Na manhã desta terça-feira (9), um simulado de alerta de tempestade realizado no Parque Ecológico Monsenhor Emílio José Salim relembrou os dez anos da microexplosão atmosférica que atingiu Campinas e apresentou os avanços conquistados pela cidade na prevenção e resposta a eventos climáticos extremos. A ação foi promovida pela Defesa Civil de Campinas e reuniu órgãos públicos municipais e estaduais, concessionárias de serviços essenciais e empresas participantes do programa Empresa Resiliente.
A microexplosão ocorrida em 5 de junho de 2016 provocou a queda de mais de 2,4 mil árvores e deixou uma trilha de destruição de aproximadamente 48 quilômetros pela cidade. O fenômeno castigou três pontos principais da cidade: primeiro na região do Galleria Shopping; depois a área próxima ao Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e por último no Bairro São Quirino.
O exercício simulou a queda de árvores sobre imóvel e sobre a rede elétrica, demonstrando a atuação integrada das equipes para remoção dos galhos, atendimento da ocorrência e restabelecimento do fornecimento de energia.
Durante a atividade, a CPFL apresentou módulos móveis equipados com torres de transmissão desmontáveis de alumínio, estruturas mais leves e compactas que permitem rápida instalação em situações de emergência, garantindo a continuidade do fornecimento de energia quando torres fixas são danificadas.
Segundo o diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, o simulado reforça a importância da integração entre Prefeitura, Corpo de Bombeiros, concessionárias e empresas parceiras.
“Um evento dessa magnitude exige mobilização conjunta. O objetivo é mostrar o quanto Campinas avançou desde a microexplosão de 2016 e fortalecer a preparação para futuras ocorrências”, afirmou.
Participaram da atividade empresas como Bosch, Pirelli, Sanasa e CPFL, que integram o programa Empresa Resiliente e mantêm estruturas preparadas para colaborar em situações de emergência.
Radar e sistemas de alerta são avanços da última década
Além da integração operacional, o exercício destacou os avanços tecnológicos implementados na última década. Entre eles estão a instalação do radar meteorológico da Região Metropolitana de Campinas, os novos sistemas de alerta enviados diretamente aos celulares da população e a modernização dos protocolos de atuação dos órgãos públicos e concessionárias.
A pesquisadora Ana Ávila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri/Unicamp), destacou que a implantação do radar meteorológico na Unicamp, a ampliação das equipes técnicas e a evolução dos sistemas de monitoramento e alerta representam alguns dos principais legados deixados pela microexplosão.
Segundo ela, também houve avanços significativos na atuação da Defesa Civil do Estado de São Paulo, especialmente na emissão de alertas preventivos para celulares, permitindo que a população e os órgãos responsáveis se preparem com maior antecedência para eventos severos.
A pesquisadora lembrou que o fenômeno ocorrido em 2016 foi atípico por acontecer em junho, período normalmente marcado pela estiagem. Na ocasião, dias consecutivos de chuva criaram condições favoráveis para a formação de tempestades severas. Além da microexplosão em Campinas, foram registrados episódios de granizo, chuvas intensas e até um tornado no município de Jarinu.












