O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 começou a ser aplicado neste domingo (21) em todo o país nas modalidades impressa e digital. Tanto as provas quanto o tema da redação serão iguais nas duas versões. Ao todo, 3,1 milhões de candidatos devem fazer o exame em mais 1,7 mil municípios. Em Campinas são 11.715 estudantes inscritos.
Veja abaixo a avaliação do professor de Redação do Curso Pré-vestibular da Oficina do Estudante de Campinas, do Milton Costa.
“Recorte temático pertinente, dentro das expectativas de abordagem do Enem, tanto temáticas quanto técnicas – é uma situação-problema de fato, ou seja, uma proposta que demanda intervenções: como garantir cidadania a partir do acesso ao mais básico registro civil? –, e com uma também esperada referência explícita ao Brasil no tema. Torço para que a coletânea seja tão boa quanto a do último Enem (O estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira), que mostre os obstáculos que muitas famílias (sobretudo mães) ainda enfrentam para registrar seus filhos. O atraso na execução do Censo pelo IBGE e a censura promovida pelo governo Bolsonaro a certas questões da pesquisa é um fato que pode ser explorado na argumentação, no sentido de mostrar como a invisibilidade interdita a cidadania”
O ministro
O ministro da Educação, Milton Ribeiro, usou sua conta no Twitter para divulgar o tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021. De acordo com o dado oficial mais recente, cerca de três milhões de brasileiros chegam à idade adulta sem ter certidão de nascimento. E, sem essa certidão, também ficam impedidos de tirar todos os outros documentos.
Sem documentação oficial, essas pessoas acabam ficando sem acesso a serviços de saúde, educação, programas sociais, entre outros. Em tempos de pandemia, também não podem tomar a vacina contra a covid-19.
Veja abaixo a avaliação do professor Wilson Galvão, coordenador do Ensino Médio do Sistema Positivo de Ensino.
Para Wilson Galvão, o tema não surpreendeu.
“Normalmente a temática da redação do Enem versa sobre situações-problema relacionadas a questões sociais brasileiras. Então, os estudantes que se prepararam tinham plenas condições de falar sobre o tema deste ano, que não chega a ser uma novidade para eles”, afirma.
No entanto, Galvão avalia que não se trata de um tema polêmico, como muitas vezes acontece no exame. “É uma temática que não levanta grandes discussões. Mesmo assim, é pertinente para se pensar o país porque, com toda a diversidade no espaço brasileiro, a cultura de não fazer o registro traz muitas dificuldades ao estado. Sem registros confiáveis é muito mais difícil propor e executar políticas públicas”, lembra.
Em 2019, o tema foi “democratização do acesso ao cinema no Brasil” e, em 2020, os temas para a edição impressa e digital foram diferentes. Quem fez a prova impressa falou sobre “o estigma associado às doenças mentais na sociedade brasileira”, enquanto quem fez a digital falou sobre “o desafio de reduzir as desigualdades entre as regiões do Brasil”.
Com uma pontuação que vai de zero a mil, a redação é uma das etapas mais importantes do Enem, cuja primeira parte foi realizada neste domingo (21), e tem, além da redação, 90 questões objetivas. Três áreas do conhecimento foram contempladas no primeiro dia: 45 questões de Ciências Humanas e suas Tecnologias e outras 45 de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.
Os portões foram fechados às 13h e os candidatos tiveram até as 19h para finalizar a prova. No próximo domingo (28), é a vez de demonstrar os conhecimentos em Ciências da Natureza e Matemática.
Em 2021, pouco mais de 3,3 milhões de jovens se inscreveram para prestar o Enem. O número é o mais baixo desde 2005. O exame é uma das principais portas de entrada para a universidade no Brasil. As notas conquistadas no Enem também dão direito a participar do Programa Universidade para Todos (ProUni) e do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).












