A turma de Jornalismo de 1988 da PUC-Campinas se despediu neste domingo (26) de um amigo querido, de coração imenso e sorriso farto. O fotógrafo Henrique José Santos, 56 anos, morreu neste sábado (25), em Araraquara, cidade onde fez toda a sua brilhante e marcante carreira. Com olhar atento e sensibilidade para o social, H, como era carinhosamente chamado pelos amigos, foi um profissional que atravessou os desafios da profissão com incrível resiliência.
Suas lentes documentaram momentos marcantes da high society de Araraquara, onde por décadas trabalhou no Clube Náutico, referência da cidade. Era, também, presidente do Foto Cine Clube Aracoara, uma paixão que começou com as fotos reproduzidas em papel após reveladas minuciosa e habilmente em escuros e silenciosos laboratórios.
A mídia impressa deu, então, lugar à relevância do digital, e H seguiu com seu ofício e sua habilidade empunhando máquinas mais modernas e seu inseparável smartphone.
Era exigente e tinha um olhar aguçado para a cena. Não era raro impor algumas pequenas broncas e pontuar suas orientações para que os fotografados ajudassem no trabalho final.

Seu último contato com os amigos de faculdade aconteceu nos dias 15 e 16 de novembro do ano passado, na cidade de Muzambinho, onde a turma se reuniu para lembrar dos tempos de Campinas. Entre beijos e muitos abraços, H celebrou o seu aniversário de 56 anos. Ele nasceu em 16 de novembro de 1968. Um bolo foi providenciado, com aplausos e parabéns que, agora, têm um jeito de despedida.
A energia daquele encontro, ocorrido na propriedade de um dos formandos, o jornalista Pedro Aurélio Varoni de Carvalho, o Pedrão, ecoa nos corações de todos que tiveram a oportunidade de viajar para Minas Gerais. Afinal, o grupo se formou há longínquos 36 anos. Muitas histórias por trocar e recordar.
Quem não pôde ir, acompanhou os dois dias de festa e emoção pelo grupo do Zap, onde não faltaram emojis de corações. Agora, de tristeza, quando chegou a notícia inesperada de sua passagem.

H é um homem com letra maiúscula. Físico avantajado e estatura robusta no caráter e na personalidade.
O encontro de Muzambinho jamais será esquecido, conforme reforçam os amigos. Lá, Henrique José dos Santos esteve ao lado de sua família, a mulher Cláudia, as duas filhas, Bruna e Carol, e o genro Fábio.

Em Araraquara, sua despedida aconteceu no Memorial Fonteri, com sepultamento no Cemitério São Bento. H tratou por muitos anos um câncer no fígado. Sua saúde debilitou nos últimos dias depois de uma infecção urinária.
Falar da doença não era tabu para ele. As intercorrências eram divididas com os amigos. Procurou, de alguma forma, transmitir alegria e entusiasmo onde quer que estivesse.
Nos dias pós-festa em Muzambinho, com os corações de todos aquecidos pelo encontro, H escreveu: “Não deixem as oportunidades passarem, a vida é curta.”
No grupo dos amigos, o jornalista e professor Fernando Negrão postou: “Imagine que você está à beira-mar e vê um navio partindo. Você fica olhando, enquanto ele vai se afastando, cada vez mais longe, até que finalmente aparece apenas um ponto no horizonte. Lá o mar e o céu se encontram. E você diz: “Pronto, ele se foi. “Foi aonde? Foi a um lugar que a sua visão não alcança, só isso. Ele continua tão grande, tão bonito e tão imponente como era quando estava perto de você. A dimensão diminuída está em você, não nele. E naquele momento em que você está dizendo: “Ele se foi”, há outros olhos vendo-o aproximar-se e outras vozes exclamando com alegria: “Ele está chegando”.
H chegou!











