O Instituto DataSenado acaba de apresentar os resultados da pesquisa sobre violência escolar realizada entre os dias 9 e 10 de maio em todo o Brasil. De acordo com os dados, 6,7 milhões de estudantes brasileiros foram vítimas de violência no ambiente escolar nos últimos 12 meses. Os números foram divulgados durante audiência pública da Comissão de Educação e Cultura do Senado, em Brasília. Foram ouvidos 2.068 jovens de 16 anos ou mais.
O número representa 11% dos 60 milhões de estudantes matriculados e quando o questionamento se refere às vítimas de bullying nos últimos 12 meses, o índice sobe para 33% (20 milhões de alunos).
“A sociedade não pode permitir que 20 milhões de crianças e adolescentes sofram bullying diariamente e quase 7 milhões sejam vítimas de violência”, alerta a advogada Ana Paula Siqueira, presidente da Associação SOS Bullying, única do Brasil voltada ao suporte para vítimas e orientação de escolas. “É um problema que afeta crianças e jovens e que deixa cicatrizes psicológicas ou psiquiátricas que eles vão carregar por toda a vida”.
Ana Paula lembra que o bullying está na origem de praticamente todos os casos de violência escolar e que o Brasil possui legislação sobre o tema, mas que o país ainda esbarra na aplicação das leis.
Hoje o país conta com a Lei 13.185/2015, que instituiu o programa de combate ao bullying, com as diretrizes a serem seguidas pelas instituições de ensino, e a Lei 14.811/2024, que criminaliza o bullying e prevê até quatro anos de reclusão para os autores.
“A legislação existe, mas ainda há falhas principalmente na aplicação de um plano permanente de combate ao bullying e desenvolvimento da cultura da paz nas escolas. A falta dessas iniciativas coloca em risco toda a comunidade escolar e resulta em dados como estes, apresentados pelo Senado”, diz Ana Paula.
A chefe do Serviço de Pesquisa e Análise do DataSenado, Isabela Lima Campos, destacou que o bullying como forma de intimidação também deve ser considerado violência, e que a pesquisa apontou que mais pessoas pesquisadas sentem medo de sofrer violência nas escolas (90%) do que nas ruas (76%). “Esse dado mostra como a violência está enraizada no dia a dia das escolas brasileiras”, completa Ana Paula Siqueira.







