal

9 de janeiro de 2026
Presidente interina da Venezuela defende agenda de colaboração

O perigoso negócio que mata – por Gustavo Gumiero

8 de janeiro de 2026
Duro golpe na agenda climática – por José Pedro Martins

Duro golpe na agenda climática – por José Pedro Martins

7 de janeiro de 2026
Carregar Mais















  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista

Mais lidas

  • Morte de criança em piscina ocorre dez dias após aprovação da ‘Lei Manuela’

    Morte de criança em piscina ocorre dez dias após aprovação da ‘Lei Manuela’

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Mulher é encontrada morta em residência de Campinas e polícia prende companheiro por oferecer drogas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Policial baleado durante folga em Campinas morre após uma semana internado

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Morador de Valinhos morre afogado em praia do Guarujá

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Gustavo Abdel
abdel@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Caio Amaral
caio@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.