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Home Colunistas

Quero falar de uma coisa. Quero falar de “Pantanal” – por João Nunes

João Nunes Por João Nunes
4 de maio de 2022
em Colunistas
Tempo de leitura: 4 mins
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Quero falar de uma coisa. Quero falar de “Pantanal” – por João Nunes

Marcos Palmeira, majestoso, na plenitude da maturidade, na telenovela “Pantanal” Foto: Divulgação

Preparei-me, nesta semana, para comentar o filme “Downton Abbey 2 – A Nova Era”, de Simon Curtis, e desisti depois de assistir ao capítulo desta terça-feira, dia 3 de maio, da telenovela “Pantanal”, na Rede Globo. Não será menosprezo ao filme o fundamento da minha exaltação à novela. Ocorre que, frente ao que vi, a exuberância das paisagens britânicas e francesas, o fino humor inglês e a qualidade inquestionável dos atores desapareceram.

Não estou, ingenuamente, acariciando a brasilidade que sequer temos, ou embarcando no patriotismo vazio da nossa cordialidade, da crença equivocada no Deus brasileiro e de que somos lindos e abençoados e, muito menos por acreditar que somos felizes e prenhes de futuro.

Tal capítulo poderia ter sido produzido em Angola, na China, no Egito, na França, na Alemanha ou no Equador – não importa a procedência; ele seria inesquecível momento artístico. Mas foi feito no Brasil.

 

E não estou dignificando a novela e me valendo do tolo bordão de que, sabê-la brasileira me despertou orgulho de ser brasileiro. Nada disso. Só quero dar-lhe o lugar devido a um trabalho de altíssima qualidade.

 

Citei, no título, a composição de Milton Nascimento e Wagner Tiso, músicos que, em 1983, sonharam com a flor da juventude (a coisa sobre a qual queriam falar), de um Brasil que renascia das trevas da ditadura. No que havia de novo, eles depositavam confiança, que gerava esperança.

Vivemos, no mundo, tempo difícil de guerra e de incompreensões sobre papéis políticos, sociais, étnicos e de gênero e, no Brasil, tempo de polarização política, exacerbação da riqueza e da pobreza, desprezo pelos desprovidos, como pobres e indígenas, assoberbados ante o preconceito racial, relapsos com saúde e educação e negligentes com o meio ambiente.

 

O personagem Véio do Rio (o grande Osmar Prado), que nem apareceu no capítulo, faz ecoar sobre a sagrada terra do Pantanal um discurso profético.

 

O extraordinário Osmar Prado interpreta a figura mítica do Véio do Rio, entidade guardiã da mata Foto: Divulgação

 

Autoinvestido de guardião da floresta e cuidador dos bichos, transmuta-se em sucuri que, na condição de justiceira, engole malfeitores que matam ou comercializam animais ou os que pretendem descaracterizar a mata auferindo lucros e desdenhando a preservação.

Ele protege bichos e mata e proclama que a terra não é de ninguém. Pois certo: nós é que somos da Terra; viemos dela e a ela voltaremos. Portanto, nada nos pertence. Nem terra nem dinheiro nem poder. Quando o ignorante Pilatos diz a Jesus que tinha sobre ele poder de vida e de morte, ouviu o que não queria: “Nenhum poder você teria se não fosse dado por meu Pai”.

O capítulo foi aula de qualidade artística, sensibilidade e certeza de que podemos recriar um país que não mais reproduza o doloroso quadro de hoje: poucos têm tanto e a maioria não tem quase nada e no qual se desenvolveu absoluto desprezo pela educação, ciência, saúde, bem-estar social e respeito com o cidadão e se olha a cultura como bizarro apêndice. Para esses, dinheiro é mais relevante que dignidade.

 

E mostra que temos profissionais em condições de fazer arte competente, bonita, popular e consequente capaz de encarar manifestações artísticas de qualquer lugar do planeta.

 

Da concepção do belo e oportuno texto de Benedito Ruy Barbosa, escrito por Bruno Luperi, passando por atores de alto nível, equipe técnica exibindo o melhor e direção que faz telenovela com a qualidade do melhor cinema do mundo. Exagero?

 

Jesuíta Barbosa, o jovem e talentosíssimo ator pernambucano no papel de sofrido filho Foto: Divulgação

 

No confronto pai/filho, Marcos Palmeira, majestoso, interpreta, sem clichês e na plenitude da maturidade, um embriagado (como se embriagada estivesse a alma dele). O filho, o talentoso Jesuíta Barbosa, que parece veterano, diz o texto com propriedade e doa o corpo inteiro no mergulho das emoções do personagem.

 

Dira Paes, uma estrela de primeira grandeza, a mãe amorosa e dedicada na novela Foto: Divulgação

A mulher, Dira Paes, estrela de primeira grandeza, divide-se entre apaziguar o coração do marido e aconchegar a dor do filho, que nem é dela, mas nasceu das mãos dela. Um ensaio de Pietá fecha a cena do filho no colo da mãe em delicada evocação de tragédia grega. E todos eles apoiados por coadjuvantes de luxo.

A direção cria tensões, explora tempos mortos (pausas), mais vivos que nunca e sabe usar a câmera não para se exibir, mas para tê-la no lugar certo, enquanto fotógrafos têm ciência de que o foco não está na beleza do Pantanal e, sim, na estética do todo, atores e atrizes, falas, gestos e intenções que se aliam ao verde da mata e ao azul e ao amarelo do céu das locações em que cenário, luz, direção de arte e música formam conjunto e não adereços.

A encenação me fez refletir sobre o quanto a cultura deste país foi tratada como escória nos últimos anos, o que nos levou a esquecer das nossas muitas conquistas. Não, não somos detritos. Pelo contrário, somos grandes, até em derrotas que nos entristeceram, mas nos dignificaram, como a seleção brasileira de futebol 1982, que perdeu e se tornou inesquecível, como o Oscar que não chegou a Fernanda Montenegro, mas despertou-nos o desejo de cantar feito Fred Mercury, de que “somos campeões do mundo, meus amigos/ e continuaremos lutando até o fim”.

Somos extraordinários e imponentes como a música que produziram Caetano, Milton, Paulinho, Chico, Gil, Jobim, Villa-Lobos, João Gilberto, Tom Zé, Cartola, Almir Sater, Elomar e muitos outros, e cantaram como Elza, Clementina, Bethânia, Elis, Gal, Tetê e Mônica Salmaso, entre tantas.

 

Não menosprezei “Downton Abbey 2 – A Nova Era”. Quis falar de uma coisa, o “Pantanal”, flor de juventude, a cultura do país, lançada no limbo, que renasce cheia de esperança nestes tristes tempos.

 

 

Alanis Guillen faz Juma Marruá, mulher selvagem e ingênua

 

E eis o tempo do resgate e de acreditarmos em nós mesmos, na nossa capacidade de cair e levantar, na certeza, de que temos, sim, muitas razões para nos sentir engrandecidos como povo. Para isso, basta olharmos no espelho, mostrar nossa cara, apossarmos do nosso potencial e jogar no lixo, isto sim, nosso complexo de vira-latas.

E salve o monumento vivo chamado Fernanda Montenegro. E viva Guimarães Rosa, Adélia Prado, Machado, Euclides, Clarice, Sergio Buarque, Aruana, Dandara, Amado, Carolina de Jesus, Darcy, Caymmi, Ruth de Souza, Jobim, Nelson Rodrigues e Cavaquinho, Lygia, Raquel, Gilberto e Paulo Freire, entre muitas outras e muitos outros.

 

João Nunes é jornalista e crítico de cinema

Tags: Alanis GuillenAlmir SaterBenedito Ruy BarbosaBruno LupericinemaDira PaesdramaturgiaJesuíta BarbosaJuma MarruáMarcos PalmeiranovelaOsmar PradoPantanalRede GloboVéio do Rio
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