A presidência russa acusou nesta quarta-feira (22) os Estados Unidos e a Europa de impedirem o lançamento de conversações de paz sobre a Ucrânia, ao contrário da própria Rússia e da China.
“Washington e as capitais europeias, mas sobretudo Washington, estão desejosos de não permitir, sob qualquer pretexto, negociações de paz. Eles simplesmente não permitem que a Ucrânia sequer pense nisso”, afirmou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
Os russos reagiram a declarações do governo americano, que rejeitou o plano de paz proposto pela China por considerar que, entre outras questões, “ratificaria as conquistas ilegais da Rússia” na Ucrânia.
Peskov considerou que os Estados Unidos e as potências ocidentais “largaram a sua máscara”, embora o Kremlin entenda esta situação “como uma realidade com a qual se tem de viver”, segundo a agência espanhola Europa Press.
“Quanto à reação dos países do Ocidente coletivo, o fato de a sua reação sobre todas as questões ter sido de natureza hostil não é novidade para ninguém”, disse Peskov.
A China propôs um plano de paz para tentar resolver o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que divulgou em 24 de fevereiro, no primeiro aniversário da invasão russa do país vizinho. No plano, a China pede um cessar-fogo, negociações de paz e o fim das sanções contra a Rússia, mas também defende o respeito pela soberania e integridade territorial de todos os países.
O texto chamava a atenção também às “legítimas preocupações de segurança de todas as partes”, numa referência à Rússia.
O plano foi rejeitado pela Ucrânia e pelos seus aliados ocidentais, por considerarem que significaria deixar as tropas russas em território soberano ucraniano.
A Rússia anexou cinco regiões ucranianas, a começar pela Crimeia em 2014, a que se seguiu Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, em setembro do ano passado.
O plano chinês foi discutido em Moscou pelos líderes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, na segunda (20) e na terça-feira (21).
Putin admitiu que o plano contém disposições “consonantes com as abordagens russas” que podem ser uma base para um eventual acordo com a Ucrânia.
A Rússia disse também hoje que Putin e Xi não discutiram o plano de paz do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que tem como pré-condição a retirada das tropas russas de todo o território ucraniano, incluindo a Crimeia.
“Não, o plano de paz ucraniano não foi discutido. Houve uma troca de opiniões sobre as cláusulas do plano de paz chinês”, afirmou Peskov, citado pela agência espanhola EFE. Segundo Peskov, o “plano Zelensky” é um assunto a ser discutido pela China e pela Ucrânia.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês não forneceu hoje pormenores sobre uma possível conversa telefônica entre Xi e Zelensky. “A China não tem motivos egoístas na ‘questão’ ucraniana e não acrescentou combustível ao incêndio”, disse o porta-voz da diplomacia chinesa Wang Wenbin.
Wang respondia a declarações do porta-voz do Conselho de Segurança Nacional norte-americano, John Kirby, que acusou Pequim de “não ser imparcial” por Xi “não ter visitado a Ucrânia nem falado com Zelensky”.
A China “não criou a ‘crise’ na Ucrânia, nem é parte [do conflito] ou forneceu armas a nenhum dos lados”, disse Wang. Nos últimos dias, tem havido especulações sobre a possibilidade de uma chamada telefónica entre Xi e Zelensky, após a viagem do líder chinês a Moscou.
(Agência Lusa)







