Como um fanático brasileiro, torço para todos os presidentes darem certo. Ao mesmo tempo em que luto pela educação pública de qualidade, pelo respeito ao próximo, pelo respeito a opiniões contrárias às minhas e pelo equilíbrio social.
Como tenho 76 anos e sinto dificuldade de apoiar um ou outro candidato, escolho todos que ganham para ajudá-los a fazer um Brasil melhor.
Neste caso, vou copiar meu mestre José Pastore, e defender algo diferente do que o novo governo está dizendo ou propondo. A intenção do novo governo Lula de fazer alterações na reforma trabalhista pode acabar enfraquecendo pontos que contribuíram para a geração de empregos nos últimos anos.
Devemos dar atenção para o risco de judicialização, um ponto defendido pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho. E as centrais sindicais, pela criação de um novo modelo de financiamento dos sindicatos.
Toda legislação cria condições que facilitam ou que dificultam contratações e, no meu entender, se a gente levar em conta todos os empregos que foram criados desde 2017 e mesmo durante a pandemia, essa lei mais contribuiu do que atrapalhou.
A reforma deu mais liberdade para negociações entre trabalhadores e empregadores, definiu condições para o trabalho intermitente, simplificou o trabalho terceirizado, acabou com o imposto sindical, reduziu o espaço de o que era considerado por empresas uma enxurrada injustificável de ações trabalhistas, entre outros pontos.
Devemos nos preocupar particularmente com a possibilidade de reversão das regras que simplificaram o trabalho terceirizado. Afinal, esta é uma modalidade que desagrada sindicatos e suas centrais, pois, na sua avaliação, reduz a base de trabalhadores que podem contribuir com o sindicato. Neste mundo em revolução mundial de indústria e comércio, quanto mais mexer, pior ficará.
Este é um tema que me preocupa muito também, porque o país pode dar uma grande marcha à ré e acabar prejudicando mais os trabalhadores, que já sofrem muito nestes tempos.
Cuidar dos trabalhadores é oferecer escola para toda criança e oportunidade para todos os trabalhadores de crescerem em suas profissões e melhorar renda por promoção e crescimento profissional.
Luis Norberto Pascoal é empresário, empreendedor e incentivador de projetos ligados à educação e à sustentabilidade. A Fundação Educar Dpaschoal é um dos pilares de seu trabalho voltado ao desenvolvimento humano e social.












