Por Fernanda Lagoeiro, especial para o Hora Campinas
Dados da plataforma Dragonpass mostram que o uso de salas VIP no Brasil cresceu 35,9% no Carnaval de 2025, enquanto 69% dos acessos feitos por brasileiros ao longo do ano passado aconteceram em viagens domésticas.
A nova fase das chamadas salas VIP acompanha uma mudança clara no perfil do viajante. Um estudo realizado nos Estados Unidos pela J.D. Power, divulgado em dezembro de 2025, mostra que 47% dos usuários já escolhem rotas com base no acesso a lounges, enquanto 82% afirmam que a possibilidade de usar esses espaços influencia até a escolha da companhia aérea.
Mas, mais do que status, a busca é por funcionalidade: ambientes para trabalhar, internet estável, áreas reservadas para reuniões, alimentação melhor e a chance de reduzir o desgaste físico e mental da viagem.
A tendência não é isolada. O crescimento do turismo premium, das viagens corporativas e da cultura do “bleisure” (a mistura de “business” e “leisure”, ou seja, quando trabalho e lazer se misturam na mesma viagem) impulsiona a corrida por espaços mais completos dentro dos aeroportos.
Em Campinas, a expansão de uma sala vip no Aeroporto de Viracopos mostra que o terminal acompanha uma mudança global: hoje, para muitos passageiros, a experiência da viagem começa antes do portão de embarque.
AMBAAR LOUNGE
A novidade é a ampliação da AMBAAR Club, que passou por retrofit e ganhou 230 metros quadrados adicionais, com novos assentos que comportam até 245 passageiros, espaços de coworking, cabines privativas para reuniões e reforço na curadoria gastronômica, com serviço de bar e até menu desenvolvido por chef dedicado — um indicativo de que o mercado está investindo nesse tipo de experiência.
“A ideia é fazer parte da história do cliente. A gente quer que ele tenha conforto antes de viajar”, explica Tais Ramazotto, especialista em experiência do cliente na AMBAAR LOUNGE.
Mais do que luxo, as salas VIP passaram a atender demandas práticas do passageiro. Entre os itens mais valorizados estão wi-fi de alta velocidade, áreas silenciosas para reuniões, alimentação de qualidade, experiências olfativas, kits para crianças, banhos rápidos entre conexões e ambientes pensados para reduzir o estresse da jornada.

“A atividade de salas vip representa globalmente 8.7 bilhões de dólares ao ano. Estima-se que em 2032 esse valor duplique”, afirma Bernardo Claro da Fonseca, CEO do grupo AMBAAR.
Em um aeroporto como Viracopos, hub estratégico para voos domésticos e internacionais, a lógica acompanha um passageiro cada vez mais disposto a pagar (ou usar benefícios de cartões e programas) para transformar o tempo de espera em tempo útil.
“Para quem tem criança, faz muita diferença, o conforto, a segurança. É mais tranquilo”, conta a empresária Raíza Buchemann, que viaja bastante durante o ano e faz uso de salas vip. A tendência, cada vez mais, aponta para um passageiro mais exigente, para os quais os aeroportos devem responder a novas formas de viajar.












