Desde as primeiras horas desta quinta-feira (24) tropas russas estão atacando a Ucrânia, na mais séria crise militar desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo informações do Ministério da Defesa da Rússia, pelo menos 70 alvos militares da Ucrânia teriam sido destruídos. Há relatos ainda que mais de 40 soldados ucranianos foram mortos em combate. A polícia da Ucrânia informou que a Rússia realizou 203 ataques contra o país desde o começo do dia, com combates ocorrendo em praticamente todos os lugares no território ucraniano.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, afirmou em vídeo divulgado nas redes sociais que os russos atacaram pontos na fronteira e buscam destruir o arsenal militar do país. “Os militares ucranianos estão lutando muito”, disse o conselheiro do governo ucraniano, Mykhailo Podolyak, ressaltando que o exército do país está respondendo aos ataques russos e “já infligiu perdas significativas ao inimigo”. Segundo Podolyak, “a Ucrânia precisa agora de um apoio maior e muito específico do mundo, um apoio técnico-militar, financeiro e sanções duras contra a Rússia”.
Outro conselheiro do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, adiantou que a Rússia tem como alvo bases aéreas e várias outras infraestruturas militares, mas assegurou que os ataques “não diminuíram a capacidade de combate dos militares ucranianos”.
Oleksii Arestovich, admitiu que o país “sofreu baixas”, mas que “não são significativas”, acrescentando que as tropas russas avançaram cerca de cinco quilômetros no território ucraniano, nas regiões de Kharkiv e Chernihiv e, possivelmente, em outras áreas.
Putin
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou hoje de madrugada o início de uma operação militar no leste da Ucrânia, alegando que se destina a proteger civis de etnia russa nas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, que reconheceu como independentes na segunda-feira.
Depois do reconhecimento, Putin autorizou o exército russo a enviar uma força de “manutenção da paz” para Donetsk e Lugansk, referindo, na quarta-feira, que os líderes das autoproclamadas repúblicas separatistas pró-Rússia tinham pedido ajuda para “repelir a agressão” dos militares ucranianos.
O Ocidente acusa Moscou de quebrar os Acordos de Minsk, assinados por Kiev e pelos separatistas pró-russos de Donetsk e Lugansk, sob a égide da Alemanha, França e Rússia.
Os acordos visavam encontrar uma solução para a guerra entre Kiev e os separatistas apoiados por Moscou que começou em 2014, pouco depois de a Rússia ter anexado a península ucraniana da Crimeia.
A guerra no Donbass já provocou mais de 14.000 mortos e 1,5 milhões de deslocados desde 2014, segundo as Nações Unidas.
(Agência Lusa)







