A semana mais esperada do ano para os apaixonados por esporte chegou! Os Jogos Olímpicos de 2024, em Paris, começam oficialmente na próxima sexta-feira (26), mas antes disso não faltarão atrações para acompanhar, já que algumas modalidades terão disputas anteriores à data da cerimônia de abertura. O futebol abre a Olimpíada na quarta-feira (24).
Como os homens ficaram de fora, mesmo sendo os atuais bicampeões olímpicos, as mulheres serão a única esperança de medalha para o futebol brasileiro em Paris. Comandada pelo técnico Arthur Elias, a Seleção Feminina estreia contra a Nigéria na quinta-feira (25), às 14h (horário de Brasília), em Bordeaux. As duas seleções estão no Grupo C, ao lado de Espanha e Japão.
A equipe brasileira conta com a defensora campineira Thais Ferreira, do Tenerife, da Espanha, e a atacante Kerolin, que começou a carreira em Campinas e atualmente joga no North Carolina Courage, dos Estados Unidos.
O futebol feminino entrou no programa olímpico apenas em 1996, exatamente 100 anos depois da primeira Olimpíada da Era Moderna, realizada em 1896, em Atenas, na Grécia. Nos Jogos de Atlanta, em 1996, a Seleção Brasileira superou todas as expectativas e ficou muito perto de subir ao pódio logo em sua participação de estreia, sob o comando do lendário técnico campineiro Zé Duarte. Ele morreu há exatamente 20 anos, no dia 23 de julho de 2004, aos 68 anos, em Campinas, devido a problemas pulmonares.

Na primeira de duas edições olímpicas consecutivas com Zé Duarte no comando, o Brasil terminou em um honroso quarto lugar, perdendo a semifinal para a China e a disputa pela medalha de bronze para a Noruega, então campeã mundial. A revanche veio na Copa do Mundo de 1999, nos Estados Unidos, onde as brasileiras derrotaram as norueguesas nos pênaltis e ficaram com o terceiro lugar do torneio, dirigidas pelo técnico Wilson Oliveira, que seria auxiliar de Zé Duarte na Olimpíada seguinte.
Seguindo a tradição quase centenária do futebol masculino, que esteve presente em todas as edições da Copa do Mundo, de 1930 até 2022, a Seleção Brasileira Feminina jamais ficou de fora do campeonato mundial da categoria, disputado desde 1991, e o mesmo vale para a competição olímpica da modalidade, que teve início em 1996.
Na disputa dos Jogos Olímpicos de 2000, em Sydney, a equipe de Zé Duarte eliminou a anfitriã Austrália na primeira fase, com uma vitória por 2 a 1 na última rodada, mas terminou batendo novamente na trave em termos de medalhas.

Na ocasião, a Seleção Brasileira ficou em quarto lugar, após perder a semifinal para os Estados Unidos, então atual detentor dos títulos olímpico e mundial, e a disputa do terceiro lugar para a Alemanha, nada menos do que bicampeã europeia na época – a hegemonia alemã chegaria a seis títulos continentais consecutivos.
Em 2001, em um de seus últimos trabalhos no futebol, Zé Duarte comandou a equipe feminina da Ponte Preta, após um trabalho de sucesso com o time feminino do São Paulo, onde conquistou vários títulos em 1997.
Embora não tenha conseguido levar a equipe ao tão sonhado pódio olímpico, Zé Duarte pavimentou o caminho para a Seleção Brasileira Feminina colher frutos neste século. A galeria conta com duas medalhas olímpicas de prata, conquistadas nas Olimpíadas de 2004, em Atenas, e 2008, em Pequim, além do vice-campeonato mundial em 2007, também na China.

Posteriormente à fase com Zé Duarte, o futebol feminino brasileiro também faturou três medalhas de ouro nos Jogos Pan-Americanos: em 2003, em Santo Domingo, em 2007, no Rio de Janeiro (com goleada por 5 a 0 sobre os Estados Unidos na grande final, no Maracanã lotado com quase 80 mil pessoas) e em 2015, em Toronto. Além disso, entre 2006 e 2009, a craque Marta foi eleita quatro vezes a melhor jogadora do mundo pela FIFA.
Infelizmente, Zé Duarte não teve a oportunidade de participar nem acompanhar esses grandes feitos, resultado do trabalho iniciado por ele. Ele morreu exatamente um mês antes da histórica vitória do Brasil por 1 a 0 sobre a Suécia, no dia 23 de agosto de 2004, pela semifinal do torneio de futebol feminino das Olimpíadas de Atenas. O resultado garantiu o primeiro pódio olímpico da seleção. Na decisão, as brasileiras perderam por 2 a 1 para os Estados Unidos na prorrogação e ficaram com a medalha de prata.

História nos dois rivais do futebol campineiro
Antes de se aventurar no futebol feminino, em meados dos anos 90, o técnico campineiro Zé Duarte escreveu capítulos importantes no futebol de sua cidade natal, onde teve inúmeras passagens pelos rivais Guarani e Ponte Preta, conquistando o respeito e a admiração das duas torcidas.
Conhecido como “Zé do Boné”, ele é o único treinador da história que se sagrou campeão pelos dois clubes do futebol de Campinas. À frente da Macaca, Zé Duarte conquistou o título estadual da Divisão de Acesso, em 1969, além dos vice-campeonatos paulistas de 1977 e 1979.
Depois, do outro lado da avenida, o treinador campineiro conduziu o Bugre ao título da Taça de Prata de 1981, equivalente à Série B do Campeonato Brasileiro, e depois à semifinal da Taça de Ouro de 1982, que correspondia à elite nacional, com o recorde de média de gols do campeonato: 2,65 por partida. Foram incríveis 62 gols em 20 jogos.
Zé Duarte é o técnico que mais venceu Dérbis Campineiros em toda a história de 112 anos do confronto. Ele possui 12 vitórias em 28 clássicos disputados, sendo 17 pelo Guarani e 11 pela Ponte Preta, com seis triunfos para cada lado. O retrospecto geral do treinador no enfrentamento local também aponta 13 empates e apenas três derrotas, mas ele nunca perdeu comandando a Macaca.
Zé Duarte é o treinador com mais jogos à frente do Guarani, com 404 partidas, e também o que por mais tempo dirigiu o Bugre de forma ininterrupta, entre 1971 e 1975. Ele também é o terceiro técnico que mais vezes comandou a Ponte Preta, com 245 jogos, atrás apenas de Cilinho (348) e Nico (261).












