A Ucrânia pediu nesta segunda-feira (21) uma reunião “imediata” do Conselho de Segurança da ONU, perante a ameaça de uma invasão russa. “A pedido do presidente, Volodymyr Zelensky, peço oficialmente consultas imediatas dos membros do Conselho de Segurança da ONU, nos termos do artigo 6 do memorando de Budapeste”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Dmytro Kuleba, na rede social Twitter.
O pedido ucraniano surge num momento em que o Ocidente acusa Moscou de pretender invadir a Ucrânia, em cujas fronteiras estão concentrados mais de 190.000 soldados e equipamento militar, e cujos processos de mediação, em particular francês e norte-americanos, se encontram num impasse.
A reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU tem como base os memorandos de Budapeste, acordos assinados pela Rússia em 1994 que garantem a integridade e a segurança de três ex-repúblicas soviéticas, uma das quais a Ucrânia, em troca do abandono das armas nucleares herdadas da União Soviética.
Durante a guerra da Crimeia, em 2014, que culminou na anexação pela Rússia daquela península ucraniana, Kiev já tinha invocado esse memorando para recordar a Moscou os seus compromissos em matéria de fronteiras, mas o documento não prevê quaisquer medidas vinculativas.
A última reunião do Conselho de Segurança sobre a Ucrânia, realizada a 01 de fevereiro, a pedido dos Estados Unidos e contra a vontade da Rússia, transformou-se num confronto direto entre Washington e Moscou.
O presidente russo, Vladimir Putin, fez saber que anunciará hoje a sua decisão sobre o reconhecimento da independência das autoproclamadas repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk, situadas no leste da Ucrânia – uma decisão que poderá pôr fim ao processo de paz desse conflito.
“Ouvi as vossas opiniões. A decisão será tomada hoje”, disse o líder do Kremlin aos membros do conselho de segurança russo, no final de uma reunião alargada que decorreu ao início da tarde e foi transmitida em diferido pela televisão russa.
Os dirigentes dos dois territórios separatistas do leste da Ucrânia – Donetsk e Lugansk – apelaram hoje ao presidente Putin para reconhecer a sua independência e estabelecer uma “cooperação em matéria de defesa”.
A Rússia é considerada a instigadora do conflito no leste do território ucraniano e a patrocinadora dos separatistas, tendo a guerra eclodido há oito anos, na sequência da anexação russa da península ucraniana da Crimeia, após a chegada ao poder de pró-ocidentais em Kiev, no início de 2014.
Por seu lado, Moscou acusa as autoridades ucranianas de minar os acordos de paz de Minsk sobre o conflito que opõe a Ucrânia aos separatistas pró-russos, datados de 2015.
Na reunião do conselho de segurança russo, Putin afirmou nesta segunda-feira que não existe qualquer perspetiva de aplicação desses acordos, acusando novamente Kiev de os sabotar. “Vemos bem que eles não têm absolutamente qualquer hipótese”, sustentou.
Esta observação seguiu-se a uma apresentação do seu encarregado das negociações de paz na Ucrânia, Dmitri Kozak, segundo quem o processo negocial “está em ponto morto desde 2019” e “nunca” as autoridades ucranianas aplicarão os acordos.
(Agência Lusa)







